Raio Negro Black Lightning The CW

Conheça Raio Negro, o novo herói da TV

É a vez da DC Comics apresentar um herói mais maduro e discutir temas sociais com sua nova série, Raio Negro

Há diversos shows de super-heróis na TV, e há muitas histórias desse gênero sendo adaptada por aí todos os dias. A cada semana recebemos um novo trailer ou anúncios sobre filmes e séries da Marvel ou DC que serão lançadas em breve. Se destacar torna-se difícil e até desencorajador; é mais seguro cair na fórmula DC e Marvel, dando à audiência o que ela quer, ou o que foi condicionada a querer.

A mais nova série da DC a integrar a programação da The CW – a quinta da emissora – não tem viagem no tempo, mas lida bastante com o passado; não é uma história de origem, mas é tão complexo quanto. Black Lightning – ou Raio Negro, pra quem acompanha semanalmente pela Netflix – pode até fazer parte de um mega crossover com as demais atrações da CW no futuro, mas desta vez uma nova proposta é apresentada aos fãs do gênero.

Cress Williams (Firday Night Lights) dá vida a Jefferson Pierce, diretor de uma escola de ensino médio que trabalha arduamente para manter a criminalidade do lado de fora do seu trabalho. Há nove anos, ele deixou de atuar como o herói Raio Negro para cuidar da sua família, e tudo tem ido bem, até que a gangue liderado por Thomas Whale, The 100, se torna ainda mais forte e ameaça a paz de Freeland e da família Pierce.

É hora do Raio Negro voltar, mas como fazer isso sem ameaçar a vida que Jefferson construiu pra si? É uma questão com resolução complicada. Somado a isso, as filhas de Jefferson passam pelos seus próprios dilemas: Anissa, uma jovem lésbica, descobre que tem poderes, e a adolescente Jennifer passa pela fase rebelde e constantemente desafia as precauções do pai, a colocando em perigo.

Jefferson Pierce veio para salvar a TV do modismo, levantar questões importantes para os tempos atuais, e mostrar que tramas de super-heróis podem, sim, ser maduras. Como diz sua música de abertura: “O Raio Negro está de volta!”

Origem e poderes

Com o crescimento do movimento negro nos Estados Unidos, a DC Comics decidiu incluir certa diversidade em seu quadro de personagens. Uma das ideias era estrear o herói Black Bomber, com roteiro de Tony Isabella, mas a história não era uma das mais positivas para a ocasião.

Lois Lane Superman Anos 70

Acontece que o personagem era um homem branco racista, que quando estava com raiva, se transformava em um super-herói negro – poderes que ele adquiriu graças a uma experiência militar com um produto químico de camuflagem durante a Guerra do Vietnã. Isabella prontamente mostrou aos executivos da DC o quanto a ideia era ruim, e o transformou no Raio Negro.

Raio Negro Batman DC Comics

Seus poderes, gerados por um gene meta-humano inato, o permitem criar distorções eletromagnéticas e disparar raios em seus inimigos, ou usar a eletricidade de forma defensiva. Ele também é capaz de criar um campo de força que o protege, ou até mesmo se levantar. Mesmo sem contar seus poderes, Jefferson é um decatleta e foi treinado em artes marciais por Bruce Wayne – isso mesmo, o Batman!

O herói ganhou seu primeiro quadrinho em 1977, mas durou apenas 10, e um pouco mais de um ano. Depois disso, nos anos 80, ganhou papel na série do Batman e Os Renegados, e em 1995 houve mais uma tentativa de uma HQ solo – que também não durou muito tempo. Ele se tornou Secretário de Educação durante a presidência de Lex Luthor, e membro da Liga da Justiça em 2006.

Além da sua trajetória em direção à diversidade no meio dos heróis, Raio Negro é um dos poucos que se divide entre salvar o mundo e cuidar da sua família. Suas filhas Anissa e Jennifer aos poucos se juntam a ele, e se tornam as heroínas Trovoada e Tormenta.

O que tem de diferente do Arrowverso?

Black Lightning divide o mesmo produtor com Arrow, The Flash, Legends of Tomorrow e Supergirl, e tem vários elementos que coincidem com as demais: a família é seu ponto de partida. Ele luta contra um inimigo megalomaníaco, tem ligações estreitas com a força policial, e um ajudante que provê suporte tecnológico.

Mas, diferentemente das séries companheiras, é um show que exige uma narrativa mais madura, por tratar de uma série de temas complexos como o racismo, a violência policial e as desigualdades sociais. Nos é apresentado um herói já conhecido em Freeland, no qual a sua exposição é revelada naturalmente. Se equilibra entre a familiaridade na casa dos Pierce, com as frieza das execuções violentas de membros de gangues.

