Downton Abbey 6×09 — Episode Christmas Special [Series Finale]

Em episódio especial de Natal, Downton Abbey encerra sua trajetória com ternura e esperança.

Tudo chega a um fim.” BARROW, Thomas.

E foi na noite de Natal que a ITV finalmente exibiu o último episódio da sua consagrada série de época, Downton Abbey, chegando a atingir a audiência recorde de 6.9 milhões de espectadores. Fato é que este final — e esta crítica — não poderiam ser mais cíclicos, por vários motivos.

A sexta e última temporada trouxe excelentes episódios, porém arrastados demais para os padrões de séries televisivas. Isto torna-se ao mesmo tempo uma qualidade da obra, por retratar com certa precisão os acontecimentos do cotidiano e, ao mesmo tempo, um desafio, pois deixa em aberto algumas narrativas ou personagens que trabalhou ao longo da temporada.

Não à toa, seu último episódio, o especial de Natal, é de fato um longa metragem — que tantos fãs especulavam — tendo duas horas de duração.

O roteiro assinado pelo produtor Julian Fellowes, dentro dos 120 minutos, trata de forma delicada seus personagens, dando finais que talvez não agradem a maioria dos espectadores, mas que mostrou ao longo de seus seis anos soa coerente na maioria dos casos.

E é aqui que o roteiro pode ter comedido seu deslize, no medo de ousar, como fizera outrora nas primeiras temporadas. A forma como o roteiro conduz a paixão de Andy por Daisy pareceu abrupta e encaixada de última hora. Não que Daisy não merecesse ter um novo amor em sua vida, porém a forma como foi conduzido ofuscou o crescimento politico e social da personagem.

Apropriando-se dos conceitos judaicos-cristãos propagados no Natal de redenção, esperança e perdão, o roteiro consegue sabiamente usar os outros personagens para não só transmitir suas mensagens aliadas aos conceitos natalinos, mas ao mesmo tempo dar ênfase em seus finais.

Como Thomas, que ao finalmente encontrar a redenção e tornando-se um homem melhor, após a tentativa de suícidio, consegue não só o prestigio de seus colegas como também o posto de modormo de Downton, substituindo o Sr. Carson, que fora acometido pela doença de Parkinson.

Mary também consegue seu momento de redenção ao elaborar de forma novelesca o reencontro de sua irmã, Edith, com Bertie.

Já os outros personagens, divididos em duplas, proporcionaram ao espectador interessantes finais pautados na esperança, como Tom e Henry abrindo juntos uma concessionária de carros. Ana e Jon finalmente tendo um filho, em um momento muito interessante de inversão de papeis ao termos Mary despindo Ana para o trabalho de parto.

Mas não há como negar que o destaque do episódio é Lady Edith que reunindo em si os valores de esperança, perdão e redenção, finalmente teve seu merecido final feliz. Casando-se com Bertie e assim tornando-se Marquesa — um título maior que o de Conde, diga-se de passagem -, assumindo para todos, e principalmente para sua sogra, que Marigold é sua filha e perdoando e criando uma terna relação com sua irmã Mary.

A direção de Michael Engler, veterano na série, apesar de não ser inovadora é eficiente em conseguir construir lindos planos valorizando ora o cenário, ora a solidão ou tristeza de certo personagem, ora a alegria ou a redenção.

A trilha sonora de Robert Burns, muito bem aplicado pela direção, também é usada como elemento narrativo ajudando na construção da mise èn cene.

Downton Abbey deixará saudades em seus espectadores, pela linda trilha sonora, a majestosa direção de arte, tão primorosa nos mínimos detalhes, como poucas vezes vemos nas obras televisivas e claro, sua habilidade em retratar os altos e baixos das relações humanas.

Em tempo, quero agradecer a você, leitor, que acompanhou e comentou até aqui. Muito obrigado.

E obrigado também a toda a equipe do BOXPOP, pelo apoio e carinho, sendo este meu último texto para o site. E não poderia terminar de outra forma, sendo que minha primeira e agora última crítica, foi analisando sobre esta linda obra que foi Downton Abbey.

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