Doctor Who 9×06 — The Woman Who Lived

The Woman Who Lived propõe excelente jogo cênico e levanta as consequências de uma vida quase imortal.

Precisamos dos temporários. Veja, os temporários sabem mais do que nós. Sabem o quão bonita e preciosa a vida é, por que dura pouco”. WHO, Doctor.

De fato leitor, ficamos chocados com a qualidade dos episódios desta nona temporada. É de cair o queixo. A equipe de Doctor Who de fato esta empenhada em fazer deste um ano exemplar, com diferentes nuances e propostas

The Woman who Lived não é diferente. Temos aqui um episódio que usa de uma narrativa filler para trazer mais perguntas e mostra a força cênica que um texto bem escrito tem, dando continuidade ao arco narrativo criado em The Girl Who Died,

O roteiro, assinado pela escritora inglesa Catherine Tregenna, que já assinou episódios para o spin-off Torchwood, bebe diretamente da fonte de textos dramatúrgicos tragicômicos dos palcos ingleses, nos entregando um episódio intrigante.

Doctor Who 9x06

Tregenna em nenhum momento ignora os fatos do episódio anterior, escrito por Steven Moffat em parceria com Jamie Mathieson. Ele dá continuidade ao dilema dos problemas da imortalidade.

O roteiro foi sábio ao usar o recurso do flashback. E a direção de Ed Bazalgette mais sabia ainda por mante-lós coloridos, usando uma palheta de cores mais austera para narrar os fatos que aconteceram a Ashirld — que agora atende pela alcunha de Eu.

O roteiro consegue trazer um interessante paralelo de vida e morte ao usar da mitologia grega, travestida de ficção científica ao inserir pontualmente a jóia conhecida como o “Olho de Hades”.

Na mitologia, Hades era o deus do submundo e do pós-morte, responsável por julgar as almas. Perceba que é um interessante paralelo para a drama de Ahildr / Eu, que após 800 anos vividos deseja apenas se ver livre da imortalidade pelos sofrimentos que a mesma o trouxe.

O episódio se torna mais interessante quando notamos que em uma ousada decisão não temos a presença da companion Clara Oswald (Jenna Coleman).

Sem a presença de Clara o roteiro de Tregenna se permitiu explorar várias perguntas, tanto metafísicamente, sobre a vida e sua duração, como sobre a solidão e importância de se compartilhar momentos.

Este jogo cênico é o ponto forte do episódio, que também só é possível pelas excelentes atuações de Peter Capaldi e Maisie Williams. Repare que este jogo permitiu não só momentos dramáticos de questionamentos e sentimentos sendo expostos, como de comicidade também. E eles são mais acentuados pela trilha de Murray Gold. E o jogo é rápido!

Maisie Williams rebate uma pergunta de Peter Capaldi com máxima rapidez e naturalidade, e o mesmo faz Capaldi ao rebater indagações de Williams. E este ritmo de ping-pong cênico é constante. Desde o encontro de Eu/Ashildr com o Doutor, até a cena do roubo, passando pelo encontro com Sam Swit e os momentos finais na praça de enforcamento.

Se na crítica passada apontei que Maisie Williams fazia pouca diferença na construção de Ashilrd a sua famosa Arya Stark, em The Woman Who Lived a mesma consegue mostrar nos trejeitos, postura e tons de voz a diferença que o tempo emplacou em sua personagem. Maisie se mostra uma atriz muito talentosa.

Ariyon Bakare, que dá vida ao homem-leão Leandro, também merece destaque. Apesar da maquiagem carregada, ele consegue empossar uma personagem imponente e implacável com sua postura e tom de voz.

As referencias e metalinguagem ao universo da série se mantêm presentes, como a citação ao Capitão Jack ou às mais sutis, como quando o Doutor informa Ashildr sobre o Grande Incêndio de Londres, que estava preste a acontecer. Fato provocado por sua quinta encarnação na série clássica.

É interessante que Tageren deixa implícito como Ashirldr/Eu obtinha algumas informações sobre o Doutor. Será Missy novamente, ou seria River? Sua presença já foi confirmada para o especial de natal deste ano.

Doctor Who segue firme em sua qualidade. A cada episódio nos traz interessantes questionamentos metafísicos, sem deixar de ser interessante.

O que achou deste episódio? Não esqueça de comentar e dar sua nota.

Semana que vem teremos mais um arco iniciado com The Zygon Invasion e a volta de Oosgod e da UNIT.

Allons-y!

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