Doctor Who 9×12 — Hell Bent [Season Finale]

Em Hell Bent, Doctor Who encerra de forma excelente sua nona temporada.

Nada é triste, até que se acabe”. WHO,Doctor

Que temporada! Apenas…Bravo!

Hell Bent é aquele tipo de episódio que enche os olhos de qualquer amante do audiovisual. Seja pela técnica, pelas atuações, pelo desenvolvimento da narrativa ou pelas reviravoltas inesperadas aplicadas ao roteiro, não da para negar a qualidade desta 9° Temporada.

Escrito por Steven Moffat, o episódio encerra de forma inesperada o arco criado ao longo de sua temporada e de forma proposital deixa em aberta inúmeras interrogativas. Repare leitor que este aspecto é extremamente rico, pois são essas inúmeras questões, que a principio parecem não resolvidas, as responsáveis não só pela longevidade da série, mas também pelos ganchos narrativos a serem explorados em futuras temporadas e no chamado Universo Expandido de Doctor Who.

Dando continuidade ao também excelente Heaven Sent, o episódio oficialmente traz Gallifrey de volta ao nosso universo, escondido próximo ao fim dos tempos, para sua própria segurança. Como os Time Lords conseguiram se descongelar de seu universo compacto e voltar ao nosso é uma nas inúmeras perguntas propositalmente deixadas em aberto.

Doctor Who 9x12

Gostando ou não do atual showrunner, não há como contestar a qualidade do desenvolvimento do roteiro e das inúmeras referencias e metalinguagem com a própria série, além de em um segundo plano o roteiro trazer questionamentos metafísico e posicionamentos políticos.

Repare leitor que em Hell Bent, vemos o quão longe o Doutor pode chegar em nome de sentimentos tão mistos por suas acompanhantes. Todo o gancho sobre o híbrido, que aterrorizava o alto conselho de Gallifrey foi apenas uma manobra do Doutor para o mesmo poder salvar Clara de sua eminente morte, mostrada em Face The Raven. E assim de forma inesperada Clara volta a narrativa, congelada entre seu penúltimo e ultimo batimento cardíaco.

Toda esta eminencia do Doutor em salva-lá não é nem de longe exacerbada. Desde que foi introduzida na série, em Asylum of the Daleks, a Garota Impossível teve importantes e significativos papéis. Não só ao salvar o Doutor em The Name of the Doctor, como parte de Clara a iniciativa de questionar o Doutor em The Day of the Doctor para salvar Gallifrey, e assim também é de iniciativa dela em The Time of the Doctor convencer os Time Lords e darem um novo pacote de regenerações ao Doutor.

E de forma inteligente sobre as múltiplas interpretações que uma profecia pode ter, é nos momentos finais do universo — literalmente — que se revela que o híbrido é a relação entre o Doutor e Clara. Tão forte e tão poderosa que levaria as ruínas do tempo, tornando Clara um espectro do Doutor, com direito a uma TARDIS só sua e uma acompanhante. (Clara Who?)

Em um segundo plano, Steven Moffat, através de seu roteiro traz um interessante questionamento metafisico, na figura de Ashilrd/Me, colocando em voga: O que aconteceria com um ser imortal quando o espaço não existir mais? O que vai de encontro com as atuais teorias da astrofísica sobre os limites e formas do Universo.

E mesmo que em pequenos momentos, o roteiro se mostra politizado — e crítico, por que não? — ao presenciarmos a regeneração de um Time Lord general, homem e branco em uma mulher e negra. Levantando mais uma vez a polêmica de um possível Doutor negro ou mulher, ou os dois.

A direção de Rachel Talalay é um primor a parte. Inspirada nos filmes do gênero westerns spaghettis e nas obras do diretor Sergio Leone, o retorno do Doutor a Gallifrey torna-se um verdadeiro ensaio do gênero, dentro do já estabelecido gênero de ficção-cientifica da série.

A trilha de Murray Gold, usada de forma eficiente pela direção, estabelece junto com a narrativa os momentos mais dramáticos, seja a tensão em Gallifrey, o encontro com Clara, a revalção sobre o Híbrido e a despedida final.

Mas não há como negar que o destaque do episódio são as atuações de Peter Capaldi, Jenna Coleman, Maisie Willians e a participação mais que especial de Donal Sumpter como Rassilon, que já participou de Doctor Who em 1968 no arco The Wheel in Space e posteriormente em 1972 no arco The Sea Deavils.

Maisie Willians se mostra uma atriz muito madura para sua idade, conseguindo passar as diferenças psicológicas que sua personagem sofre ao longo dos séculos em olhares e trejeitos mínimos, mas soando totalmente diferente em suas varias aparições pela temporadas.

Peter Capaldi e Jenna Coleman mostram toda suas raízes dramáticas teatrais no momento final em uma interessante referencia ao 10° Doutor e Donna, só que as avessas, sendo desta vez o Doutor o afetado e perdendo sua memória sobre a existência de Clara.

Hell Bent é um excelente episódio e torna-se um verdadeiro ensaio sobre até que ponto os sentimentos de carinho e fraternidade por seus amigos podem levar um homem.

E você leitor, o que achou de Hell Bent? Deixe sua nota e seu comentário sobre o episódio. E nos vemos pela última vez em The Husbands of River Song, episódio especial de Natal, que você confere no vídeo abaixo.

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