Chicago Fire 1×16 — Viral

Por acaso percebeu se o equipamento de Cruz tinha uma capa costurada nele?” — Wallace Boden.

Conforme escrito lá no primeiro texto das reviews de Chicago Fire, a série segue a tendência de enxergar os bombeiros como os super-heróis da vida real. Especialmente depois da tragédia de 11 de setembro e a morte de muitos homens do fogo na tentativa de salvarem vidas. A cidade de Nova Iorque é sintomática porque já possuía um super-herói bastante próximo do “gente como a gente”: o Homem-Aranha. O que “Viral” tentou fazer foi isso: criar um herói bem real para a cidade de Chicago. E esse recebeu o nome de Cruz.

Desde que permitiu a morte do traficante Flaco, que atormentava seu irmão, Cruz vem enfrentando um inimigo cruel. Sua própria consciência. Decidido a não viver mais, expôs-se às mais variadas situações de riscos, atuando como indestrutível. Porém, esqueceu-se que um Corpo é formado por vários membros. Se um sofre, outro padece.

Em sua espiral suicida, arrastou Mouch, que quase morreu, e Casey. Colocado contra a parede pelo seu tenente, Cruz vivencia as melhores cenas do episódio e de todo o seriado até o momento. Naturalmente, todas evocam o espírito do herói aracnídeo. O reconhecimento de que ele é um bombeiro feito por um menininho, a reverência de um adulto diante da farda, Cruz abandonando o uniforme. Tudo tão referencial, tão sutil, tão belo.

Chicago Fire 1x16

Mais arrebatador ainda é a palavra que o padre ministrava durante a visita de Cruz a uma igreja. Era sobre o destino dado a uma árvore infrutífera. Deveria ser cortada e lançada ao fogo. Cruz olha para sua mão. Ele deveria ser lançado ao fogo. Nada mais metafórico.

Ele decide deixar o destacamento. Até entrega seu distintivo. O espectador, que em outros tempos não se importaria com a saída de um personagem esférico, acaba se comovendo com a dor do bombeiro. E como os roteiristas da série nunca têm coragem de levar nenhuma ameaça adiante, Cruz é reintegrado para a alegria de todos.

Incomoda essa falsa expectativa criada no texto de Chicago Fire. Esse episódio foi exemplar nesse sentido. Pelos menos dois arcos narrativos, com ótimas chances de renderem boas tramas, foram criados e abandonados minutos. E, novamente, deixa um gosto amargo em quem assiste e torce por uma série corajosa.

Quando Leslie teve o seu corpo perfurado por uma agulha contendo o sangue de um mendigo, a esperança estava a caminho. Por mais que a paramédica esteja vivendo o ideal do “desgraça pouca é bobagem”, poderiam ter segurado um pouco mais o drama envolvendo uma possível contaminação com o vírus HIV. Que nada! Não deu nem suspense. Em uma cena rápida, o mendigo, que se recusava a fazer exame de sangue, cedeu e o resultado deu negativo.

Sobre Leslie, outro arco narrativo encerrou-se de maneira tão abrupta que chegou a ser chocante. Ela e Clarice viviam uma Love story nos últimos episódios, o filho nasceu, o ex-marido de Claire entrou na justiça pela guarda do menino e a chance de ter uma luta judicial esvaiu-se em pouco tempo. Clarice foi, novamente, uma vadia com a loira, aceitou o acordo do ex-marido e mudou-se para Nova Iorque.

Em outro exemplo de falso suspense envolvia uma ameaça de bomba e uma mulher esfaqueada. Kelly Severide se encarregava da mulher, com a ajuda de Gabriela via rádio e de Eric, ex-cunhado, no corpo a corpo. Tentou-se criar uma tensão sobre a explosão ou não da bomba. Óbvio que não explodiu e quem não explodiria. Seria necessária muita coragem para matar o protagonista. E os roteiristas de Chicago Fire não têm.

O surgimento e o desaparecimento de Eric e sua irmã e ex-noiva de Severide, Renée, ainda é um mistério. Qual a função de mais dois desses personagens na trama? Chegaram sem dar oi e saíram sem dar tchau. Antes tivessem mantido a outra Renée. Aquela sim acrescentava à série.

O gancho para os episódios futuros resume-se a uma misteriosa caixa de madeira e com conteúdo igualmente misterioso encontrava por Hermann, Otis e Gabriela enquanto reformavam o bar. Sério que vã investir nisso? Desde Tieta, o conteúdo de uma caixa não prende mais a atenção. No que isso vai dar?

A mãe de Casey é uma pentelha e pode render dramas futuro. Pode. Porque até agora nada. Outra promessa que não se cumpre. E, sinceramente, quem se importa com ela?

A série, que tem boas chances de renovação, continua bem produzidinha e tudo mais. Alcança bom momentos. Todavia, de que adianta acertar o alvo em uma trama ao passo que todas as outras entram no terreno da covardia e da previsibilidade? Deixa a desejar no quesito principal: despertar interesse.

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