Doutor Estranho surpreende com qualidade visual e universo místico da Marvel

Um pouco de Tony Stark e uma pitada de Dr. House. Pronto, esse é o Dr. Estranho que foi para as telonas, e ficou incrível!

O herói mais peculiar da Marvel ganhou finalmente uma adaptação para o cinema pelas mãos do renomado diretor de filmes de terror, Scott Derrickson, que tem em seu currículo filmes como A Entidade, de 2012, e o perturbador O Exorcismo de Emily Rose, de 2005. Agora, tem o desafio de levar o mago supremo dos quadrinhos às grandes telonas, e renova as esperanças de ainda mais conteúdo de um lado Marvel que ainda era pouco explorado, com esse universo místico/sombrio.

Doutor Estranho (Doctor Strange em inglês) foi criado na década de setenta pelas mãos de Stan Lee e Steve Ditko, que logo se popularizou por ter conteúdo diferente e personagem carismático, com suas frases de efeito e dramaticidade como maior atrativo, além é claro, de seus poderes e conjurações mágicas. O personagem se difere dos demais por não ter porte físico musculoso, geralmente atribuído à heróis de quadrinhos, sua força se faz misticamente por seu domínio de magia em um mundo fantasioso cheio de perigos das trevas. No final do ano passado foi revelado que haveria um filme solo do personagem com Benedict Cumberbatch dando vida ao mago.

No filme, o background do famoso personagem foi mantido, ainda um neurocirurgião egocêntrico que em um inesperado acidente de carro acaba sofrendo danos irreparáveis em suas mãos, ficando com sequelas e consequentemente não podendo exercer sua profissão. Acontece que adicionaram ainda mais dramaticidade no meio dessa trama, para validar suas diversas tentativas de cura, assim como nas HQs, ele de forma ocasional ouve sobre uma certa anciã que supostamente pode cura-lo; já sem esperanças, ele aposta suas últimas fichas nisso.

Vamos aos pontos das maiores mudanças em relação HQ/filme, de início foi trocado o sexo do personagem ‘Ancião’, que originalmente é homem, além da polêmica na mudança de sua etnia, sendo agora interpretado por uma uma mulher, branca e ocidental, mantendo tudo sob o pano de fundo de guiar e ensinar o homem arrogante a se tornar um aliado na luta contra as forças do mal. Isso causou a ira dos ativistas, que acusaram Tilda Swinton, — escalada para o papel da anciã — de ser condizente com o famigerado whitewashing. Ter representatividade nos filmes é importante, mas precisamos, acima de tudo, recorrer ao contexto e época vividas. A justificativa para a grosseira mudança foi evitar conflitos políticos entre China e Tibet, evitando também problemas comerciais para a Marvel, e ainda desconstruir estereótipos racistas que vinham com o personagem. Em contrapartida, se deixaram as características tibetanas do Ancião de lado, temos Benedict Wong, um asiático como o guardião Wong.

Tilda Swinton em Doutor Estranho (2016)

A marca sempre se preocupou com minorias, essa atitude vem se espalhando cada vez mais em seus projetos formados por asiáticos, negros, gays, muçulmanos, e a lista só vem crescendo. Nessa mesma esfera, o filme também traz outra mudança importante: Barão Mordo, que é um cara caucasiano da Transilvânia nos quadrinhos, desta vez é negro e interpretado por Chiwete Ejiofor, que dá novas camadas ao personagem.

Chiwetel Ejiofor e Benedict Cumberbatch em Doutor Estranho (2016)

Tudo isso se encaixa de forma sucinta, e consegue manter um jogo de cintura com a trama principal, fica até difícil pensar de forma diferente da que está sendo mostrada. Os personagens são convincentes o bastante para dar vida à história sombria que se passa em paralelo com o mundo real.

