Jeffrey Tambor Transparent

Como Transparent vai continuar sem Jeffrey Tambor

Maura Pfefferman foi, por quatro anos, a figura central de Transparent, mas não se engane, a série não precisa de Jeffrey Tambor.

A controvérsia a cerca da conduta de Jeffrey Tambor no set de Transparent chegou a uma definição: o ator, premiado pela sua atuação na comédia da Amazon, foi demitido da série, que segue para sua quinta temporada. Os Emmys e Golden Globes conquistados por ele podem até sua presença em cena é essencial para o andamento da atração, mas nem mesmo o carinho que a audiência criou por Maura Pfefferman desonera seu intérprete da polêmica criada por suas atitudes.

Mas não se engane: a presença de Tambor, considerando o caminho que a narrativa tomou nos últimos anos, não é tão necessária assim. No início vimos Mort abraçar sua identidade sexual e se tornar Maura, e acompanhamos a cada episódio as dificuldades e vitórias de quem vive a sua verdade – ainda que numa idade mais avançada. Aos poucos, os personagens secundários ganharam mais espaço e tramas próprias, englobando sexualidade, liberdade de expressão e etarismo. Essa transição só foi possível com um elenco que despejasse talento, tanto quanto seu protagonista: Jay Duplass, Gaby Hoffmann, Amy Landecker e Judith Light completam o clã dos Pfefferman, sustentando os mesmos níveis de comédia e drama que Tambor.

A saída de Maura Pfefferman, porém, faz parte de uma extensão orgânica de onde a narrativa já estava se dirigindo. Na quarta temporada, foi a vez de Ali, interpretada por Hoffmann, ter o seu despertar sexual e explorar sua identidade – tal qual sua Moppa. Na terceira temporada, Shelley ganhou destaque e descobrimos um poucos dos seus traumas de infância, permitindo que Judith Light ganhasse a merecia atenção do público. Maura, enquanto isso, começou a percorrer os mesmos ritmos que a série já explorou: a infância, a história do gênero em sua família, o trauma paternos, os lados público e privado dos personagens. Maura ainda teria outras histórias para contar, sim; É que ultimamente, Transparent não pareceu interessada em mostrá-las.

Enquanto isso, o mundo fora do show vem mudando. A escalação de Tambor como Maura sempre foi um ponto de controvérsia para a série, mas quando Transparent, não era o que é agora. Um homem cisgênero interpretar uma personagem trans, discursar sobre transição sexual e descoberta do verdadeiro eu, ainda parecia uma questão aberta para muitos espectadores. Agora, é algo que não deveria ser aceito, inclusive pela criadora da série.

Numa série tão fortemente voltada para a exploração de temas inter-geracionais, a noção de que as questões transgêneros poderiam ser examinadas de uma nova perspectiva através dos olhos de Ali poderiam realmente ser apenas o que Transparent precisa para seguir em frente.

São quatro anos em que a narrativa foca em uma visão, e dado a necessidade de produtos novos na Peak TV, Transparent precisa mesmo de um mecanismo para se manter relevante. Apesar das circunstâncias, saída de Jeffrey Tambor é a oportunidade para extrapolar além da intimidade narrativa da transição de Maura e investigar ainda mais da vida de outros personagens.

A química e frescor de uma grande série, como Transparent, são bastante frágeis, qualquer alteração pode gerar repercussões negativa e direcioná-la para o fim. A história de Maura, controlada e cuidadosamente construída, sempre será parte do show, nada muda isso. Mas o enredo, agora, se adequa à mudança cultural do mundo – o movimento #MeToo e a visibilidade trans – como forma de perpetuar o legado da série. É hora de explorar um novo território, e não há momento melhor para isso.

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Leo Sousa

Séries de TV, filmes, realities shows, livros, música e mais. Editor no boxpop.com.br.

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