Há muita violência armada, mas enquanto a vida nas ruas parece ser facilmente descartada, a morte e a brutalidade significam algo bem profundo em Raio Negro. Os três episódios já exibidos mostram Pierce lutando para controlar a violência em sua comunidade. Cada elemento considera que está fazendo o melhor pelo lugar: de Jefferson, com sua educação libertária, passando pelo detetive Henderson, e terminando no traficante Lala, que escolhe um menino para educar à sua maneira, considerando que as oportunidades são desiguais no mundo de acordo com a cor da sua pele.

A preocupação não é simplesmente traduzir as emoções das histórias em quadrinhos, ou despertar a nostalgia daqueles que o acompanhavam desde seu surgimento na literatura. A série deixa claro que Jefferson Pierce – o pai, o ex-marido e o líder da comunidade – era, em muitos aspectos, mais importante do que o Raio Negro. Rapidamente é encontrado um jeito de mostrar como essas duas personalidades estão entrelaçados de maneiras complicadas. Obviamente, eles são a mesma pessoa, mas é mais do que isso. Estes episódios iniciais são bem sucedidos porque interrogam esses dois papéis na comunidade, dividindo a identidade de Jefferson, ao mesmo tempo mostrando que um não existe sem o outro.

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A maior parte do tempo é gasta mostrando quem é esse novo protagonista. É importante compreendê-lo como pai, seu relacionamento com a ex-esposa Lynn, a maneira como ele é respeitado na comunidade e a forma como o Raio Negro continua a agir dentro dele. Ao se concentrar nele como cidadão e a dinâmica da família de Pierce em geral, chegamos a entender melhor Freeland e o próprio herói.

O controle que a gangue The 100 exerce sob Freeland não demora a chegar na casa de Jefferson, e ele é obrigado a vestir a capa novamente para proteger sua família. Isso acaba dando esperança para a vizinhança, e se torna um verdadeiro dilema. São relaçõesequilibradas no conceito de moral: fazer o que é certo, ou fazer o que é preciso?

O retorno do Raio Negro, adormecido por nove anos, dá um sentido encorajador para os habitantes de Freeland, mas Jefferson tem que lidar com a influência da sua outra personalidade, uma vez que a presença do herói elétrico pode provocar uma reação ainda maior nos The 100, e ser fatal para a comunidade. É um conflito interno complicado, é a oportunidade da DC lidar com uma trama mais madura do que as suas produções antecessoras.

Por que assistir Raio Negro?

Quando Luke Cage estreou na Netflix, parecia a oportunidade de vermos algo inédito – um super-herói negro em um mundo televisivo com pouca representatividade – mas não cumpriu totalmente com o que foi prometido. O show ficou preso às mesmas questões que a outra série da Marvel. Além de longo e lento, foco estava em um personagem que não queria ser um herói.

Agora é a vez da DC, e parece que Raio Negro tem um futuro bastante promissor. Os roteiros de Mara Brock Akil e Salim Akil (Being Mary Jane) tem intenções nítidas e claras, e a produção capricha no estilo. Este é um show que sabe o que preciso ser dito, e como fazê-lo. Da trilha sonora à direção, ao uso inteligente da tecnologia do cotidiano, tudo parece um indicativo da confiança na mensagem que se quer passar.

Existe também uma dose saudável de humor e uma relação fácil entre os personagens. A narrativa se move rapidamente, e o retorno dos seus poderes não será um dilema para Jefferson para sempre. E de fato, não é o que importa de início.

O já se pode afirmar é que Raio Negro entende muito bem o que uma série de super-herói precisa para sair do modismo – tanto no aspecto do heroísmo, quanto na drama para TV. Uma oportunidade para a audiência conferir uma outra maneira de fazer adaptações de quadrinhos, e conhecer um herói com relevância para a sua própria história, como também para o mundo que vivermos hoje.

Onde assistir Raio Negro?

A primeira temporada estreou no dia 16 de janeiro, na sua exibição original na The CW, nos Estados Unidos. Mas no Brasil já podemos conferir os primeiros episódios na Netflix. Toda terça-feira, a rede streaming libera um novo episódio, e há previsão de que este primeiro ano tenha apenas 13 – o tamanho perfeito para criar uma trama com fluidez e cheia de expectativa.

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“Last night I saw a superhero. He was black. He said this is for the streets — Black Lightning’s back”

Sobre o Autor

Leo Sousa

Séries de TV, filmes, realities shows, livros, música e mais. Editor no boxpop.com.br.

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