Um dos pontos mais positivos do filme é a imensa qualidade visual, que chama a atenção logo nas primeiras vertigens de poder. A cena que a anciã explica sobre a existência de outros universos, de forma narrada e didática para Strange é uma das melhores montagens com efeitos atualmente; cada segundo foi pensado para dar a sensação de esplendor sobre o vasto universo e seus segredos.

Encontraram uma forma original de mostrar toda a gama de magia e poderes místicos que divide o mundo real das demais dimensões. Cenas verdadeiramente de tirar o fôlego e fazer qualquer um se impressionar com os efeitos arrebatadores. Mas não é só visualmente que o filme ganha pontos positivos, temos também o desenvolvimento do personagem principal, que também merece destaque sobre o conjunto da obra: esse novo herói destaca-se por ser volátil, um egocêntrico de primeira, e claro, sem esquecer da sua marca: o seu enorme ego inflado e humor irreverente compõem Stephen Vincent Strange. Podemos adicionar também um pouco de Tony Stark na receita e uma pitada de Doutor House. Pronto, esse é o nosso personagem que foi para telonas, e ficou incrível!

Benedict Cumberbatch em Doutor Estranho (2016)

Assim como aconteceu com Homem de Ferro, um dos maiores sucessos do studio, Doutor Estranho parece beber da mesma fonte, trazendo uma história de superação, recheada com muita ação e bom humor, tudo sobre um personagem icônico que se projeta de forma divertida, mas acata as responsabilidades de salvar o planeta quando é preciso.

A trama central foca nos dramas do personagem, mostrando sua aprendizagem e seu renascimento para magia com suas batalhas para tentar impedir uma iminente destruição da terra. Os Vingadores são diretamente citados no filme, justificando a diferença entre os heróis que combatem no plano real, com os magos, que tem como missão combater os inimigos mais sombrios de outras dimensões.

Talvez o que incomode um pouco é a justificativa do vilão. Previamente, em comunicados, foi avisado que Mordo, o traidor inimigo do herói nos quadrinhos, não seria o grande vilão da vez. O cargo ficou para Kaecilius, outro ex-aprendiz da anciã, que agora serve a Dormammu, um ser místico de outra dimensão, que pretende dominar todo o universo. Essa troca não é totalmente plausível, a motivação fica um pouco vazia, mas no geral não consegue tirar o brilho dos elementos bem construídos para criar a ambientação deste mundo, que é real e ao mesmo tempo não é. Esse jogo de verdade e fantasia fica ainda mais interessante nas sequências que eles se mesclam. Somente no final entendemos a mudança no enredo com os vilões. Mordo se mostra como um personagem que pode vir a se tornar algo de maior relevância com seu desenvolvimento ao longo do filme. Analisando, foi uma escolha esperta trabalhar nesse sentido.

Doutor Estranho abre novos caminhos a serem explorados pela Marvel, se torna um filme introdutório à esse novo universo místico bem sombrio, e não poderia chegar em melhor hora. Atualmente o cinema vive a era do diferente, o hype do momento é ser diferentão.

Já havíamos visto um pouco desse universo em Thor, mas agora mergulhamos de cabeça nesse mundo de fantasia. Com grandes efeitos, boa história e personagens carismáticos, o filme atrai pela ótima estética visual e grande poder carismático. É inegável ser um filme com tom mais pesado do que estamos acostumados com adaptações de heróis, mas facilmente com momentos descontraídos temos uma natural quebra, um alívio cômico bem distribuído. Um desenvolvimento satisfatório, com desfecho que serve ainda para provar o seu valor como herói, usando de inteligência e destreza a fim de acabar com as ameaças. Vale sua pipoca.Tudo culmina em um filme de apresentação ao grande público desse novo mundo, principalmente para aqueles que não estão familiarizados com HQs.

Como de costume, Stan Lee faz sua pontinha no longa em uma sequência importante, então corre para o cinema conferir! Além disso, tem duas cenas pós créditos que dão indícios do que vem por ai.

Doutor Estranho chega aos cinemas em 3 de novembro, mas com sessões de pré-estreia a partir do dia 2.

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