Doctor Who 9×04 — Before the Flood

Com bases na teoria do Paradoxo de Bootstrap, Doctor Who traz um excelente episódio sci-fi em Before de Flood.

Quem realmente compôs a 5° sinfonia de Beethoven?WHO, Doctor.

Se em Under the Lake fomos apresentados a questões metafísicas sobre a vida pós-morte, em sua continuação, Before the Flood, encerra o arco narrativo de forma instigante, magnífica e satisfatória, mostrando a ousadia do roteiro de Toby Whithouse em inserir teorias físicas sobre paradoxos, trazendo todo este conteúdo de uma forma que estimula o conhecimento científico do espectador sem perder o foco do roteiro.

Por se tratar de uma série sobre viagem no tempo sabemos que paradoxos são situações comuns dentro da séries. Blink, Time Crash e The Big Bang são exemplos de episódios com a inserção deste elemento, que por definição desafiam a lógica e parecem, em um primeiro momento, situações muito confusas.

A direção de Daniel O´Hara foi inteligente em separar os tons dramáticos das duas partes, dando bem a definição dos ambientes narrativos.Se em Under the Lake temos elementos clássicos do terror, em Before the Flood, pela urgência dramática, vemos este elementos amplificados em momentos bem pontuais na instalação sub-áquatica The Drum, como por exemplo, o Fantasma de Moran arrastando o machado atrás de Cass (Sophie Leigh Stone) ou o uso da contra luz quando Lunn ( Zaqi Ismail) é cercado pelos fantasmas. Este tom de terror se contrapõe ao ambiente mais claro e aberto quando o Doutor, O ´Donnell e Bennet voltam no tempo antes da inundação, expondo assim elementos sci-fi característicos da série.

Doctor Who 9x04

E por elementos sci-fi devemos entender, leitor, que o conceito do Paradoxo de Boostrad é a linha torçal desta narrativa. Whithouse consegue através de seu roteiro explicar de forma magnífica a teoria, e aplicá-la não só no roteiro como na ordem de apresentação dos episódios.

Veja bem, leitor. A grosso modo, o Paradoxo de Boostrat usa a ideia de viagem no tempo, e assim questiona sobre como algo existente foi criado. Logo, devemos entender que o episódio 4 aconteceu antes do episódio 3. Porém, os eventos que acontecem no episódio 4 só foram possíveis porque o Doutor os presenciou no episódio 3 e o exemplo que o Doutor dá para nós — e a Clara — sobre quem de fato criou a 5° Sinfonia é o mais claro.

Mas se você, leitor, ainda esta com um nó na cabeça, podemos entender dessa forma: imagine que um viajante no tempo compra uma cópia de Hamlet em uma livraria qualquer e volta à Inglaterra Elisabetana e entrega o livro a Shakespeare, que copia o conteúdo e o publica como sendo de sua autoria.Ao longo dos séculos, Hamlet é reproduzido incontáveis vezes até que uma cópia acaba indo parar na mesma livraria na qual o viajante no tempo encontrou o livro. Ele o compra novamente e o leva de volta a Shakespeare e o processo se repete. A pergunta é: quem, afinal, é o autor original da obra?

O elenco também merece destaque pelas interações precisas e orgânicas, desde O ´Donnell fazendo a fan girl e dizendo o nome de antigas companions, até a interação de Clara com Cass, que mesmo quando estavam sozinhas, sem ajuda do interprete Lunn, a vemos falar e gesticular com Clara.

A produção merece os parabéns pela forma humanitária com que trataram Cass, mostrando que a linguagem de sinais é como qualquer outra língua sem se ater ao uso de legendas para momentos como a Cass brigando quando Clara ou quando vemos Lunn dizer que a ama. Bravo!

Destaque também para a dublagem do Fisher King feita por Corey Taylor, vocalista da banda Slikpnot e fã assumido da série, que só pelo trabalho da voz consegue trazer a imponência do vilão.

Before de Flood é um episódio sem precedentes, com tudo no lugar. Roteiro, direção, produção e atuações impecáveis e cheios de easter eggs feitas por Whithouse e O´Hara como se fossem apenas por diversão, desde o esquilo que era relógio — mencionado em Under the Lake -, até o rosto do Fisher King em uma alegórica pintura no refeitório da The Drum.

De fato, a qualidade desta nona temporada continua a surpreender, trazendo todo este conteúdo de uma forma que estimula o conhecimento científico do espectador sem perder o foco do roteiro.

Semana que vem teremos o inicio do 3º arco, com The Girl Who Died — com a participação de Maisie Willians (de Game of Thrones). Ansiosos? Não esqueçam de comentar o que acharam do episódio e deem sua nota.

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