Chicago Fire 1×04 — One Minute

Agradeça por nunca ter que tomar essa decisão.” — Christopher Hermann

Pessoas em posição de liderança precisam ser extremamente experientes e racionais para tomar as decisões corretas mesmo tendo pouquíssimo tempo para pensar e em situações de risco. Wallace Boden, o Comandante Chefe dos bombeiros de Chicago Fire, revelou justamente ser a pessoa indicada para ocupar esse posto.

O episódio “One Minute” é mais um na consolidação do bom drama que Chicago Fire está se tornando. O título refere-se àquele minuto em que um bombeiro pode ter a certeza de ser capaz de resgatar uma vítima, contudo, ser fatal para ele. Boden já passou por algo semelhante há muito tempo atrás. Perdeu as vítimas, o melhor amigo e ganhou uma enorme cicatriz nas costas como lembrança.

Como um bom líder (e a série está cada vez mais insistindo na construção dos bombeiros como verdadeiros líderes), Boden soube lidar com a explosão de Mills e o convencimento do jovem de poder salvar um sem-teto. Foi firme em sua decisão de não deixar nenhum homem regressar ao armazém Triskin e teve que lidar com as consequências quando a morte de um homem foi constatada.

Existem pessoas que passam o tempo todo querendo tirar vantagem em tudo e a série mostra mais uma delas. O irmão do sem-teto, Marc Thorne, era realmente muito “apegado” ao irmão, tanto que o deixava dormir na rua. Mas é incrível a capacidade que ele teve de usar a situação para se dar bem, ameaçar processar a prefeitura de Chicago e ainda conseguir arrancar uma boa grana. Em alguns casos, uma boa quantia de dinheiro serve para amainar qualquer dor.

O poder desvirtuador da mídia foi evidenciado. Em um dado momento, Hermann reclama que os atos de heroísmo dos bombeiros dificilmente são valorizados, mas as tragédias são alardeadas. Sim, meu caro Hermann, para a mídia, é exatamente isso o que importa. A morte de um sem-teto vende muito mais jornal que o resgate de três vítimas.

Aliás, Hermann ganhou mais um pequeno grande momento. Uma cena com sua família mostrou como o bombeiro possui um lar amável, filhos adoráveis e esposa dedicada. O diálogo com seu filho menor demonstrou ternura e preocupação com a profissão. Hermann ainda protagonizou um senso de defesa do grupo, como um lobo defendendo a matilha. E ainda reconheceu o desejo de não estar no lugar do chefe e tomar uma decisão envolvendo vidas.

Além de enfoque nas vidas pessoas de Hermann e Boden (que ainda não apresentou mais detalhes de seu cotidiano), Leslie ganhou o direito de mostrar que não é simplesmente uma bitch, mas que possui sentimentos. O reaparecimento de uma ex-namorada (agora casada e grávida), fez a jovem refletir muito sobre sua vida.

O roteiro soube abordar com muito realismo essa volta. De vez em quando, ao se conhecer alguém, tem-se a certeza de que ele é a sua alma gêmea. A dor de descobrir que não era nada disso pode ser devastadora e amarga. Como foi dolorido ver a paramédica abraçada ao amigo Severide, reconhecendo o quanto ainda é difícil esquecer a ex. Ponto positivo.

Severide tem novas facetas de sua personalidade justiceira explicitadas ao proteger a simpática senhora Grady de traficantes locais que insistem em perturbá-la com incêndios. Aos poucos, o personagem vai sendo humanizado e ganhando novos contornos. As atitudes imbecis do episódio pilo vão sendo explicadas e o espectador começa a compreender melhor as razões que o levaram a agir daquela maneira.

Kelly Severide é um justiceiro das ruas e usa a roupa de bombeiro como uniforme. Possui o ar sedutor que todo herói tem, é corajoso o suficiente para botar qualquer malandrinha para correr (Nicki não fará falta) e ainda poderá ganhar a irmã de Mill, Elise, quando a partida terminar. No fim das contas, começa a cativar.

Os problemas de Casey com o detetive Voight ainda não foram totalmente resolvidos. O policial corrupto não vai deixar barato e já deu demonstrações bem veementes do que ainda pode fazer. Casey que tome cuidado: os pneus do carro, a mochila roubado, a tentativa de suborno não foram nada. Gabriela tinha razão ao alertá-lo sobre avisar a noiva, Hallie. Nos próximos episódios, o embate entre os dois poderá ganhar contornos ainda mais dramáticos. Voight não descansará.

Uma cena no episódio anterior e uma nesse já foram suficientes para uma possível insinuação de jogar Gabriela nos braços de Milss. Se isso acontecer, a paramédica estará muito bem servida. E o jovem bombeiro ainda poderá consolidar-se com o personagem mais interessante de Chicago Fire.

Leslie e Gabriela vestidas de diabinhas, distribuindo doces no Dia das Bruxas. Tem como não amar? E a comunidade apoiando Boden pela decisão, mandando-o manter o queixo erguido? E, por último, por dois episódios, falam de Vargas deixando o Caminhão 81. Se isso realmente for aleatório, ficará muito estranho. Contudo, vem coisa por aí desse gancho.

Guardem suas mangueiras e aguardem pelo próximo incêndio!

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