Chewing Gum: Falar da vida sexual não é tabu. É divertido!

Para quem é aficionado na Netflix, novembro foi um mês de espera por The Crown, a nova série épica da rede e uma das mais caras já produzidas. Mas bem lá no cantinho, o que você não deveria deixar de conferir é a comédia (também britânica) Chewing Gum.

A atração de seis episódios foi exibida no ano passado pelo canal E4 no Reino Unido, e redistribuída pelo serviço de streaming em seus territórios operantes com o selo “Netflix Original”. Ambientada em Londres, narra a rotina de Tracey, uma jovem de 24 anos pertencente a uma família religiosa e ultra-conservadora da periferia. Em contrapartida, ela divide seus melhores momentos com pessoas sexualmente expressivas, como sua amiga Candace, e o seu ponto de partida é o desperta de sua sexualidade — convencendo seu namorado a ~cometer o ato~ antes do casamento.

Criada e estrelada pela brilhante Michaela Coel, Chewing Gum usa experiência reais, o que torna tudo mais palpável. É ousado e enérgico, e mesmo sem saber o que é biográfico e o que é ficção, é delicioso mergulhar na em cada situação cômica (ou dramática) que a protagonista vive. Diferente das comédias românticas, não há uma preocupação com arcos narrativos comum e intensamente melosos, e o resultado é prazeroso de se assistir.

Santa Beyoncé das causas impossíveis, rogai por nós.

Pode parecer clichê, mas o que é ainda mais atraente em Chewing Gum é como a diversidade é abordada. Uma jovem negra, pobre, que se sente bela e determina seus próprios padrões, enquanto descobre a melhor maneira de explorar o seu corpo e os relacionamentos — com um senso bem dosado de humor.

A questão racial pode ser o último ingrediente da série, mas, no resultado final, acaba sendo uma discussão orgânica e natural. E vai muito mais além… É difícil ver uma comédia tratar de temas complicados como religiosidade, sexualidade e machismo sem forçar a barra, porém a atuação carismática do elenco e a naturalidade e tangibilidade dos eventos faz alguns tabus serem assimilados sem muita estranheza.

Tracey é uma personagem deliciosamente esquisita e desajustadas, sem nenhum conceito de relacionamento e sensualidade, seu maior desejo era sugar o nariz do seu parceiro, e tem hemorragia nasal toda vez que se excita. É uma comédia para descontrair: não espere fundamentos, teorias e um final doce como chocolate para o casal principal. De pílula do dia seguinte a facesitting, o que Chewing Gum faz é entreter com as possibilidades da vida real e questionamentos corriqueiros com um toque hilário e despretensioso.

Por fim, Chewing Gum mostra que, assim como na vida real, ninguém é melhor do que ninguém, nem sabe tudo. E mais: sua vida sexual / amorosa poderia ser bem mais descomplicada do que talvez seja. Apenas não tenha medo de explorar as diversas possibilidades.

Sobre o Autor

BOXPOP

Site especializado em cultura pop, fundado em agosto de 2007. Confira nossos podcasts, vídeos no youtube e posts em redes sociais. Interessados em contribuir como autor no site podem entrar em contato: contato@boxpop.com.br

Deixe um comentário

clique para comentar

OUÇA O BOXCAST

VIDEOCAST

Confira o que achamos da versão ilustrada de Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban em português.

Wanessa tá de clipe novo. E o clipe define o que "é ruim mas é bom".

The Handmaid's Tale voltou!!! O que rola de novo nesta temporada? Descubra mas SEM SPOILER!

SEJA UM PADRINHO!

Contribua!