Doctor Who 9×11 — Heaven Sent

Heaven Sent usa e abusa da simplicidade para criar o melhor episódio de Doctor Who até agora.

Diga para eles que eu cheguei pelo caminho longo.” — DOUTOR, O

Doctor Who está em sua nona temporada da série nova. O Doutor, de uma forma ou outra, ocupa seu espaço nas nossas mentes desde 1963. Com mais de cinquenta anos de histórias, é difícil inovar. Mas, de alguma maneira, Doctor Who conseguiu e criou o melhor episódio da temporada e até da série.

Cinco coisas fazem Heaven Sent ser o episódio perfeito. A primeira é o roteiro de Steven Moffat. No controle da série desde 2011, Moffat tem seus problemas. Muitas vezes ele acaba concluindo suas histórias com finais sem sentido. Seus companions, particularmente as mulheres, são muitas vezes “a pessoa mais especial do mundo porque X”. Algumas de suas histórias chegaram a ficar cansativas, como no caso de vários episódios da sétima e oitava temporada.

Mesmo assim, Moffat consegue escrever belos episódios ocasionalmente. Em vez de se perder em inúmeras referências da mitologia de Doctor Who, Heaven Sent tem um personagem, um vilão e um cenário. Similar ao clássico Blink, Moffat usa a falta de ingredientes para deixar o episódio mais íntimo. Este é um episódio onde o Doutor pula de uma janela, mas tudo parece menos grandioso, especialmente quando comparado a The Zygon Invasion/The Zygon Inversion.

Um roteiro simples e íntimo não garante um episódio excelente. Por isso que a direção de Rachel Talalay ajuda. Seus episódios anteriores incluem Dark Water/Death in Heaven, mas em Heaven Sent ela coloca a câmera na posição de perseguidora e perseguida. Sob o olhar da câmera, cada corredor vira uma perseguição infinita, um medo sem fim.

Como o episódio tem só um personagem, a câmera tem muito o que fazer. O silêncio se torna uma grande arma de Talalay, que usa a chance para incorporar elementos visuais que se repetem durante o episódio. Por exemplo: a TARDIS se torna uma metáfora visual para o estado mental do Doutor e Talalay consegue transmitir milhares de pensamentos com apenas uma imagem.

No comando do episódio está Peter Capaldi, que entrega sua melhor performance como o Doutor desde que entrou na série. Capaldi usa o roteiro de Moffat e a direção pessoal de Talalay para capturar a imaginação e atenção do público, fazendo com que eles se segurem em cada palavra de seu personagem. O ator consegue evitar a síndrome do ‘estou proclamando coisas para o público’ e tira ouro de um momento em que seu parceiro de cena é uma parede.

Heaven Sent é um episódio que só teria funcionado com Capaldi. Matt Smith e David Tennant eram excelentes Doutores, mas eles não tinham a habilidade de fazer monólogos poderosos como os Doutores da série antiga, dependendo mais do exagero e da comédia para acentuar os momentos dramáticos. Capaldi não precisa disso. Todas as suas falas são janelas para a mente do Doutor, cada ponto final é uma chance de transformar as palavras de Moffat em realidade.

Mas Capaldi também entende o poder do silêncio, onde o trunfo secreto de Doctor Who se revela: Murray Gold, o compositor da série, que diminui a natureza espalhafatosa da trilha sonora de outros episódios em troca de instrumentos básicos para acompanhar a claustrofobia proporcionada pelo cenário.

A última parte essencial para a produção de Heaven Sent é tudo aquilo que não consideramos: o design da série. Desde o vilão, que poderia facilmente entrar no campo do exagerado com suas óbvias luvas de borracha, ao castelo em si, que parece velho o suficiente para deixar implícito os bilhões de anos de história que suas paredes escondem.

Estranhamente, a parte menos importante do episódio é a continuação da história do Hibrido, presente na temporada inteira. Heaven Sent funciona muito mais como uma análise do Doutor lidando com a tristeza após a perda de Clara em Face the Raven. No final, este tema compreensível ajuda a estabelecer uma base para o próximo episódio, que promete a volta dos Senhores do Tempo.

Não importa se Hell Bent for ruim. Mesmo sem a história da temporada ou os eventos que precedem e sucedem o episódio, Heaven Sent é uma excelente hora de televisão e uma fascinante hora de Doctor Who. Que venha o season finale.

O que você achou de Heaven Sent? Deixe sua nota abaixo e comente. E obrigado por ler esta crítica! Semana que vem o Tiago está de volta com a crítica do season finale, Hell Bent!

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