Chicago Fire 1×02 — Mon Amour

Eles têm Cérbero, o cão de três cabeças que guarda os portões do inferno. Nós temos um maldito bode.” — Otis

Uma discussão sobre o bode ser o brasão do Caminhão 81. Com esseplot, tivemos uma tentativa dos roteiristas Michael Bandt e Derek Haas de inserir um pouco de humor dentro da trama pesada que é a deChicago Fire. Entre um drama e outro, uma salvação e outra, lá estava Otis se questionando sobre as razões de o bode ser o símbolo que estampa as laterais do caminhão.

Muitas teorias foram despejadas pelos mais diversos personagens, rendendo algumas boas situações (“Achei que era pra isso que serviam os cadetes”, diz Otis quando alguém afirma que usavam bodes para aparar a grama da unidade). Otis e Cruz são a dupla que irá tentar fazer o espectador rir. A decepção de Otis ao paquerar uma moça lésbica, as pegadinhas com o novato programadas pelos dois acabaram saindo pela culatra e, no fim do episódio, Otis recorreu ao recurso da suposta peça pregada para se dar bem com as mulheres. “Uniformes fazem sucesso”, conclui ele.

No campo do drama, o episódio apresentou uma maior desenvolvimento sobre a personalidade de Kelly Severide. Ele continua brigado com Matthew Casey, mas agora é apresentada uma nova faceta: Heather, a esposa do bombeiro morto do Piloto, culpa Severide pelo acidente, pois, segundo ela, Darden só virou bombeiro por influência do amigo. Supõe-se que o conflite entre ela e Severide renderá mais durante os próximos episódios.

Severide continua em seu inferno pessoal. É incapaz de lidar com seu temperamento explosivo, sendo extremamente estúpido com o novato Peter Mills. E recorre novamente à Leslie em busca de mais ampolas. A médica avisa que será a última vez, mas quem assiste a esse tipo de série, sabe que não será.

O roteiro busca também a solidão amorosa na vida de Severide. Para isso coloca-o em contraponto com uma vítima de um acidente na construção civil. O senhor é apaixonado pela sua esposa, mas está condenado à morte por uma hemorragia interna. Um tanto clichê usar esse recurso usado à exaustão pelo cinema: quando sente a morte de aproximar, conta a história de vida e faz o ouvinte prometer levar um recado ao ser amado.

Mesmo que a mensagem de amor seja muito linda (“Eu não poderia viver um dia neste mundo sem você”), é subestimar a inteligência do espectador. Explicitar o vazio sentimental de Severide dessa forma é privar o personagem de um desenvolvimento muito mais rico e sintomático. Uma solução fácil demais para um problema tão profundo. E ainda completam fazendo-o rejeitar uma super gata por não “estar no clima”. Isso poderia ser feito com mais sutileza, por favor.

E, para ajudar, Taylor Kinney continua aquele primor na interpretação, sendo incapaz de sustentar uma emoção mais envolvente por mais que dois segundos. Lamentável. Nem pra tirar a camisa e compensar sua deficiência como ator. Usar camisetinha regata não serve pra apagar fogo algum!

Como o nome do episódio é Mon Amour, naturalmente, o amor estava no ar (Love is in the air, everywhere I look around…) Leslie é ahunter do momento. Com uma sede voraz, já andou pegando uma novata. Seu comportamento pode render. Já a paramédica Gabriela Dawson mostrou a que veio no seriado. A química dela com Leslie fluiu e até houve espaço para uma brincadeira com um bêbado assanhado.

Ficou bem evidente que Dawson será o futuro interesse romântico de Casey. Hallie, a ex-noiva, que se cuide. A médica também percebeu o clima e tratou logo de marcar território. Será interessante a convivência das duas no hospital, com Dawson tendo Hallie como mentora. Desse mato, poderá sair uns preazinhos bem interessantes.

E Casey! Ah, que bom moço ele é! O episódio reforçou novamente essa ideia. O problema é que a maneira utilizada foi, mais uma vez, óbvia e clichê. A partir do momento que o espectador não é convidado a participar dessa construação e colocado passivo no show, a série tem uma problema.

Aliás, Chicago Fire ainda não conseguiu empolgar e não mostrou a que veio. Os casos do dia foram absurdamento modorrentos (alguém realmente ficou comovido com a mãe que perguntava se sua filha estava viva ou sentiu tensão com um andaime que poderia cair em um carro?) Dois episódios, com edição ágil e trilha sonora interessante, mas com os mesmos problemas do piloto: elenco fraco, roteiro previsível e comum, histórias que não empolgam. E se em uma série você simplesmente não consegue se importar com o que acontece, então é fadada ao fracasso. Vamos ver se nos próximos a coisa pega fogo.

Balde de água fria: é uma série sobre bombeiros, certo? Onde estão os gostosos descamisados e donzelas em perigo? Mangueiras, urgente, por favor!

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