Doctor Who 8×00 — The Time of the Doctor

Tudo termina, Clara, e antes do que você imagina.” — Doctor

Acredito que eu já tenha mencionado meu incômodo com especiais de Natal. Toda essa intenção de inserir o espírito natalino em um episódio com aparência avulsa dentro da temporada sempre soa um pouco artificial, mas trata-se de uma coisa minha e esse episódio em particular não foge disso. Contudo, todos sabemos que a intenção do episódio não era outra senão o final, em seus vários sentidos. Foram tantas as referências, sutis ou grosseiras, à jornada de Matt Smith, muitas vezes se atropelando e desparecendo magicamente durante o episódio, que eu senti um certo vazio com a ausência da icônica presença de River Song.

Eu entendo a proposta dos especiais natalinos (pelo menos acredito que seja assim), mas em uma situação como esta, o Natal estava presente de maneira tão forçada e artificial que eu não ligaria se eles sequer tivessem mencionado. Não era um episódio comum na temporada, tampouco o momento para celebrarmos esse feriado ou nos sentarmos para aproveitar um peru assado pelo vórtice, mas uma oportunidade para nos despedirmos de mais um Doctor.

Devo confessar que nunca fui o maior fã do Matt Smith. Com o tempo eu acabei me acostumando, mas com aquele jeito tresloucado que ele tem, embora divertido e engraçado em pequenas doses, é fácil errar a mão e tornar-se, muitas vezes, exagerado a ponto de me cansar, além de fazer com que os momentos de maior carga dramática não convençam. Bom, exceto quando está em cena com Karen Gillan. Prova disso foi a despedida dos dois: de longe o melhor momento de todo o especial, quiçá de toda essa midseason.

doctor Who 8x00

O engraçado é que durante The Eleventh Hour eu não suportava a Amy, acreditando dramaticamente que ela havia chegado para destruir a série. Eu ainda estava abalado com a partida de Donna Noble e não pretendia deixar qualquer uma entrar assim na série sem me provar que merecia estar ali.

O caso é que alguns episódios depois, eu já tinha virado fã da garota, colocando-a junto de Rose Tyler no hall das minhas acompanhantes favoritas. Isso tudo não só porque, em alguns momentos, ela chegava a roubar a cena do protagonista, mas porque a química entre os dois era inegável.

Eles começaram juntos, evoluíram juntos dentro de seus personagens e tornaram-se amigos na vida real, tornando o relacionamento entre eles tão natural e belo que transparecia na tela. Sendo assim, não é difícil imaginar minha surpresa quando li um artigo reclamando da presença da personagem em The Time of the Doctor, alegando ter roubado a cena de Clara. Sinto muito pela “Impossible Girl”, mas aquela despedida não pertencia a ela, pertencia à “The Girl Who Waited” e a nós.

E por falar em Clara, ela sofre de um mal semelhante ao que Amy sofreu. Surgindo para substituir uma personagem tão amada, e inserida numa midseason tão descabida, ao lado de um Doctor veterano que ainda estava no ritmo da acompanhante anterior, era cruel esperar que ela atingisse a importância que o roteiro esquizofrênico quis lhe garantir.

Ela estava sempre se esforçando demais, tentando provar que era suficientemente importante para ele, completamente envolvida com alguém cujo coração já estava ocupado, por isso tudo o que víamos era aquele constante exercício de vergonha alheia em que os dois juntos simplesmente não convenciam. Clara tentava alcançá-lo, enquanto ele, inconsciente ou conscientemente, a mandava para longe. Alguma surpresa ao ver o reflexo disso nesse episódio, onde até mesmo a despedida ela perdeu para o fruto de um delírio? Afinal, Jenna Coleman estava ali apenas para recepcionar o novo Doctor, com quem tem chances infinitamente maiores de ser bem-sucedida na posição de primeiro rosto que o novo rosto viu.

Sendo assim, considerei um episódio relativamente satisfatório. Apesar da resolução simplista e injustificável (afinal, por que os Senhores do Tempo simplesmente dariam novas regenerações a alguém que eles nem tinham certeza de quem era? Caso contrário teriam atravessado a rachadura por estarem no universo correto. Qual o verdadeiro poder de convencimento que uma simples humana teria com seu discurso sentimentaloide contra uma raça que havia atingido o auge de sua corrupção durante a guerra?), acredito que seus problemas foram apenas reflexos dos equívocos das duas primeiras partes dessa trilogia final, então não havia muito o que se pudesse fazer quanto a isso.

A meu ver, suas gafes particulares estavam mais no sentido técnico: uma narração em off que simplesmente desaparece, o desperdício de tempo em momentos desnecessários como o constante foco em Clara e um certo descaso em relação ao ritmo e à concisão daquela “guerra” em Trenzalore. Em resumo, a sensação que tive era a de que muito tempo foi gasto para dizer pouca coisa.

Aproveito esse momento de despedida do nosso querido Doctor para me despedir também. Foi uma experiência enriquecedora esse meu tempo aqui no Box, começando com as reviews de Touch e terminando com Doctor Who, uma das minhas séries favoritas, e especial tanto por ela mesma quanto pelo contexto em que me foi apresentada.

Agradeço o feedback de vocês e a companhia durante essa jornada, mas constantemente precisamos fazer escolhas e definir prioridades, e neste novo ano ficará impossível dar às reviews a atenção e o respeito que merecem, portanto eu voltarei à minha posição de simples espectador. Torço para que tenham gostado, porque eu adorei cada parte dessa aventura, e como disse nosso ex-Doctor “Eu não esquecerei uma linha disso.”.

“Good Night!”

Sobre o Autor

Avatar

BOXPOP

Site especializado em cultura pop, fundado em agosto de 2007. Confira nossos podcasts, vídeos no youtube e posts em redes sociais. Interessados em contribuir como autor no site podem entrar em contato: contato@boxpop.com.br

Deixe um comentário

clique para comentar

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

OUÇA O BOXCAST

VIDEOCAST

Lidio Mateus, o brazilian singer da internet, comenta todos os bafos e segredos de sua carreira.

Tem série nova na HBO e os bastidores dela foram recheados de TRETAS. A gente conta todas neste vídeo.

Esse é o filme que vai ganhar o Oscar de filme estrangeiro. Neste vídeo comentamos Parasite. Assista!

SEJA UM PADRINHO!

Contribua!

OUÇA ACABEI DE LER