Chicago Fire 1×03 — Professional Courtesy

Líderes lideram o fronte.” — Wallace Boden.

E o terceiro episódio de Chicago Fire mal foi lançado e uma boa notícia já agradou os recentes fãs da série sobre os homens do fogo: a NBC aprovou a produção mais cinco roteiros para o seriado. E, se depender do terceiro episódio, o pedido veio em boa hora.

Depois de dois episódios extremamente medianos, beirando o medíocre e abundando em clichês (não joguem seus tomates ainda), finalmente é fácil enxergar uma luz de esperança no fim do túnel. A série começou a esquentar e, ao que tudo indica, será um incêndio daqueles.

Reproduzindo o lugar comum dos filmes de terror (aqueles nos quais todo personagem que diz: “Volto logo”, definitivamente, não voltará), o episódio começa com uma madrugada normal, sem ocorrências. O novato Peter Mills faz uma observação: “Duas horas para acabar o turno e nenhum chamado ainda. Isso acontece com muita frequência?” Pronto. O estopim do barril de pólvora foi aceso e as consequências não poderiam ter sido as melhores.

Se nos episódios anteriores, as chamadas de emergência não foram tão empolgantes, o mesmo não se pode dizer de agora. Um acidente e uma tentativa de suicídio. Nos dois casos, as cenas foram filmadas com uma urgência absurda. A edição, aliada a um jogo de câmeras capaz de colocar o espectador no epicentro do drama, uma trilha sonora pungente e atuações dignas. Ponto para os roteiristas que acertaram o tom exato e para a produção da série que caprichou.

Matthew Casey confirma-se como bom moço e, mais que isso, encarna um dilema moral e ético envolvendo os homens de uniforme, suas responsabilidades e como aqueles que são pagos para proteger a população podem virar-se contra ela objetivando interesses particulares. Como bem afirma o chefe Boden, Casey é o líder da corporação e agora evidenciou isso da melhor maneira.

Notem sua expressão ao chegar no local do acidente, constatar toda a barbárie do trânsito, perceber o sinal de embriaguez no motorista e, o pior, ver que este foi acobertado por ser filho de um detetive muito respeitado em Chicago. Jesse Spencer esteve irrepreensível em todas as cenas que participou. Foi muito fácil compreender sua dor e indignação ante a injustiça cometida naquele momento apenas para privilegiar laços cosanguíneos. E melhor foi testemunhar sua integridade moral ao encarar as ameaças feitas pelo policial corrupto. Sem dúvida, Spencer cresceu muito como ator.

Chicago Fire tocou num ponto crucial da sociedade moderna. Mesmo não tendo o chamado jeitinho brasileiro, as relações de poder estão em toda a parte. Um jovem ficou paraplégico devido a um motorista irresponsável. A decepção do pai do garoto, Greg Duffy, fã de esportes, ao ver o próprio filho debilitado e ainda ser acusado de causar a batida foi enojante. A corrupção é tão gangrenosa que pessoas de bem têm suas morais denegridas para favorecer poucos escolhidos.

A personificação de tamanha atrocidade estava na pessoa do Detetive Hank Voight (Jason Beghe, em interpretação magistralmente odiosa), uma verdadeira maçã podre na polícia de Chicago. Casey é informado por Antonio, irmã de Gabriele, que Voight mancha a reputação de qualquer e é um cara barra pesada. Aliás, quando Casey recusa-se a atestar que o sr. Duffy foi o causador do acidente, Voight vai pessoalmente pedir um “favor” para o tenente. O diálogo entre os dois é brilhante e captou a essência do que um pai permissivo pode criar um pária social. O tom que permeia toda a conversa é de falsidade latente. Voight é uma raposa felpuda, pronta para pular na jugular de Casey, e não demora para acontecer.

Sem dúvida, o embate entre Casey e Voight será emocionante. O detetive deixou muito claro que não está para brincadeira e usará os meios menos excusos para atacar o tenente. A ameaça velada no fim do episódio só esclareceu que o inferno de Casey irá começar em breve.

Peter Mills também teve seu momento de brilho. O novato apresentou um pouco mais de seu drama. Interessante descobrir que sua mãe não aceita muito bem a escolha do filho em ser bombeiro já que seu marido também tinha a mesma profissão e ela o acabou perdendo. Esse arco ainda renderá bons excertos, especialmente se levar em cosideração o olhar guloso que Severide lançou para a irmã de Mills, Elise.

Por falar em Severide, o cara estava com tudo no episódio, mostrando seu poder de macho alfa. Foi bom vê-lo sem camisa no quartinho com a moça do pagamento, Nicki (melhor ainda é ver o pai dela dando uma prensa nele). E, de quebra, revelou-se os motivos para ele tomar os medicamentos fornecidos por Leslie. Mas suscitou algumas perguntas: como ele ficou com os nervos do braço naquele estado? O certo é que uma cirurgia poderá surgir em breve ou então o personagem arcará com sérias consequências para sua saúde.

O clima entre Gabriela e Casey, apesar de não ser o destaque número um, rendeu alguns comentários. A maneira como ela olha para o tenente é tão escancarada que até o irmão dela percebeu. Fica a torcida para os dois se atracarem o mais rápido possível.

Uma coisa que se deve aprender com roteiros é que nada é a toa, nem está por ali ao acaso. Nenhuma trama é totalmente sem destaque. Todas, de alguma forma, servirão para algum contraponto. Semana passada, o destaque foi o desenho do bode no Caminhão 81 (assunto, aliás, retomado com graça e leveza por Ottis). Essa semana, foi a televisão pifada e a plaquinha para a doação de um novo eletrodoméstico. A busca por um novo televisor mostrou que os bombeiros possuem outras funções para complementar a renda familiar. E, de quebra, mostrou que Casey pode ser bastante firme quando deseja.

Esse foi um daqueles episódios que definem todo o percurso da série, consolida as características dos personagens, lança ganchos que, se bem trabalhados, poderão render uma excelente temporada. Resta agora a ansiedade para que ocorra uma nova surpresa.

#Chamas da Vida: sim, tivemos Severide sem camisa e em pegação quentíssima! Ficou o gostinho de quero mais!

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