Do No Harm, inflando o ego da NBC

Muitas perguntas, poucas respostas!

A mais recente tentativa da NBC de explorar a história “Dr. Jekyll e Mr. Hyde” apresenta Jason Cole (Steve Pasquale de Rescue Me), um brilhante neurocirurgião que perde o controle e torna-se um sociopata demente à noite. Como? Por quê? Hein?

O roteiro de David Schulner aposta muito mais em amarrações e mistérios do que em nos apresentar de forma coesa a trama. Dezenas de mistérios complexos e não totalmente explorados são apresentados durante o piloto.

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Audaciosamente estranha, maluca e possivelmente terrível (mas possivelmente viciante) Do No Harm não se parece com um drama da NBC. Talvez ele pertença ao FX? Ou Syfy? Enfim, é de se envolver durante o piloto. Várias as vezes você se pegará exclamando: “Estou chocado!”, “Mas que p*rra é essa?”, “E agora, o que vai acontecer?”.

Perplexidade talvez seja a resposta chave para o piloto. É arriscado a NBC trazer um drama tão complexo. Ainda mais depois da tentativa falha com My Own Worst Enemy (série que estrelou Christian Slater e Taylor Lautner), que abordava o mesmo tema e também era transmitida pela NBC.

Do No Harm é um tanro caótica e pouca estruturada. Mas Steven Pasquale parece ser o fator X da série. Ele consegue traçar linhas diferentes entre Jason Cole e seu alter ego, Ian Price. Mas fica a dúvida se o ator é interessante o suficiente para interpretar Jekyll/Hyde, uma vez que o mesmo precisa minimizar as distinções entre os dois.

Seria interessante se as duas identidades fossem imperceptíveis. Ou seja, você nunca saber quem realmente está no comando. Ainda no princípio isso não parece ser algo que a série vá explorar, já que Jason e Ian são totalmente diferentes. Porém, abriria boas brechas para futuras tramas.

O elenco de apoio é uma droga! Com exceção a atriz Phylicia Rashad, que interpreta a diretora do hospital onde Jason trabalha, o restante deixa a desejar. Não consegui enxergar nenhuma trama paralela, o que pode ser um buraco sem fim pra série, já que terá que investir bastante no drama médico/monstro pra prender a atenção do público. Apesar de ser um pouco limitada, Alana De La Garza (Dr. Lena Solis), desempenha bem o seu papel de protagonista. Dona de um belo sorriso, ela servirá de um ótimo ponto de apoio para que a trama se desenvolva.

Nunca fui fã de séries médicas. Sempre achei que esse tema deixava os personagens demasiadamente dramáticos. Espero que isso não se perpetue em Do No Harm. Apesar de termos um protagonista envolvido por suas emoções, é bem mais interessante vermos um personagem mais frio e impetuoso lidando com assuntos médicos. Sei que nesses casos é preciso uma dose forte de drama, mas se olharmos a fundo, a série não se encaixa no quesito drama médico. Ela explora um personagem confuso e que tem um alter ego misterioso e violento usando o lado médico apenas como referência.

Durante o piloto, além de vários questionamentos, temos ainda o medo do protagonista em deixar o seu alter ego assumir. Outro ponto forte do mistério: sabemos pouco sobre o vilão. Não nos entregaram isso de bandeja. É alguém que nós vimos porém não conhecemos a história. Diferente de Jason que já nos derramou centenas de suas emoções e desejos. Com certeza Do No Harm irá explorar muito mais o alter ego Ian (o monstro) de forma a nos mostrar quem ele é, como surgiu, o que ele quer, e como vai se portar quando estiver no controle.

Para se tornar atraente e ainda melhor, Do No Harm precisa de uma boa estruturação em seu elenco. Visto que o elenco é escasso de nomes conhecidos (pelo menos por enquanto, rs). E ainda precisa de mais tramas paralelas gerando mistérios envolvendo outros personagens. Tenho ciência de que com apenas um episódio é difícil apresentar isso, mas o tema médico/monstro tem tanto a ser explorado que tenho medo desde agora que os roteiristas se percam nisso.

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Gostei do piloto. Teríamos apenas mais um seriado médico se não fosse por esse belíssimo personagem protagonista. Explorar emoções, atitudes e mistérios sempre foi o que mais me atraiu em uma série. E Do No Harm tem isso de sobra. Claro que a história não é perfeita e tem sérios problemas de coesão, mas são detalhes que podem ser facilmente consertados. Ainda tenho uma dúvida, será que a série abordará o estilo tema da semana? Gosto disso! Cada semana uma trama diferente, apimentada pelo médico certinho e seu alter ego safado e pervertido. Uma ótima mistura.

A pergunta é: acompanhar ou não Do No Harm? Tenho certeza que muitos olharam o assunto que a série aborda como um assunto clichê, mas esse é o mais legal. É um clichê que ainda não conseguiu emplacar na TV. É o tipo de mistério que sempre nos deixa pensativo, e em uma era onde tantos assuntos malucos e sobrenaturais andam chamando atenção, o clichê consegue ser muito mais atraente. Acompanharei a série pra ver se Steven Pasquale realmente é bom o suficiente para um personagem tão famoso, e também durante o piloto foram deixados alguns pontos de interrogação que eu quero muito saber a resposta.

A série só estreia dia 31 de janeiro, e de maneira arriscada a série será exibida nas emplacáveis noites de quinta-feira. E você, o que achou do piloto? Concorda comigo que é uma série com potencial mas sem atores de potencial? Deixa um comentário com sua opinião.

ps: o ator James Cromwell (Dr. Arden de American Horror Story) terá participações em pelo menos três episódios da série o que pode ser um reforço e tanto ao elenco.

ps 2: ótima trilha sonora!!!

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