Dangerous Woman marca a evolução de Ariana Grande

A imagem de garotinha de cantora não atrapalha em nada seu amadurecimento artístico em seu novo álbum, Dangerous Woman.

Chega a ser engraçado quando colocam Ariana Grande no mesmo conjunto de artistas teen dessa geração, quando é bem óbvio que, apesar da idade, ela já há algum tempo alcançou um outro patamar em comparação aos seus “concorrentes”.

Ainda que sua imagem não case muito bem com seu alcance vocal, um dos objetivos deste novo trabalho, Dangerous Woman, parece justamente ser mudar essa visão do público.

Todas as prévias, musicais e visuais, apresentadas até agora indicam este caminho, e o material de qualidade só aumentou a expectativa para o que estava vindo. Resta saber se o resultado final corresponde a isso tudo.

Dangerous Woman marca a evolução de Ariana Grande

Moonlight: A escolhida para abrir o álbum não economiza em nada nos vocais, já mostrando logo de cara o potencial da garota. O instrumental que lembra uma canção de ninar é bem gostoso de ouvir.

Dangerous Woman: A tracklist continua no mesmo ritmo leve, agora com o primeiro single oficial do disco. Apesar do desempenho fraco nos charts, é uma música que apresenta de forma competente o conteúdo do trabalho.

Be Alright: A impressão até aqui é a de que o álbum melhora a cada música, o nível vai subindo conforme as batidas por minuto das faixas. É quase impossível ouvir Be Alright sem acompanhar com uns passinhos de voguin.

Into You: As baladinhas e midtempos do começo do disco já dão lugar de vez a um ritmo mais agitado. Essa é a música mais pop e radiofônica até aqui.

Side to Side: A onipresença de Nicki Minaj em álbuns pop se mostra bem vinda neste reggaezinho que nos primeiros segundos já se torna um dos destaques da tracklist, com versos divertidos e despretensiosos.

Let Me Love You: Sem precisar provar sua capacidade vocal, os efeitos na voz de Ariana no refrão desta canção servem mais como um ornamento e técnica bem sucedida para grudá-lo na cabeça de quem está ouvindo.

Greedy: Já quase na metade do álbum a música bastante animada dá uma leve quebrada na vibe mas traz uma diversidade interessante. Lembra algumas coisas do último trabalho de Bruno Mars.

Leave Me Lonely: O featuring mais inesperado do disco funciona incrivelmente bem. Macy Gray traz com ela aquele ar de maturidade, balanceando muito bem com a certa inexperiência de Ariana. Uma troca maravilhosa para os fãs de ambas.

Everyday: Em trabalhos anteriores a cantora já foi motivo de piada pelo excesso de participações especiais em seus discos. Aqui o número é bem mais reduzido e todos os convidados servem como meros coadjuvantes, como é possível perceber claramente nesta ótima faixa.

Sometimes: Um single pronto e encomendado, basta um videoclipe competente e a garota tem nas mãos um hit para o verão norte-americano.

I Don’t Care: Uma leve pausa após a sequência de ótimas músicas desde o início do disco, talvez seja a primeira filler até agora, mas ainda assim melhor do que muitos sucessos por aí.

Bad Decisions: As comparações com Mariah Carey, deixadas lá no começo da carreira, podem ser reacendidas com esta música, que lembra muito os trabalhos de Mimi e poderia estar em algum disco recente da cantora. E isso é um elogio.

Touch It: A voz de Ariana transita muito bem entre os diferentes estilos musicais, de raízes R&B a batidas mais eletrônicas, como é o caso aqui.

Knew Better / Forever Boy: A ideia de colocar duas músicas juntas tem um bom resultado, e apesar de serem diferentes quase não se nota a transição entre uma e outra.

Thinking Bout You: A faixa parece mais do mesmo, até chegar no refrão, que infelizmente é curto demais. Falta uma explosão que a torne memorável.

Step on Up: Faixa bônus de uma edição especial do álbum, merecia estar na tracklist oficial, apesar de em determinados momentos lembrar a bomba Focus.

Jason’s Song: Mais uma faixa bônus que merecia estar na versão oficial, é ainda melhor que a música anterior.

É perceptível que o clima de Focus, faixa duvidosa inicialmente pensada como primeiro single e retirada do disco depois do flop, não tinha nada a ver com o resto. Não se sabe se tudo foi mudado depois do fracasso da canção, mas as mudanças foram mais do que bem vindas.

Apesar da capacidade vocal, Ariana se mostra bastante contida em algumas canções, talvez para se adequar melhor às rádios, sem exageros ou muitas firulas vocais. Os featurings com nomes mais importantes como Macy Gray só agregam coisas boas ao trabalho, assim como a atenção de quem talvez não ligasse muito para a jovem artista.

Apenas uma ou duas músicas poderiam ser cortadas da tracklist final, e isso comparado a média dos discos atuais é ótimo. Dangerous Woman termina no mesmo alto nível em que começa. É um ótimo exemplo de álbum pop com faixas grudentas sem deixar a qualidade de lado. O melhor lançamento do gênero em 2016 até agora.

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