Doctor Who 7×04 — The Power of Three

Não fujo das coisas, eu corro para elas antes que elas se incendeiem e desapareçam para sempre.” — Doctor

Não sei vocês, mas eu estava morrendo de saudades de uma boa ameaça alienígena em escala global. Quem não lembra dos Adiposes? Ainda não foi dessa vez, mas foi quase. Achei a ideia das caixinhas uma jogada de mestre, cercada por todo o mistério que as envolvia, repleto de teorias e tudo mais. Porém, mais genial do que as próprias caixinhas é a forma como Steven Moffat brinca com os fãs de Doctor Who e suas teorias mirabolantes (eu, inclusive), muitas vezes chegando tão perto, mas ainda assim estando tão longe. Junto a isso, foi excelente ver o pai de Rory novamente. Muito amor por ele. Ainda assim, o episódio não foi dos melhores. A trama prometia tanto, mas bastou as caixinhas “despertarem” para a coisa desandar bastante.

Primeiro, no qual o plano dos vilões não fez o menor sentido: eles mandaram as caixas, que ficaram na terra por um ano, mais ou menos, para as pessoas adotarem elas; depois disso, elas começaram a atacar para que as pessoas se livrassem delas; por último, absorveu a energia elétrica do coração das pessoas sendo que, o mais plausível, seria absorver a do cérebro. Por que não atacaram logo, assim que caíram? Melhor, por que não usaram logo uma arma mais poderosa que dizimasse toda a espécie humana de uma vez?

Segundo, no qual não há explicação para a procedência daqueles gêmeos sequestradores: um aspecto peculiar em Doctor Who é a necessidade que a série tem de explicar até o detalhe mais banal, mas desta vez muita coisa importante passou sem receber a menor atenção. Acredito que a razão para isso seja que os Shakri retornarão durante a temporada, e essa foi apenas uma introdução do inimigo. Não acho que eles deixarão o fracasso por isso mesmo.

Terceiro, o mais incômodo dos detalhes: para um inimigo tão assustador, usado como mito para assustar as crianças de Gallifrey, eles foram derrotados com uma facilidade tremenda. Depois de toda aquela apresentação apoteótica, era de se esperar uma dificuldade maior. Nem mesmo os humanos mortos continuaram assim. Não sou médico, mas está com muita cara de milagre alguém morto por horas simplesmente voltar à vida, o que dirá um terço da população do planeta. Além disso, alguém se preocupou em tirar da nave aqueles humanos sequestrados antes que ela explodisse?

Agora, um aspecto interessantíssimo do episódio foi a continuação do processo de aprofundamento na personalidade do Doctor. Essa temporada está e vias de se tornar um divã declarado. A conversa entre ele e a Amy foi linda, mas com aquela justificativa eu não pude deixar de vê-lo como alguém marcado por um egoísmo atroz. Desde a primeira vez que vi Doctor Who, a pergunta que sempre tomou meus pensamentos foi: o que eu estaria disposto a sacrificar para viver essas aventuras pelo espaço-tempo? Acredito que muitos se perguntaram o mesmo. O caso é que milhares de humanos largariam tudo em suas vidas corriqueiras pela maravilhosa oportunidade que os acompanhantes do Doctor recebem. Eles quase não têm escolha.

Ao invés de deixá-los na Terra, pelo próprio bem de seus amigos, que estão abandonando suas vidas para viver essa diversão infinita, ele continua indo atrás deles para que este momento se prolongue o máximo possível. Da forma como vejo, para a satisfação de seu desejo particular de estar ao lado de seus amigos, está colocando-os constantemente em risco (afinal de contas, se não fosse por ele, Amy nunca teria passado por todos os problemas que passou) e distanciando-os de suas vidas reais.

Em uma retrospectiva, percebemos como o Doctor mantém suas acompanhantes próximas até as últimas consequências, até que não haja maneira de continuar: foi assim com a Rose e foi assim com a Donna. Martha só escapou porque foi esperta e saltou pra fora do barco antes que coisas piores acontecessem. Não me entendam mal, eu continuo acreditando que pularia para dentro da Tardis assim que tivesse a oportunidade, mas quem agiria diferente? Até o pai de Rory foi seduzido pelas maravilhas proporcionadas pela cabine azul.

Resumindo, The Power of Three foi um episódio interessante que provavelmente será importante mais pra frente, embora não tenha sido feito para surpreender. No mais, parece apenas encaminhar o trio para a despedida da semana que vem, oferecendo aos espectadores uma última oportunidade de divertir-se com os três juntos antes da derradeira aventura.

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