Downton Abbey 5×03 — Episode Three

– Não se esconda no passar dos anos minha querida, isto é chocante para a maioria das pessoas, mesmo em 1924.” CREAWLEY, Lady Violet.

Este foi definitivamente um episódio de transição, e como as transições da vida acontecem de forma cautelosa, que só percebemos depois, este episódio teve um roteiro morno, que poucas novidades trouxe, o que não chega a ser um defeito, mas deixou o episodio mais arrastado.

Como disse anteriormente, caminhamos para meados da década de 20, e o movimento feminista ganha cada vez mais força na emancipação da mulher, principalmente após a I Grande Guerra Mundial, onde as mulheres reivindicam direitos — e assumem seus papeis — iguais aos homens, como na gestão de negócios, direito a educação ou a valorização do trabalho, algo que Dayse faz voltando aos estudos , para poder um dia gerenciar a fazenda que herdou casando-se com William, em uma cena que, tenho certeza, levou todo mundo as lágrimas lá no final da 2º temporada.

Mais que isso, temos também a influencia da revolução sexual, quando Lady Mary finalmente vai para cama com Anthony Gillingham. Apesar deste ato tão revolucionário, Mary não esta certa se Gillingham é de fato quem ela deve escolher, ainda mais quando a mesma se dá conta que foi descoberta pelo valete de Lady Violet, trazendo uma excelente discussão com as duas em um evidente embate de ideologias morais e de gerações.

Downton Abbey 5x03

Enquanto que nas personagens femininas mais jovens como Dayse,Mary e Edith se mostram mais evidentes tais influências, nuanças deste mesmo movimento — e das consequências e vantagens que a I Grande Guerra trouxe — aparecem de forma mais contida nas personagens mais maduras, como Cora, por exemplo, que reclama da monotonia e lembra-se de forma saudosista da guerra, onde ela se sentia útil ao ter tarefas para cumprir, e por conta de tal monotonia deixa-se galantear por Simon Bricker que traz um frescor ao abalar o casamento de Cora e Robert.

E preciso deixar registrado todo o meu descontentamento e irritação que tenho com esta última personagem, Robert Crawley, que em minha análise é a figura que mais representa a monarquia e que pouco sabe lidar com os avanços do tempo, tornando o na maioria das vezes irritante.

Maggie Smith — sensacional como sempre! — trouxe a tona um pouco do passado da Viúva Condessa, quando Downton recebe a visita de um grupo de russos e a mesma se reencontra com um amor do passado, um Príncipe Russo, que pode colocar abaixo todo o seu discurso moralista no inicio do episódio. Tal vó, tal neta.

A direção de Catherine Morshead, que vem assinando deste o 1º episodio desta temporada, incomoda-me um pouco com os abruptos cortes secos, de uma cena para outra, fazendo a trilha sonora perder um pouco de seu brilho. Algo que me surpreende vindo de uma diretora tão talentosa e já com longa carreira.

As tramas vão se consolidando cada vez mais, e ainda ficamos no escuro se o Sr. Bates matou ou não o Sr. Green. Porem não podemos negar que de agora em diante serão as mulheres os grandes destaque deste ano, e assim eu espero, visto que em 1926 nasce Isobel II, a futura e atual Rainha Elizabeth II, o que acaba fortalecendo ainda mais os argumentos de emancipação e direitos femininos. Engole essa Robert!

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