Doctor Who 9×05 — The Girl Who Died

The Girl Who Died explora elementos da mitologia nórdica e inicia questionamentos sobre a imortalidade, em Doctor Who.

Eu sei onde eu consegui este rosto, e sei o motivo. Para me lembrar. Para me prender a marca. Eu sou o Doutor. E eu salvo pessoas!WHO, Doctor.

The Girl Who Died nós traz a sensação de um episódio filler e uma estrutura narrativa familiar. De fato o é.

Escrito pelo showrunner Steven Moffat em parceria com Jamie Mathieson — veterano na série e responsável pelos excelentes episódios Mummy on the Orient Express e Flatine -, temos um episódio que estruturalmente é similar a episódios como Robot of Sherwood. E nos traz também nuâncias ao conto do universo expandido em A Lança do Destino, de Marcos Sedwing.

A situação dramática da “invasão extraterrestre” é amplamente usada no universo Who, o que, em certos momentos da narrativa, nos traz sensações de dejá vu. Percebam que o problema inicial apresentado, a Invasão dos Mire, é facilmente solucionado. O que torna o roteiro de Moffat e Mathieson interessante é como elementos da cultura viking são usados para solucionar o caso. Posteriormente, temos um uso pontual de metalinguagem com a própria série, ligando diretamente a The Fires of Pompeii para encerrar com a promissora discussão metafísica sobre imortalidade e a volta de seres híbridos.

Doctor Who 9x05

Porém. vamos por partes. Atente-se, leitor, que a construção narrativa dos episódios dessa temporada são semelhantes a construções narrativas da serie clássica e na era R.T.Davis, ou seja, temos referências — como no caso de Under the Lake — ou vislumbres, como neste episódio, de aventuras do Doutor que assim quando concluídas nos levam para a aventura do episódio do dia. Em relação ao futuro da série, estas pequenas janelas são ricas, pois criam não só materiais para a própria série como também para seu universo expandido, seja ele explorado nos quadrinhos, nos livros ou áudio — drama.

Os elementos da cultura viking neste episódio são muito bem inseridos, o que consegue passar ao expectador, por mais simples que seja — e aqui senti falta de uma apresentação mais estruturada do modelo político viking — , elementos culturais e religiosos dos povos nórdicos. A trilha sonora composta por Jamies Rich e Boots Randoiph se apropria muito bem desses elementos, e a direção de Ed Bazalgette usa esta trilha também como narrativa ajudando na construção emocional de momentos pontuais.

Devemos nos ater também, leitor, que os nórdicos eram ótimos contadores de histórias. Suas narrativas religiosas, diferente da hebraica-cristã, por exemplo, não eram registradas, e passavam para a posteridade de forma oral. O roteiro consegue evidenciar esta característica muito bem em Ashildr — interpreta por Maisie Williams, que falarei mais abaixo — , assim como a serpente usada para afugentar os Mires, uma evidência a Jormugand, serpente que na mitologia nórdica era uma fera tão grande que era responsável por prender ás águas do oceano e mataria o deus Thor quando chegasse o Ragnarok.

O roteiro também nos dá pinceladas de como a relação entre Clara e o Doutor está mais madura e profunda. Em vários momentos, vemos o Doutor dizer o quanto Clara é importante para ele. De fato, gostando ou não, Clara tem um peso dramático muito importante dentro da série, não só por ser A Garota Impossível, mas é através dela que o roteiro a usa para lembrar ao Doutor o por que ele escolheu aquele rosto, e em uma excelente montagem da direção de Bazalgette, temos referências a Fires of Pompeii e o Doutor se redescobrindo como herói.

Porém, Moffat e Mathieson não nos deixam esquecer que toda ação gera uma reação ee, ao salvar Ashilrd, somos novamente apresentados a estrutura de seres híbridos, como em The Witch´s Familiar. E assim eu os questiono. leitores. Seria esta a ligação para o que poderá acontecer à Clara?

As atuações de Peter Capaldi e Jenna Coleman estão a cada dia mais orgânicas, e isso transparece a nós expectadores, pois até os momentos de alívio cômico entre os dois não soam desconexos e desconfortáveis. Muito pelo contrário.

Maisie Williams, apesar da pouca idade, nos convence em seus momentos e faz um trabalho competente. Mas não é diferente do que já nos apresentou em Game of Thrones, afinal, na última cena Ashildr pode facilmente ser confundida com Arya Stark.

Ainda em tempo, o roteiro encerra a narrativa com um questionamento não só para o Doutor, mas para nós também. Seria a imortalidade mais um peso que uma benção? E as quais consequências que um ser híbrido pode trazer para a estrutura do universo?

Estes são levantamentos que veremos em The Woman Who Lived, próximo episódio que encerra este arco. E você, o que achou? Não esqueça de comentar e deixar sua nota para o episódio.

[taq_review]

Sobre o Autor

Avatar

BOXPOP

Site especializado em cultura pop, fundado em agosto de 2007. Confira nossos podcasts, vídeos no youtube e posts em redes sociais. Interessados em contribuir como autor no site podem entrar em contato: contato@boxpop.com.br

Deixe um comentário

clique para comentar

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

OUÇA O BOXCAST

VIDEOCAST

Lidio Mateus, o brazilian singer da internet, comenta todos os bafos e segredos de sua carreira.

Tem série nova na HBO e os bastidores dela foram recheados de TRETAS. A gente conta todas neste vídeo.

Esse é o filme que vai ganhar o Oscar de filme estrangeiro. Neste vídeo comentamos Parasite. Assista!

SEJA UM PADRINHO!

Contribua!

OUÇA ACABEI DE LER