Destaques de 2010 — parte 1

Na primeira parte da nossa “retrospectiva” de 2010, vamos destacar o adeus de duas séries emblemáticas — 24 Horas e Lost — e o renascimento de Grey’s Anatomy, que voltou a sua velha forma. Além disso, vamos falar também das duas estreias mais comentadas da temporada — The Walking Dead e Boardwalk Empire e também sobre o consolidação do sucesso de Glee.

O último dia de Jack Bauer

Depois de longos e movimentados 8 dias, Jack Bauer finalmente viu seu relógio zerar e hoje deve estar tirando merecidas férias em algum país do Terceiro Mundo, fugindo da justiça norte-americana.

24 Horas começou no momento em que o mundo ainda estava chocado com o pior ataque terrorista de nossa história recente e o que, inicialmente, parecia um obstáculo à sua sobrevivência, acabou transformando-a exatamente no antídoto para os americanos amedrontados e sedentos por providências, por alguém que colocasse a mão na massa e, sem dó, desse o troco nos responsáveis por escancarar a fragilidade da maior potência mundial.

Infelizmente, a ganância da Fox enfraqueceu nosso herói durante sua jornada, mas ainda sim, ele conseguiu se tornar um ícone pop que para sempre será lembrado, assim como a série, que revolucionou o modo de fazer TV, introduzindo o conceito de tempo real e trabalhando a ação de maneira jamais vista.

24 Horas também foi responsável por provar aos preguiçosos que é possível fazer o público acompanhar um drama serializado, sem a necessidade de criar mistérios sem pé nem cabeça. E que venha o filme, pois já estamos com saudades do Jack.

O Adeus a LOST

LOST foi uma série única. Durante seus seis anos de existência, ela expandiu os conceitos de transmídia e se reinventou diversas vezes para contar uma história intrincada que sempre foi muito maior do que os mistérios de uma ilha cheia de sobreviventes de diversas partes do mundo. Durante toda a sua existência, os fãs foram convidados a participar ativamente de sua história e tiveram o privilégio de escolher o quão envolvidos queriam estar. Quem quisesse, poderia acompanhar a saga de Jack, Locke, Sawyer e cia sentado confortavelmente na frente da TV, semana após semana, mas se isso não fosse o suficiente, poderíamos muito mais. A experiência expandida de LOST apresentou jogos interativos, vídeos complementares, livros com personagens nunca mostrados na série e muitas outras alternativas para prolongar o universo criado por Damon Lindelof e Carlton Cuse.

O fim da série deixou milhões de órfãos espalhados pelo mundo, espectadores acostumados com uma experiência muito maior do que apenas assistir TV, ávidos pela próxima grande revolução no mundo dos seriados, sedentos por uma série que os desafiasse semanalmente e os tirasse de sua zona de conforto representada pelo sofá. Várias tentativas já foram feitas, mas LOST continua sendo uma série única.

O renascimento de Grey’s Anatomy

Depois de um sexto ano morno e incerto, tentando se posicionar após a saída de dois grandes nomes do elenco, Grey’s Anatomy parece ter se estabilizado. A luz do fim do túnel veio logo no season finale do ano anterior ao que estamos assistindo, quando um homem desequilibrado entra no hospital e chacina metade do elenco.

A série começa devagar, como haveria de ser, afinal agora todos estão se readaptando de um grande trauma. O sucesso de interpretação não sofre variação: Sandra Oh, com sua magnífica Dra Cristina, vem puxado todo o elenco para situações tensas e densas. Logo depois dela, Shandra Wilson com pequenas participações da Dra Bayle, enquanto Meredith começa a se tornar uma bomba-relógio. Chief Webber volta a ser o que deveria. Personagens menores, como April, passam a conquistar a audiência, assim como Lexie o fez. E Grey’s Anatomy volta a ser aquela série que tanto amamos.

A ambiciosa Boardwalk Empire

Séries de época sempre nos fascinam, pois temos a oportunidade de entendermos como funcionava um passado que não conhecemos, uma época em que a forma de pensar e viver é divergente dos dias atuais, enfim fazer uma viagem no tempo sem sairmos do sofá. Esse tipo de fascínio cresce ainda mais quando a adaptação e o processo de recriar a época em questão é tão bem representada na tela e, nesse quesito, a HBO é fenomenal.

Boardwalk Empire te arremessa para a década de 20, trazendo uma história fascinante, com um nível de detalhe surpreendente e interpretações que fazem você ficar ansioso pelo próximo episódio. Aliás, me arrisco a dizer que a série traz uma das melhores interpretações do grande Steve Buscemi, que interpreta Enoch “Nucky” Thompson, o nosso anti-herói que comanda a cidade de Atlantic City.

Boardwalk Empire, que conta com a produção-executiva de Martin Scorsese, tem se mostrado uma excelente opção de entretenimento, buscando unir uma gama de qualidades que a torna atrativa para vários tipos de espectadores e capturando pedaços reais de uma grande época da história americana, uma série que tem tudo que você espera e um pouco mais.

A invasão fail dos zumbi de The Walking Dead

Os zumbis chegaram arregaçando, tanto que logo conseguiram confirmar sua segunda temporada — que já vinha sendo rumorizada antes mesmo da série estrear. Cedo demais! O episódio-piloto realmente gerou o clima, mas é dali para o ralo. A tal série de pessoas parece carregar a maldição, não dos zumbis, mas das séries de pessoas mesmo.

Como um morto-vivo, ela caminhou para lugar nenhum, apenas fazendo barulho… Falou-se tanto em aprofundamento de personagens e em seis episódios de 52 minutos pouco descobrimos sobre eles, afinal os roteiristas preferiram perder o tempo deles (e o nosso) com historinhas de um episódio só sobre desconhecidos. Tiro no pé, literalmente, e o resultado foi o time de roteiristas inteiro demitido.

É triste dizer, mas esse foi o melhor acontecimento em The Walking Dead, que não acrescentou nada ao hall das séries.

Glee continua dominando a cena!

Glee estreou em 2009, mas foi em 2010 que a série arrasou. Com apenas 32 episódios exibidos, o show se tornou um fenômeno cultural de proporções avassaladoras.

Muita gente achava que Glee perderia sua força na 2ª temporada, mas aconteceu o oposto. Este ano, a audiência da série foi ainda maior. Os novos episódios buscaram inovar e, cá entre nós, eles conseguiram. Os brilhantes episódios Britney/Brittany e The Rocky Horror Glee Show estão aí para não me deixar mentir.

Uma matéria da revista norte-americana Rolling Stone disse que Glee está se consolidando no lugar deixado pelo rádio e pela MTV. Hoje, é a série que reúne música, dança, ensino médio, drama e sexo. E nenhum outro programa de TV conseguiu reunir tudo isso em um só lugar.

A série pode ser sobre desajustados, mas os losers nunca estiveram no topo como agora. Com personagens carismáticos e um roteiro divertido, o programa conquistou seu lugar no mundo do entretenimento. Eles já cantaram para Obama, fizeram turnê pelos Estados Unidos, ultrapassaram os Beatles em singles na Billboard, venderam milhares de CDs e DVDs… Se esses são os passos iniciais de Glee, eu não consigo sequer imaginar os próximos.

E fique ligado, pois na próxima segunda-feira tem a segunda e última parte dos nossos destaques de 2010. Até lá!

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