De plebeia à rainha: a história de The White Queen

The White Queen Rebecca Ferguson

A BBC é conhecida por produzir diversas séries com cunho histórico, e na última summer season não foi diferente. The White Queen teve curta duração, mas conseguiu um público que admirasse a trama, baseada na Inglaterra do século XV.

O período se contextualiza com a Guerra das Rosas, uma série de conflitos que durou trinta anos, em prol do trono inglês. A Europa passava por uma série de transformações e uma delas era a unificação dos reinos, antes fragmentados pelo feudalismo. Em diversas partes do continente, os Estados se unificavam sob o signo da coroa e dominados pelos interesses da nobreza, que contava — em alguns casos — com o apoio da burguesia.

A esse fenômeno político atribuiu-se o nome de Absolutismo, baseado no conceito de que o monarca tinha poder absoluto sobre o reino, justificados pelo Direito Divino dos Reis, ou seja, a coroa era determinada pelo poder de Deus. As primeiras monarquias a se formarem foram Portugal, Espanha, França e Inglaterra. Esta última foi particularizada em The White Queen.

A Guerra das Duas Rosas nada mais é que a disputa pelo trono inglês entre as casas de Lancaster (cujo símbolo era uma rosa vermelha) e York (representada pela rosa branca). A Inglaterra, desde o século XIII, tinha uma representatividade monárquica, mas controlada pelo Parlamento. As disputas começam na Guerra de Cem Anos, entre a França e Inglaterra — ambas ainda baseadas no feudalismo — onde a coroa inglesa teve um forte apoio da nobreza. Com a derrota na guerra, a monarquia ficou enfraquecida e um parcela da nobreza descontente reivindicou a posse do trono, surgindo assim a Guerra das Rosas.

No meio das disputas, encontramos a protagonista de The White Queen, Elizabeth de

Elizabeth Woodville The White Queen

Woodville. Filha de nobres, casou-se ainda adolescente com João Grey, com quem teve dois filhos, Tomás e Ricardo. Com a morte do marido, começa uma disputa com a sogra pelos bens que lhe eram de direito. Segundo as tradições, foi no meio dessa disputa que Elizabeth encontra seu futuro esposo, Eduardo IV. A jovem encontrou com o herdeiro da casa dos York numa floresta, enquanto ele passava com uma comitiva, a fim de reclamar seus direitos de viúva. Eduardo se encantou por Elizabeth, que recusou ser mais uma de suas amantes, e os dois se casaram em segredo.

Richard Neville — conhecido como Fazedor de Reis — foi contra a união, por achar que o futuro rei deveria casar com uma moça herdeira de algum trono europeu. Além disso, como Eduardo era uma pessoa altamente influenciável, Richard, que tinha o título de Conde de Warwick, via seu poder de influência sobre o monarca decaindo cada vez mais com a chegada de Elizabeth e sua família.

Elizabeth foi considerada uma rainha-mãe: teve dez filhos com Eduardo IV. Sua primogênita, Elizabeth de Tudor, também se tornou rainha ao se casar com Henrique VII. O casamento uniu as facções rivais no trono e garantiu à descendência de ambos legitimidade no poder.

A Rainha-Mãe foi isolada pelo genro numa abadia, acusada de conspiração. Teve suas propriedades e direitos confiscados. Henrique VII arranjou um casamento para a sogra com Jaime II da Escócia, mas quando seguia para o novo reino, o futuro esposo morreu. Elizabeth caiu doente e já havia aceitado a morte. Teve um funeral simples para uma rainha, o que invocou os partidários dos York. No entanto, a Rainha Branca tinha por satisfação a certeza de que seus descendentes governariam por um longo tempo — mais precisamente cem anos. Entre seus netos estavam Henrique VIII, um dos maiores reis da Inglaterra — e personagem principal de outra série, The Tudors.

Mesmo com uma história grandiosa nas mãos, a série foi cancelada após a primeira temporada. Mas, ainda assim, Rebecca Ferguson trouxe à tona o legado não só de uma rainha, mas de uma verdadeira mãe, que gerou uma dinastia.

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