Doctor Who 9×07 — The Zygon Invasion

The Zygon Invansion causa polêmica ao usar a crise da imigração na Inglaterra e questões de reconhecimento de identidade como metáfora.

Operação Duplo é uma operação secreta, fora das ações normais da UNIT, para reassentar e realojar uma raça alienígena sem segredo no Planeta Terra (…) Qualquer raça é capaz do melhor e do pior. E a minha não é exceção. ZYGON, Osgood.

Para entender este episódio da semana é necessário ter visto Death in Heaven e The Day of the Doctor. Caso você ainda não viu estes episódios, pare sua leitura por aqui.

Pete Harnes é um roteirista polêmico. O mesmo escreveu para a 8° Temporada o interessante episódio Kill the Moon, que usa elementos da ficção-cientifica para falar sobre o aborto.

Agora, em The Zygon Invansion, o mesmo retorna com um roteiro feito de camadas e que usa dos elementos da ficção-científica e dos personagens de Doctor Who para falar sobre a atual crise da imigração, terrorismo e de forma paralela, e mais velada, sobre identidade de gênero e de reconhecimento enquanto indivíduo.

Doctor Who 9x07

Após os acontecimentos vistos em The Day of the Doctor, os humanos representados pela UNIT firmaram um tratado de paz com os Zygons. Seres extraterrestres, que por terem seu planeta natal destruído na guerra do tempo, ficaram sem patria, se refugiaram em nosso planeta azul.

O tratado de paz permitia que 20 milhões destes seres, que são metamorfos por natureza, possam a assumir a forma humana e viver pacificamente entre nós — o que leva os Zygons a renegarem algumas de suas características naturais.

Este aspecto do tratado faz que a nova geração (alguns já nascidos na Terra), não aceitem a imposição. Assim, um grupo separatista de Zygons extremistas é formado.

O roteiro é muito bem calcado nas relações políticas que os seres humanos apresentaram ao longo de sua história contemporânea. O tratado de paz é quebrado quando o grupo separatista de Zygons sequestra Osgood, que é a personificação do acordo de paz.

A direção do australiano Daniel Nettheim é muito precisa em construir estes momentos políticos. Ele usa câmeras de vigilância para mostrar o momento do sequestro, até o uso da linguagem de vídeo amador, com pouca iluminação (e um logo próprio do grupo extremista) quando vemos Osgood refém gravando um vídeo com as exigências dos separatistas.

A direção evidentemente se baseia nos vídeos dos jornalistas ingleses, reféns de grupos extremistas islâmicos. O que traz um tom muito real, por mais ficção que seja. Ao mesmo tempo, apresenta muita tensão à narrativa.

O clima de paranoia também é muito bem construído em uma acertada escolha ao usar momentos com a câmera na não, quando vemos, por exemplo, os soltados da UNIT cercarem a igreja. Com esta linguagem a direção consegue trazer a ideia de que realmente estamos em guerra.

A trilha sonora, composta por Murray Gold, novamente se torna essencial para os momentos de suspeita dos personagens, que se indagam a todo instante se a pessoa ao seu lado é de fato um ente querido ou um Zygon infiltrado.

O enredo torna-se mais interessante quando usa a situação dramática de separar os personagens em pequenos grupos. Assim, três focos narrativos são formados em três diferentes locais.

Kate, na cidade do Novo México, no EUA. Clara e parte da UNIT em Londres e o Doutor no Turcomenistão, país que faz fronteira com o Afeganistão e o Cazaquistão.

E por mais que as ações dos Zygons separatistas soe extremista e até terrorista, é interessante notar que subliminar a esta questão de assentar seres imigrantes na Terra, há o discurso sobre a aceitação de identidade.

Este discurso está presente não só na justificativa dos Zygons extremistas, que chegam a matar até os da sua própria raça que vão contra as suas ideologias, como também está presente na conversa entre Osgood e o Doutor.

A atriz Ingrid Oliver, que interpreta de forma muito interessante Osgood, consegue trazer as nuances de uma pacifista quando a mesma explica ao Doutor que é ofensivo perguntar se ela é Humana ou Zygon, e que não há mal nenhum nela ela se sentir como os dois seres. Isso leventa novamente a questão de seres híbridos que permeia esta temporada.

As atrizes Jemma Redgrave e Jenna Coleman, que vivem respectivamente Kate e Clara também merecem destaque pela forma que conduzem suas personagens aumentando no expectador o clima de paranóia, bem pontuado nas cenas finais.

O trabalho de metalinguagem à própria série também continua, o que só enriquece mais o episódio. O clima tenso apresentado é uma influência direta do arco da série clássica The Terror of Zygons, além de pequenas referências aos audiodramas, sendo a Casa Segura da UNIT uma possível referência a casa do próprio Doutor mencionada nos áudios produzidos pela Big Finish.

The Zygon Invasion é um excelente episódio que mostra que Doctor Who não é mais uma “série de crianças”, o DNA educacional ainda continua, a diferença é que agora a série gostando ou não cresceu. E para falar sobre política é necessário crescer.

E você leitor, o que achou deste episódio?

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