De onde vieram as séries de TV?

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Incontáveis pessoas amam assistir séries. Acompanhar semana após semana uma trama, não só nos prende como também traz a tona discussões sociais, econômicas e políticas. Mas com é a verdadeira proposta das atrações seriadas?

Se você acha que a história das séries é estritamente dependente da TV, está redondamente enganado. Considerando-as como uma narrativa que se sucede por capítulos com um número determinado de personagens, são muito anteriores à televisão, datando do século XIX. Os folhetins eram recheados de histórias que, a cada volume, trazia um novo conjunto de acontecimentos envolvendo aqueles personagens.

Com o surgimento do rádio, as atrações invadiram as ondas da canção. Com o estabelecimento dos aparelhos televisivos nos anos de 1950, as séries e as novelas (soap opera) eram quase gêmeas siamesas. Ambas tinham praticamente o mesmo formato, com duração indeterminada. Até que, em um certo ponto, os roteiros para séries se divergiam das novelas, que começaram a ter início, meio e fim demarcado. Já os seriados volúveis quanto ao tempo de existência. Os Estados Unidos saiu na frente e garantiu a hegemonia na produção de séries, sendo perseguida pelo Reino Unido. Não é a toa que a primeira transmissão a cores foi na NBC.

Dois gêneros básicos definem as séries na TV: o drama e a comédia. Os agrupamento acontecem por caracterizações semelhantes, sejam essas por forma, duração ou produção. Calma, não precisaremos ir até a Grécia Antiga para entender as diferenças de ambos. Até hoje pouco se modificou, apenas se adaptaram à realidade histórica os aos avanços tecnológicos.

Nascendo das dissidências de Hollywood, o drama era uma opção para os roteiristas de long-metragem terem ganhos adicionais. As primeiras produções para TV, na década de 50, tinham muito a ver com filmes, como o caso de As Aventuras de Rin Tin Tin, que envolve o mundo policial com o faroeste, bastante explorado nas produções cinematográficas da época. Quanto ao formato, tem cerca de 40 minutos, com três a quatro intervalos para publicidade, onde em cada bloco se desenvolvem a introdução, o desenlace e um leve desfecho, não tendo preocupação com a continuidade da trama após o episódio. Apenas nos anos 80 estabeleceu-se a necessidade de sustentar a narrativa para a linearidade da série (cliffhanger), permitindo histórias secundárias que poderiam finalizar em poucos episódios. Era comum uma gama de personagens principais, que permitissem o crescimento da trama

Lucy I Love Lucy

Já as comédias, passam a ser conhecidas como sitcoms, termo americano que relaciona a série com situações cotidianas. O gênero comédia vai trabalhar temas mais comuns do espectador, como a família (I Love, Lucy), o mundo do trabalho (The Office), ou alguma personalidade (The Cosby Show), diante conceitos morais e éticos, cabendo ao argumentista ultrapassá-los, ou não. O formato dá conta principalmente de 30 minutos, com um núcleo reduzido de protagonistas, como The Big Bang Theory, onde todas as situações e outros personagens giram em torno do grupo de protagonistas.

Drama e comédia, embora com características um pouco diferentes, não são gêneros fechados e restritos. Não é para menos que os dois trabalham juntos numa outra classificação que é dramédia. A construção do roteiro se baseia em um protagonista, que tem um objetivo de vida, e para consegui-lo passa por situações bem comuns, onde se encontra a comicidade. No final de tudo, contém doses de moralidade e/ou relação com questões sociais tangentes. A forma é independente, podendo conter 30 ou 40 minutos de duração, ou um núcleo numeroso de personagens, como o caso de Glee, ou da finalizada The Carrie Diaries.

Outra configuração que tem crescido são os remakes. Não apenas para reviver histórias já contadas, essa parcela de seriados inspirados em outros já finalizados tem como ponto de partida um novo olhar para o que já foi visto, abarcando a mesma condição com novas abordagens. Um exemplo disso — quase que perpétuo — é Doctor Who, que estreou em 1963 e passou por várias gerações, sendo hoje um ícone na cultura britânica.

Para quem se interessar mais pelo tema, uma leitura interessante é o blog do curso de graduação em Cinema da Universidade Federal Fluminense Televisão em Revista (fonte para esse texto), onde os alunos publicam textos e seminários abordando diversas discussões sobre produto televisivo.

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