Chicago Fire 1×13 — Warm and dead

Você estava certo sobre Ernie. Ele ligou, disse que estava encrencado e depois desligou. Logo antes de termos outro incêndio em lixeira. Não sei onde encontrá-lo”. Wallace Boden.

Desde que Chicago Fire começou, Wallace Boden, o Comande do Corpo de Bombeiros de Chicago, foi colocado como um personagem determinado, humano, justo e bondoso. Episódio por episódio, os dramas passados pelo Comandante vinham a tona em conta gotas, revelando um pouco mais sobre o que fez esse homem transformar-se nesse exemplo de integridade. A queimadura nas costas, o garoto que ele não conseguiu resgatar, uma tumultuada vida sentimental, seus relacionamentos com os pais de seus comandados.

Foi essa personalidade que permitiu a Boden aproximar-se de Ernie, o garoto da mochila e da bicicleta que sempre esteve próximo a incêndios. O menino reaparece ligando para o Comandante, pedindo ajuda para livrar-se do tio abusivo, mas nunca fornecendo informações suficientes para Boden auxiliá-lo. O desfecho desse caso foi bastante insatisfatório.

É compreensível que matar o garoto em um incêndio desencadearia uma série de problemas pessoais para a vida do Comandante e garantiria mais alguns plots até o fim da primeira temporada. Afinal, ao não conseguir salvar a vida de Ernie, Boden parece um furacão partindo para cima do tio do menino, aceitando que Milss fique com um cachorrinho abandonado no batalhão, perdendo a paciência com seus superiores a ponto de pedir licença do Corpo de Bombeiros e culminando com ele indo atrás de sua ex-mulher e enteado, que trata como filho.

Chicago Fire 1x13

Porém, Ernie foi usado como alavanca para impulsionar Boden dentro da trama. Desnecessário, pois o Comandante não precisava de artifícios para tomar os rumos que tomou neste episódio. Fazer isso com Ernie só privou o público de um desenvolvimento muito maior. Pense em como o garoto ficaria com a prisão do tio, ou como Boden reagiria ao presenciar os abusos do tio. No fim das contas, o desenlace pareceu apressado.

Outro arco narrativo previsível foi o envolvendo Kelly Severide. Os problemas no braço do bombeiro, a licença da corporação e o romance com Renée, fizeram-no anunciar, no último episódio, sua mudança para Madri.

Milagrosamente surge um tratamento experimental nos primeiros dez minutos do episódio e já se encerra com Severide na mesa de cirurgia, após ter partido o coração de Renée anunciando que não iria mudar-se com ela. Pobre Renée. Se ela tivesse assistido ao comecinho do episódio e visse as cenas de casal romântico e feliz vivendo o sonho do amor, saberia que estas serviriam de contraponto para o final amargo que teria. A conversa com o pai no acampamento só foi necessária mesmo para introduzir este novo personagem.

A implicância com esse plot advém do simples fato de ele nunca ter sido levado a sério. Alguém realmente acreditou que ele deixaria Chicago para viver em Madri com Renée? Era evidente que isso nunca iria acontecer, pois Severide é um dos protagonistas da série e não seria descartado assim tão facilmente. Então, por qual razão insistir em uma história que o espectador conhecia o final? Além de não empolgar, torna a série previsível demais.

E por falar em previsibilidade, ocorreu a audiência para a condicional da mãe de Casey. Alguma dúvida de que ela conseguiria ser libertada condicionalmente? O pouco de surpresa que isso reservou foi o fato de ela ir morar com o filho. Fora isso, tudo dentro do esperado.

Clarice reaparece. Leslie fica abalada. Trocam juras de amor. Alguma novidade em relação a isso? As duas vão morar juntas. Porém, nada acrescenta de relevante à trama. E, sinceramente, a insistência nessas duas já deu o que tinha que dar. Precisa ir para frente logo. No momento, está apenas estagnado.

Gabriela e Mills também estão começando a incomodar. Se a paramédica não sabe o que deseja para sua vida, que não brinque com os sentimentos do pobre Mills. É visível o quanto ele está envolvido pela morena. E é visível também que ela ainda não esqueceu Casey. Desse triângulo amoroso poderá sair algum draminha, mas só de pensar nisso, fica tudo tão tedioso.

A única surpresa do episódio é a possibilidade de perder Otis para outro batalhão. Cansado de não ser levado a sério pelos seus colegas, ao auxiliar outra brigada, o bombeiro começa sentir-se valorizado e pede transferência. Se Otis fosse Vargas, era claro que sairia da trama. Contudo, o personagem serve como alívio cômico do seriado. Talvez os roteiristas não vão se livrar dele. Se assim o for, é mais uma história que criam e não a levam adiante.

Em seu décimo terceiro episódio, Chicago Fire continua sendo um drama bem acabado tecnicamente, mas totalmente irrelevante. Ainda não fez acontecer de fato para tornar-se memorável e indispensável. Mesmo que o investimento nos dramas humanos seja o foco, estes não empolgam de verdade. Fica o gosto indigesto de já ter visto essa história muitas vezes.

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