Disney e FOX juntas: uma boa ideia?

Como a compra de parte da 21st Century FOX pela Disney poderia mudar de vez o cinema e a TV.

A semana foi tomada pela notícia de que a Disney estaria negociando uma boa parte da 21st Century FOX, um dos cinco grandes estúdios do entretenimento. Enquanto para uns, é boa surpresa, outros a veem com sinal de preocupação — principalmente os críticos e demais estúdios de cinema e TV.

Primeiro, é bom perceber que tudo isso nada tem a ver com uma possível reunião entre X-Men e Vingadores. A verdade por trás dessas negociações está no novo serviço de streaming do Mickey Mouse, que para concorrer com Netflix, Amazon e Hulu, precisa ser alimentado com conteúdos novos e originais — e nada melhor que a pluralidade que a FOX tem para criação de produtos para ambas as telas.

Seria interessante para a Disney ter grandes franquias, como 24 Horas, Simpsons, Arquivo X, e até Buffy — A Caça Vampiros, pois ai está a base de fãs que traria audiência e sucesso para essa nova marca. E por outro lado, a FOX garantiria maiores investimentos para suas produções originais, e a transmissão tradicional focaria apenas em um nicho mais barato (por conta disso, FOX News e FOX Sports ficaram de fora do acordo). No fundo, seria uma divisão de responsabilidades: um entre com a marca, outro com o dinheiro, e nessa equação, quem ganha é o público.

Isso porque esse acordo acabaria com uma rixa de décadas, principalmente por conta da Marvel. Sim, estamos falando do problemático — e fragmentado — universo cinematográfico que coloca de um lado X-Men e Quarteto Fantástico, e de outro Os Vingadores (com o Homem Aranha e Hulk correndo por fora com a Sony). História essa que é feita de retaliações da Marvel, que deixou os mutantes de lado para focar na nem tão bem sucedida franquia dos Inumanos.

Essa é só a ponta do iceberg, que é encorpado ainda com Deadpool, Logan, e o tão complicado Gambit — que pode finalmente ver a luz do dia.

A soma se completa com a total pose da franquia Star Wars, e a mais recente aposta nos próximos filmes de Avatar de James Cameron — o que não seria ruim, já que o Animal Kingdom já abriga um parque temático do filme. É uma remodelação inédita na esfera do entretenimento.

Em termos práticos, o que pode acontecer?
Vejamos uma franquia como os Simpsons. Há quase 30 anos no ar, a audiência não é a mesma, mas comparada a animações da Disney, dá pra notar que, para um desenho animado, o show da família amarela está mais para uma sitcom.

Caso leve os Simpsons na bagagem, a Disney deverá agir assim como as marcas adquiridas na era Bob Iger: Pixar, Muppets, Marvel e Lucasfilm. Cada um deles foi tratado de maneiras diferentes, mas a abordagem básica é a mesma — destilar a marca e expandir ou revolucionar. Racionalmente, eles tratariam Homer como o Mickey Mouse, não se limitando a um único fluxo de conteúdo, mas uma propriedade a ser usada em todas as saídas.

Novos episódios, para a Disney, seriam inúteis, e cancelaria os Simpsons em prol da imortalidade. O que seria a força de um parque temático de Springfield comparado com histórias isoladas semanais?

Barrado no baile
Barrado no baile

O cinema, talvez, não se beneficiaria tanto quanto a TV. Isso porque os X-Men tem crescido nos últimos anos, com filmes de classificação restrita como Deadpool, Logan, e Gambit, além de Novos Mutantes, e a saga da Fênix Negra, que por si só tem um tom bem diferente do aventureiro Os Vingadores. A FOX conseguiu revigorar essa parte com pouca ajuda da Marvel.

Para uni-los, é possível que a Marvel Studios decida reconstruir uma nova história em cima do que já existe, para formar algo próprio, com a sua marca. Isso redefiniria completamente a paisagem dos filmes de super-heróis para a próxima década (influenciando, inclusive, o universo DC).

Há potencial, mas também há riscos. Um acordo dessa magnitude pode demorar anos para se concretizar, mas é tentador para quem acompanha de perto os desdobramentos constantes que o entretenimento teve nos últimos anos. A Disney comandar tantas franquias importantes da cultura pop é promissor considerando que ninguém aproveita a popularidade de seus personagens como ela, mas pode ser às custas da indústria.

Sobre o Autor

Leo Sousa

Séries de TV, filmes, realities shows, livros, música e mais. Editor no boxpop.com.br.

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