Doctor Who 8×09 — Flatline

– Eu sou o Doutor (…) Mas pode me chamar de Clara.” WHO, Clara.

A temporada já está chegando ao fim e meus dois corações ficam triste com isso. Tenho visto nos milhares sites de discussões sobre Doctor Who, redes sociais, fóruns e por aí vai que a recepção deste episódio por parte dos fãs está bem dívida. Particularmente eu gostei e achei um delicioso episódio, e nos parágrafos abaixo eu explico o porquê. Allons-y!

Segundo episódio escrito por Jamie Mathieson para esta atual temporada, Flatine é rica em elementos de construção de roteiro que, confesso, muito me lembrou minhas aulas de Roteiro e Criação quando cursava a faculdade de Cinema, lá em 2007.

Mathieson é sábio em usar dentro da mitologia de Doctor Who dois elementos distintos — e por vezes não compatíveis — na construção de roteiro: um de situações dramática e outro de situações cômica ou de comicidade.

Doctor Who 8x09

O primeiro deles, o mistério, — que já faz parte da rotina da série — e amplamente analisado pelo escritor francês e crítico teatral / literário, Geroges Polti em sua obra de 1895, Les Trente-Six Situations Dramatiques (As Trinta e Seis Situações Dramáticas) que serve de gancho inicial, quando o Doutor e Clara aterrissam em Bristol e percebem uma TARDIS diminuta — referência a vários arcos narrativos da Série Clássica — que levam Clara a investigar o que está errado na cidade enquanto o Doutor tenta consertar as dimensões da TARDIS.

E neste momento em que a TARDIS diminui mais de tamanho, impedindo a saído do Doutor, é que temos a inclusão da segunda situação, agora de comicidade, como bem discorre o filósofo francês Henri Bergson em seu livro Le Rise (O Riso) de 1899. A inversão de papéis, fazendo com quem a Garota Impossível assuma o papel de Doutor e fique à frente da situação, com direito a Chave de Fenda Sônica e o Papel Psíquico.

As situações decorrentes a partir deste ponto são hilárias, desde o fato da Clara Who arrumar um companion para o caso, a falha do Papel Psíquico no velho rabugento, até a cena, que já é antológica, do Doutor fazendo o mãozinha da Família Addams, finalizando com uma TARDIS em “modo cerco” que lembra a Pandorica.

Devemos também, leitor, chamar a atenção para a construção do vilão do episódio, os Sem-Ossos. Criaturas 2D de um outro universo, que tentando invadir nosso mundo, sequestrando pessoas para estudar as dimensões até ganharem corpos 3D, abusando da melhor forma possível das estruturas sci-fi de roteiro, a ideia de um vilão ou o medo de algo, sem mostrar a criatura em si, ou por completo. Ponto extra!

Outro ponto a destacarmos é que na posição do Doutor. Ppara salvar o pequeno grupo de pessoas do serviço comunitário, Clara Who (eu adorei este termo) percebe como o Doutor de fato enxerga a situação, adotando primeiramente uma postura antropológica, de se questionar se as tais criaturas 2D em um primeiro momento sabem se comunicar e se elas têm ciência de que estão machucando de fato as pessoas, para só depois de recolhidos estes dados é que, em um segundo momento, tomar uma postura de ação.

Assim como no episódio anterior, a direção abuso dos jogos de câmera para construção de sensações claustrofóbicas, passando pela linda trilha sonora sinfônica de Murray Gold, trazem um requinte ao episódio.

Jamie Mathieson dá sua cartada final nos dois minutos finais do episódio, voltando a usar o elemento surpresa + mistérios com a aparecimento de Missy, fazendo nós espectadores levantarmos mais perguntas do que eles, roteiristas, nos darem respostas, fazendo Georger Polti levantar do túmulo e bater palmas pelo excelente uso e combinação das Trinta e Seis Situações Dramáticas.

E você leitor, o que achou? Gostou da Clara Who? Na semana que vem tragam suas autorizações assinadas pelo responsável mais o dinheiro da TARDIS, porque teremos excursão.

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