Dexter 8×11 — Monkey in a box

Talvez eu não seja o velho Dexter” — Dexter Morgan

E quando você acha que nada pode ficar mais desastroso do que já está, eis que os produtores nos enfiam goela abaixo um sofrível e lamentável penúltimo episódio da série. E não se deixem enganar por essas míseras estrelinhas aí do lado. Elas só estão aí porque o Box de Séries pede que todas as reviews sejam classificadas com pelo menos uma estrela.

Já algumas temporadas que a série vem transformando ou humanizando Dexter. Certo ou errado via como um bom arco tudo isso. Afinal se conseguiram moldar sua necessidade de matar em um código de condutas, nada mais aceitável do que esse “monstro” querer se interagir em sociedade.

O lance dele se apaixonar nunca foi incomodo. Ora, se Dexter já demonstrou empatia por Harrison, Deb, Rita, mostra-se um ser capaz de outros sentimentos. Não sabemos também se, ao se dizer apaixonado, Dexter realmente o é. Poderia ser facilmente essa empatia com uma boa dose de desejo.

A series finale começou bem com a introdução da Dra Vogel e com ela todo o passado de Dexter. Fecharia com perfeição com toda essa desconstrução do personagem, a sua transformação. Mas daí, a coisa desandou. Foi-se introduzindo arcos sem a menor importância, um Dexter cada vez mais confuso e o grande mote da temporada perdeu força e graça.

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Todo esse samba do crioulo doido feito pelos roteiristas culminou nesse desastroso penúltimo episódio. Durante todo ele, Dexter mudou de opinião diversas vezes.

Começou ciente da sua natureza em vingar Vogel e ao mesmo tempo saciar o desejo assassino totalmente dentro das leis do seu código. Logo mais, pintou a dúvida se devia abandonar tudo isso e fugir o quanto antes com Hannah. E quando achávamos que ele tinha encontrado o seu eixo eis que “se fez a luz” e o que veio depois não é digno de nota.

Então realmente o amor cura tudo! É o que podemos tirar de conclusão da decisão de Dexter em não matar Saxon e vir querer comer chorizo com os hermanos. Como num passe de mágica, ele larga a sua faquinha e solta um “ai cansei de brincar. Deb toma meu avental, não se preocupe com as facas aí do lado do psicopata não. To saindo de cena. Vou pegar minha loira gostosa e partir para uma viagem louca. Ah, estou lhe dando um presente, você será a heroína da polícia de Miami, beijos Brasyl”.

O que foi aquilo? Por mais que ele queira mudar, queira viver uma vida que nunca lhe foi permitida, as coisas não acontecem assim, de uma hora para outra. Dexter, Hannah não é, e nunca será sua salvação, muito pelo contrário. Por causa dela, você verá a merda que você fez talvez para a única pessoa que realmente esteve do seu lado esse tempo todo.

Dexter saiu do hospital abandonado acreditando fielmente que tinha encontrado a luz que aquele seu amigo pastor tanto pregou que um dia ele encontraria. Confesso que fiquei esperando entrar “I Will Always Love You” de fundo e Dexter e Hannah correndo na praia. Triste. E tudo culpa de produtores que perderam o fio narrativo, que enrolaram tanto e se viram numa encruzilhada faltando poucos episódios para o final da série.

Aí voltando para a cena do crime, temos um agente federal. Vou repetir, UM AGENTE FEDERAL, que não reconhece Saxon, cujo rosto estava estampado em tudo que é canal de notícias, e o liberta. E, olha que sorte a sua hem Saxon! Dexter deixou um arsenal de facas à sua disposição. Por pouco você não pediria música no Fantástico. Fica para a próxima.

Pela promo do próximo episódio podemos tirar algumas conclusões. Debra entre a vida e a morte, com medo de chegar com muitas dívidas no céu, deve confessar o assassinato de LaGuerta, e quem sabe, desmascarar o irmão. Não dá para saber quando ela fala sobre o psicopata se estava se referindo ao Dexter ou ao Saxon.

Então teremos um Dexter revoltadinho querendo vingança. Colocando no chão todo um personagem de uma vida toda. Não queremos Dexter matando por vingança e de qualquer jeito. Não queremos ver Dexter sendo desmascarado por culpa de Hannah e esse desejo descontrolado. Não que ele precise necessariamente se safar de tudo. Mas que tenha sobrado um mínimo de coerência para que o final seja um pouco digno como a série um dia foi.

Até semana que vem.

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