Chicago Fire 2×10 — Not like this

Sempre fomos uma família unida. E nós sentimos muito” — BODEN, Wallace

Uma das lições básicas da dramaturgia foi ensinada por Janete Clair, a maior autora de novela deste país. Ela dizia que uma boa novela só funcionaria se você colocasse um casal apaixonado no primeiro capítulo, separasse-o no segundo e só o juntasse novamente no último. Com isso, você teria conquistado a sua audiência.

Desde que Gabriela e Casey começaram a se envolver, era nítido que o amor dos dois passaria por grandes provações. Afinal, é assim que acontece. O fato de ambos esconderem o relacionamento do restante do batalhão era uma prova disso. E a primeira cena em que os dois decidem contar para o Batalhão sobre o relacionamento no fim do expediente, aparecem de mãos dadas, e elas se separam, era o prelúdio de uma tragédia anunciada.

Quando Gail McLeod surgiu exigindo a redução de gastos ou iria fechar batalhões, o espectador sabia que a Brigada 51 corria riscos. Por nove episódios, a mulher ficou à espreita esperando a hora certa. E esta surgiu e ela decretou o fim do Batalhão. Apesar de saber o tempo todo que esse desfecho não se concretizaria, o interessante era descobrir como ele não aconteceria.

Chicago Fire 2x10

Chicago Fire é uma série em que não existe personagens sem função determinada. Se alguém aparece na trama, por mais banal que aparente, tenha a certeza que ele cumprirá um papel fundamental no futuro. E não foi diferente. Dois personagens desempenharam muito bem suas missões.

O primeiro deles foi Nathan, o garoto salvo por Kelly Severide num dos melhores episódios da série. O garoto mostrou que a união faz a força e conseguiu reunir a vizinhança inteira em prol ao Batalhão 51.

O segundo foi Isabella. Até então, a loirinha tinha auxiliado na campanha de Mouch à presidência do Sindicato, começou trabalhar com o Senador Quenton Wheeler, dava uns pegas em Peter Mills. Mas quem poderia imaginar que a salvação viria dela a pedido de Mills? Impagável observar Gail McLeod renunciando ao cargo e olhando para todos com a expressão de eu voltarei, típica para essa espécie de vilã. Melhor ainda foi ver Isabella se adiantando e dizendo: “E não volte mais”.

Um turno pode mudar a vida de alguém. E os bombeiros sentiram isso. Jeff Clarke foi um dos principais deles. Tenho dito que este é o personagem com maior potencial dentro da série. E os roteiristas sabem disso. A construção em cima de Clarke é sensível e no tempo certo, sem demora. O ex-amante da mulher aparece morto a tiros. Clarke é o principal suspeito. Contudo, a condução dele é tão boa que se torna quase certa sua inocência. Novamente, não é o que acontece; e, sim, o como acontece.

E em uma série longa, os personagens vão ganhando novas camadas. Hermann revelou uma faceta machista, apenas sugerida anteriormente ao expressar seu desagrado em ver uma bombeira. Sua reação ao descobrir que Gabriela foi aceita para a Escola de Bombeiros não foi positiva. Se bem explorado, esse desconforto pode expor ainda mais os pensamentos de Hermann sobre a figura feminina. Lembrando que ele é um tradicional e conservador pai de família.

E Mouch descobre cada vez mais o seu papel de líder dentro da série. Mesmo que precise ser impulsionado pelos colegas, ao tomar uma posição, o cara vai lá e faz acontecer. Caso ele assuma a presidência do Sindicato, poderá acrescentar ainda mais à sua já marcante personalidade.

Um bromance ganha contornos mais definidos entre Cruz e Otis. Até shipper ele já criaram: Crotis. Ansiedade para ver os dois dividindo o mesmo apartamento.

Sempre coloquei aqui que Chicago Fire não tinha coragem ao expor seus personagens principais ao risco. E, mesmo quando isso acontecia, tinha-se aquela certeza de que tudo terminaria bem. E a gente sabe disso. Mas não é o que acontece. Quando o incêndio no apartamento foi anunciado restando dez minutos para o término do episódio e sabendo-se tratar de uma fall finale, alguma coisa não ia terminar bem.

Foi a primeira vez que a série nos deixou na dúvida se o seu protagonista sobreviveria ou não. O ato heróico de retornar por um bebê ficou ainda pior ao não sair conforme o planejado. E um bombeiro costuma dar a vida para salvar outra. E Casey é assim. Foi compreensível ver o desespero de Gabriela aguardando a saída do amado. E mais angustiante ainda foi vê-la junto com Severide, o melhor amigo, tentando salvar o tenente dentro da ambulância.

E, mais uma vez, Chicago Fire emocionou, fez chorar. Em um mês a série retorna e, ainda que tudo termine bem, a série consegue ser excelente em mostrar o como as coisas acontecem. E é nesse como que surgem as melhores emoções.

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