Doctor Who 7×05 — The Angels Take Manhattan

Maltrapilho, adeus!” — Amelia Pond

Eu não encontrava palavras para começar essa review. Não consigo lembrar outro episódio de Doctor Who que tenha deixado em mim uma marca tão profunda. Os eventos de Badwolf Beach, talvez, ou quem sabe os de Medusa Cascade. O caso é que The Angles Take Manhattan não foi um episódio perfeito, haja vista todas as gafes e todos os paradoxos internos ao roteiro, mas ainda assim foi uma maravilhosa despedida à altura dos Pond.

River Song traduziu tudo o que todos já sabíamos sobre as aventuras com o Doctor, principalmente o de Matt Smith. Embora o último senhor do tempo tenha centenas de anos e um conhecimento invejável sobre o universo e tudo mais, falta muito o que concerne à vida, a humana principalmente, e que tanto o impressiona. Há sempre um preço a ser pago por algo tão grandioso quanto a experiência de seus acompanhantes, como já mencionei na review anterior, e apenas o Doctor não o vê, seja pelo cuidado dos demais ao esconder os danos ou pela sua incapacidade de atentar para os detalhes.

A maneira como Amy e Rory protagonizaram sua última experiência temporal, tomando do maltrapilho as rédeas não só da aventura como de suas próprias vidas, foi a revelação máxima de quem são os verdadeiros adultos na série. Afinal, reside na urgência de uma vida finita o que nos faz crescer o mais rápido antes do fim, tornando-nos seres diferentes a cada microssegundo. Um imortal nunca entenderia que a consciência das despedidas é exatamente o que torna tão grandiosa a raça que o Doctor tanto admira.

Escolher os Weeping Angles para ensinar essa importante lição ao Doctor foi um toque, sem dúvidas, magistral. Considero esta criação de Moffat os inimigos mais assustadores da série, não apenas por sua caracterização, mas principalmente por uma das grandes metáforas que carregam e que, aqui, se mostra bastante conveniente: o mundo, o lar, a vida que conhece desaparecendo no ínfimo período de um piscar de olhos. Não para uma aventura espacial, mas para algo tão corriqueiro quanto era. Há sensação mais humana do que esta? Inclusive capaz de despertar neles aquela característica tantas vezes mencionada pelo Doctor: a adaptabilidade.

O episódio não deixa claro para que ano os Pond foram mandados, mas a maior parte acontece no ano de 1938, inserido em um devastador momento da história dos Estados Unidos, no qual a pobreza, a fome e a morte, alteraram súbita e completamente a vida dos norte-americanos. Trata-se, ainda, do ano anterior a um dos mais aterradores períodos da história mundial, no qual milhões de pessoas viram suas vidas drasticamente modificadas de uma hora para outra. Todos os dias, homens e mulheres se despediam, por situações além de seu controle, daqueles que amavam, podendo nunca mais voltar a vê-los. Um ponto triste e duplamente marcante na vida de todos os envolvidos, transmitido pela deliciosa e sombria atmosfera noir característica do período.

Um acontecimento tão alardeado tinha tudo para dar errado, mas um episódio heartbreaking prometido é um episódio heartbreaking cumprido. Passei a maior parte dos quase quarenta e cinco minutos com o fôlego suspenso, temendo que o coração destruído seria o errado. O nosso já estava certo que seria, mas o de quem mais? Cada aparição de Amy e Rory, juntos ou separados, refletia em um aperto ainda maior, lamentando o tempo que se esgotava para o momento tão temido pelo personagem-título. O adeus de Amy para o Doctor, de Karen Gillan para Matt Smith e para Doctor Who em si, de ambas para nós.

Com o fim, eu percebi que gostava dos Pond mais do que esperava quando os vi em The Eleventh Hour, embora fossem ainda Rory e Amy, por isso foi triste encarar a foto em sépia da pequena Amelia e os últimos conselhos para o filho. Portanto, deixo aqui meu pesaroso adeus ao centurião e à garota que esperou, já chorando as saudades do poder dos três!

Nos vemos no especial de Natal!

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