Carta aberta aos fãs de Fringe

A convergência modificou não só a mídia, mas o público. Aquele espectador que era considerado fanático e conhecia o universo da série como ninguém, deixou de ser o freak para se tornar o alvo das emissoras. O chamado fã ávido deu início ao um novo tipo de marketing que tem como ponto chave; a paixão.

A propaganda vai além do convencer ou seduzir e atinge o patamar do amor, é preciso estabelecer uma experiência única entre o consumidor e a marca. E é aí que entra Fringe, por conta essa tal economia afetiva e a nova configuração do fã, hoje temos o prazer de nos despedirmos da série numa temporada final. Que só foi ao ar depois de uma ação que saiu da cabeça de um espectador e se espalhou pelo mundo todo.

Desde que a trama de J.J Abrams começou a ter quedas bruscas na audiência, a Fox foi categórica e disse que o programa estava com os dias contados. Diante da eminência de ter sua série favorita cancelada, os fãs criaram uma ação que hoje é considerada um marco na história — recente — da Social TV e da Cultura Participativa.

Para chamar a atenção dos executivos da emissora americana, os espectadores lançavam a cada episódio uma hashtag afim de não só unificar e engajar o público, mas de trazê-lo de volta para o must see tv (TV com hora marcada). Não demorou muito para as # entrassem nos Trending Topics e ocupassem as páginas de grandes blogs especializados em mídias digitais.

Em poucas semanas, o número de tweets atingiu marcas até então inéditas, como de 100 mil postagens em cinco episódios da série. Até países como Brasil, Inglaterra e Espanha, aonde Fringe não ia ao ar simultaneamente aos Estados Unidos aderiam à campanha no Twitter.

A escolha das hashtags não era feita por acaso, os idealizadores da ação optavam sempre por uma mensagem que os fãs reconheceriam facilmente e que pudesse ser usada ao longo dos 42 minutos de episódio. Com os incríveis números, a volta dos espectadores para frente da TV e uma ação inédita, o resultado não poderia ser outro. A Fox topou dar a Fringe uma temporada final, e ainda incluiu hashtags oficiais a cada novo capítulo da trama de ficção cientifica.

Depois de todo o engajamento do público, a emissora passou a trata-lo com mais respeito e viu que muitas vezes a paixão de um fã não pode pagar as contas ou fazer a audiência bater recordes, mas pode eternizar uma história. E esse é o mais genuíno objetivo de uma série; contar histórias.

Os espectadores conseguiram salvar a trama do cancelamento criando uma ação única e de extrema eficácia. Mostrando que na convergência o público além vivenciar a trama em várias camadas, tem o poder de modifica-la. Se hoje estamos nos emocionando e nos divertindo com os capítulos finais da série é tudo graças a eles, aos fãs de Fringe!

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