Doctor Who 7×06 — The Bells of Saint John

Isso funciona? É isso o que você faz? Estala os dedos e as pessoas saltam em sua cabine de amassos?” — Clara Oswald

A temporada de Clara começou oficialmente, mas com um episódio muito aquém do que merecia. A misteriosa mulher da loja, a mensagem de Clara, as múltiplas mortes, enfim, todo o background da personagem mantém-se um prato cheio para os fãs de mistérios, mas o que mais me agrada nela e, admito, está despertando uma paixão imediata que só Donna Noble havia conseguido, é sua personalidade. Não me refiro especificamente à sagacidade da garota, mas à sua capacidade de garantir ao Doctor, digamos, uma dose de seu próprio remédio.

Nas reviews anteriores já deixei claras minhas impressões a respeito do Doctor, um símbolo hipnótico e viciante para seus acompanhantes, mas eis que chega Clara, um espelho genial e cruel, colocando o último senhor do tempo diante de seus próprios vícios e da fragilidade de sua onipotência. Um rebanho de mentes na nuvem para alimentar a Grande Inteligência, um rebanho de seres humanos e seu tempo de vida para alimentar os Weeping Angels, um rebanho de acompanhantes para alimentar o Doctor e sua humanidade simulada.

doctor who 7x06

A misteriosa Clara coroa uma fase de reflexões e transições que já venho mencionando desde os Pond: um mergulho na estrutura complexa do personagem título, despercebida ou ignorada por alguns. Oswin não é como as outras, com ela não basta um estalar de dedos. Para tê-la ao seu lado necessita-se de uma conquista gradual, do zelo de um apaixonado, e do cuidado que se tem com um quê (ou quem) precioso que não se quer perder. Quanto a isso, o filho de Gallifrey demonstrou-se bastante ciente e empenhado.

Uma desbravadora espacial perita em computadores, uma Mary Poppins sem poderes mágicos e, por último, uma fusão de ambas. Isso nos lembra alguém? Bondosa e abnegada como o Doctor jamais será, mais habilidosa no tocante à tecnologia (pelo menos temporariamente, ao que parece) do que seu companheiro, e detentora do grandioso sonho de conhecer o que está além de seu quintal, com avidez semelhante àquela motivadora de nosso extraterrestre de dois corações. Não são apenas três Claras que conhecemos, mas sim quatro. Não foi à toa que Amy gostou tanto dela em seu breve encontro. Afinal, não é todo dia que se está diante de dois Doctor’s: Rose Tyler que o diga.

Não me preocupo mais em tecer teorias ou coisas semelhantes a respeito dos mistérios da temporada, pois fico satisfeito em acompanhar a parceria destes dois personagens ao mesmo tempo tão semelhantes e tão complementares. Estou ansioso, como todos, pela resolução dos mistérios em torno de Clara “Oswin” Oswald, mas nutro uma expectativa muito maior pelo resultado dessa nova acompanhante na vida (e na personalidade) do Doctor. Tudo isso, claro, quando ela finalmente aceitar seu cupom dourado. Pobre maltrapilho, outrora tão persuasivo, foi-se o tempo em que bastava oferecer todo o espaço-tempo.

Ps: Alguém mais notou (como algo, no mínimo, curioso) a ausência das idades 16 e 23 na contracapa do livro de Clara?

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