Crítica | “Urge” é um suspense que mistura desejos, desespero, sexo, drogas e muita curtição!

Imagine se você pudesse ver realmente a realidade nua e crua, exatamente como ela é, ou se pudesse enxergar as camadas mais sombrias dos desejos humanos e ainda ser capaz de desligar certos mecanismos da empatia, deixando somente a parte irracional e mais primitiva?

Essa é a proposta do novo filme do diretor Aaron Kaufman, ainda pouco conhecido ao grande público, mas que já trabalhou em projetos grandes como Sin City e Machete Mata de 2013. De fato, a maioria de seus trabalhos foram no gênero de ação. Dessa vez, ele sai da sua zona de conforto roteirizando e dirigindo um suspense, mas sem deixar de lado suas raízes.

A produção conta com ninguém menos que Pierce Brosnan, o eterno James Bond da famosa franquia 007, no elenco. Além de outras estrelas, como Justin Chatwin (Traffic, 2004), Danny Masterson (That ’70s Show, 1998), Ashley Greene (A saga Crepúsculo 2012), Nick Thune (Knocked Up, 2007), AlexisKnapp (Percy Jackson, 2010), Chris Geere (Série Trollied, 2013) e Bar Paly (Non-Stop, 2014), para contar essa história de diversão macabra.

O filme tem seu enredo central a algo que remete a uma ficção cientifica qualquer, mas não se engane, trata-se de uma nova droga somente à selecionados em uma casa noturna restrita de ricaços. Os amigos Neil, Theresa, Joey, Jason, Vick e Danny se reúnem para curtir e relembrar os velhos tempos, mas acabam por trilhar um caminho tortuoso da nova droga e o que ela proporciona.

Em meio a esse cenário de curtição despretensiosa, Jason, famoso entre os amigos por ser um mulherengo e acomodado, ganha a chance de conhecer a substância por meio de uma figura com trajes esquisitos e maquiagem que remete a personagens de filmes de terror antigos. Vemos agora outra face, da mesma forma enigmática e descrita apenas como “The Man” (Pierce Brosnan), que posteriormente descobrimos ser o dono da boate. Uma conversa é iniciada. O tal charlatão discursa filosoficamente sobre a vida e, curiosamente, conhece os segredos de Jason. Por fim, somos cordialmente convidados à ser cobaias desse narcótico preciso.

Urge, como é chamada, serve como uma espécie de motivador dos desejos mais intensos e vorazes, abrindo a mente de quem a usa. A propaganda é que ela é a “cápsula do paraíso”. Mas existem certas regras: sendo aconselhada, seu uso apenas umas vez e nada mais. Sem qualquer tipo de inibições, os amigos têm sua noitada inesquecível, como se nenhuma outra curtição ou experiência anterior fosse válida ou pudesse ser equiparada… e resolvem repetir a dose.

Seus efeitos superam a de qualquer outro narcótico conhecido, ao mesmo tempo que os usuários estão sob seu efeito, eles estão totalmente acordados enxergando a “realidade” sem cortinas e dispensa o uso de eufemismos. Não há alucinações aqui. Descrita no longa como sendo uma criação “divina”, no qual você pode ser realmente você, sem julgamentos, restrições — até sem escrúpulos. É um verdadeiro ciclo de tentação, vício e destruição, com um poder celestial de liberdade. Mas é por sua conta e risco, transformar esse “paraíso” em um inferno. A pílula é a nova “Maçã do Éden”.

O grande triunfo do filme está em seu roteiro original e a forma de apresentar as loucuras humanas por outras perspectivas. Todos procuram algo para fugir da realidade, mas e se existisse uma cápsula mágica que dá acesso para sua alma e que possa ser capaz de fazer você perder todas as vergonhas e ser completamente honesto com seus sentimentos primitivos? Deixe de lado sua personalidade e assuma sua verdadeira identidade, sem nenhum pudor.

Tudo se torna um caos quando a droga é disponibilizada em massa e temos um cenário apocalíptico em meio a todos agindo como nunca antes, logo temos psicopatas e suicidas. Acaba sendo uma nova forma filosófica de mostrar essa profecia macabra com novos olhos e nos tempos modernos. O filme usa a sexualidade e relações de poder como chave de acesso a essência mais sombria do nosso ser.

Visualmente, o filme não chega a surpreender, mas consegue com louvor construir um universo de discussões sobre a verdadeira criação humana. Para entender todas as camadas da história temos de ler ele nas entrelinhas, como por exemplo: a figura do homem charlatão que aparece em determinados momentos tendo conversas com teor religioso, pode ser interpretado como sendo uma figura diabólica, trazendo o sobrenatural para esse suspense.

Urge é uma mistura de desejo, sensações e desespero. Tudo temperado com uma boa dose de filosofia, religião, sexo, drogas e muita curtição.

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