Doctor Who 8×11 — Dark Water

– Eu não poderia continuar me chamando de MESTRE, poderia?” Missy.

Finalmente, finalmente descobrimos quem é Missy nas cartas de tarô!

Como venho comentando deste o inicio, esta temporada esta incrível de se acompanhar. A narrativa, a direção e as temáticas sociais e morais travestidas de ficção cientifica além da releitura dos próprios elementos da série em si ao longo destes 50 anos estão louváveis.

O episodio contem alguns erros técnicos de continuidade em si, mas nada, em nenhuma instancia, que tire o brilho da temática envolvida e do grande mistério que nos foi apresentado.

Doctor Who 8x11

Dark Water trouxe ao publico de Doctor Who um conceito de vida pós-morte, bastante interessante até! E a temática morte, criativamente falando, é um terreno amplo a ser trabalhado, afinal o que acontece depois que morremos?

Escrito pelo amado, e odiado, Steven Moffat, acompanhamos Clara Oswald, após os eventos de In The Florest Of The Night, em uma tentativa de ser sincera e reconciliar-se com Danny Pink em uma conversa por telefone, neste interim Danny sofre um acidente e morre.

A partir deste momento temos um jogo de imagens e de ideias, que se provam falsas ideias, muito interessante. Clara quer voltar no tempo, usando a TARDIS e impedir a morte de Danny, alterando assim o rumo da historia.

Jenna Coleman devo confessar, esta incrível na cena em que a mesma dentro de um vulcão tentar chantagear o Doutor mostrando um lado da personagem que não conhecíamos, levando-nos a indagar: Até que ponto iriamos para salvar alguém das portas da morte? Não critico de forma alguma a atitude da Garota Impossível em pensar desta forma, afinal esta característica que talvez possam julgar como obscura, não moral, ou até com uma exclamação de “como se atreve?” é o que a torna humana deixando a personagem muito mais rica dramaticamente.

Outra questão, ainda nas temáticas, a ser analisada é o fato de o Doutor, através do link psíquico de Clara com a TARDIS, achar que ha um lugar físico para o pós-morte, afinal o mesmo já deu um reboot no universo e até já saiu do universo, mostrando que tais atitudes são possíveis, dentro da série, mas em conversa com Dr. Chang o mesmo mantem-se cético na comunicação “tecnológica mesa branca” entre Clara e Danny.

O fato é que o roteiro é esperto o suficiente para usar nuanças do Mito da Caverna de Platão e mostrar, de forma filosófica até, e aqui a citação sobre o que aconteceria se os bebês se comunicassem por telefone merece destaque, de que, o que vivemos e conhecemos como vida é apenas uma parte do todo, uma parte da caverna.

Assim, Moffat trabalha a ideia de que, quando morremos, não há céu, nem inferno, mas apenas nossa consciência ainda ligada ao corpo terrestre sentido o que lhe é infligido. A ideia de ser cremado parece, por esta perspectiva, realmente assustadora.

E para coroar ainda mais, Moffat consegue linkar todos esses conceitos, que chamarei de “tecnologia post-mortem” ao grande mistério da temporada e suas mitologias e de quebra lançar novas discussões.

Missy é ninguém mais que O Mestre em uma nova encarnação. E que lindo o trabalho de interpretação de Michelle Gomez, que eu ainda não conhecia. E como disse na primeira review desta temporada, encaramos uma nova era, pois Moffat trabalha mais uma ideia na regeneração dos Times Lords. A transregeneração. Creio que podemos colocar nestes termos. Quando um Time Lord regenera em um ser do sexo oposto.

Usando tecnologia de Gallifrey, Missy colhia a consciência pós-morte das pessoas, algo parecido com o que o Doutor fez com a River no arco de episódios Silence In The Library e Forest Of The Dead, e as mantinham na Nethesfera, conservando os seus corpos transformando-os em Cybermen, montando seu próprio exercito, enquanto suas consciências poderiam se livrar das emoções sentidas no pó-morte, tornando-se assim verdadeiros Cyber-homens.

A direção de Rachel Talalay muito me lembra aos filmes infantis de mistérios dos anos 80, dando a cada close, fusão ou transição de quadros dicas elegantes do grande mistérios, quando por exemplo, as portas com a forma de olhos de um cyberman se funde com os olhos de Danny , ou quando o doutor sai do laboratório acompanhando do Dr. Cheng e as duas portas se fecham as suas costas dando alusão a um rosto da criatura do dia.

Rachel parece gritar em seus planos “- Olha aqui esta dica”! “- Vejam essa fusão aqui. Quem for experto vai perceber que esses são os vilões do dia!”. Mas, hei, estamos falando de um programa para um publico jovem, e na sua maioria, crianças, e isto só traz mais benefícios, introduzindo os conceitos de metalinguagem ao seu jovem público. Menções honrosas devem ser feitas a trilha deste episodio que esta impecável.

É claro que a trama ainda não acabou e continua no próximo episodio Death in Heaven, mas não podemos negar que Moffat conseguiu mais uma vez, causar o burburinho e as especulações necessários para manter a audiência alta e constante.

E você leitor, o que achou deste episódio e dessas revelações? Fiquem com a promo do último capitulo.

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