Dragão Vermelho (2002) | Crítica

Dragão Vermelho quebra estigma de seu antecessor com um bom filme, mas que não consegue alcançar sua obra primordial

Meu caro Will, você deve estar bem a esta altura… por fora, pelo menos, e espero que não esteja muito feio. Você agora tem uma coleção de cicatrizes. Nunca se esqueça de quem lhe deu as melhores e seja para sempre grato por elas. Nossas cicatrizes tem o poder de nos lembrar que o passado foi real.” — LECTER, Hannibal

Depois de levar às telas dois dos livros, tinha chegado a hora do público se encontrar com Dragão Vermelho nas telas. Mesmo que Hannibal (2001) não tenha agraciado tanto a opinião geral, ainda assim o filme chegou aos cinemas pouco mais de um ano depois de seu antecessor das telas.

Se Silêncio dos Inocentes é a obra prima da franquia e Hannibal a ovelha negra, Dragão Vermelho ficou no meio do caminho. Bem perto de Silêncio e longe dos erros dos filmes anteriores. Inclusive, tentando compensar uns, ele acabou criando os seus. Se deu uma passada aqui no Box para conferir a crítica de Silêncio dos Inocentes, viu como Buffalo Bill tem pouca presença no roteiro. Aqui em Dragão Vermelho a situação se inverteu. Tudo é sobre Will e Dolarhyde, chegando a deixar Hannibal de lado.

A presença do canibal através do filme não foi tanta, com direito até mesmo a uma grande cena que ele só teve presença de tela. Foi até desperdício. Mas, todas as cenas em que o canibal esteve ali foram ótimas e mostraram muito bem porque amar o personagem. O jogo psicológico que ele faz com Will é bom e merece ser citado. Não supera o de Clarice, mas tudo bem.

Dragão Vermelho

O Francis Dolarhyde de Ralph Fiennes foi assustador e incrível. Aplausos para a entrega incrível que ele deu ao personagem. Ao contrário do que viria na década depois, na série, o Dragão Vermelho aqui é selvagem e bruto. A maneira com que ele ataca Lounds com uma voracidade absurda, revela isso e causa um pouco de arrepio. E a maneira com que decidiram retratar o personagem ao longo do filme foi excelente, quase em um processo de remover as camadas do personagem uma por vez e é possível sentir um pouco de piedade na medida que Reba se aproxima.

A atmosfera do filme quase segue esse ponto. Silêncio trouxe uma fotografia e atmosfera fria, Dragão Vermelho seguiu os passos de Hannibal (2001) e trouxe um clima bem mais puxado para o thriller policial e isso chega a ser um pouco de defeito. Por mais que a trama, se reduzida, não consiga escapar de ser uma história policial, não precisava fazer isso (a série viria provar isso mais tarde).

Will, aqui, não demonstra muito bem suas capacidades. E mesmo que o filme tente demonstrar a captura de Hannibal, o roteiro e Norton não conseguem demonstrar a dificuldade que é trabalhar novamente com ele para pegar Dolarhyde. No restante, Norton consegue alcançar o seu personagem e, dentro do que se propõe, entrega bem. Não foi incrível, mas também não tem dizer que foi ruim.

Além disso, a presença de Seymour Hoffman como Freddie Lounds deu um quê a mais na trama, que casou muito bem com tudo. Por mais que seja uma espécie de escape, o personagem, a cretinice dele, é compensado com uma morte catártica. E, como a cereja do bolo, temos um arranjo musical organizado por Danny Elfman, que casou muito bem a trilha sonora em todo momento.

Infelizmente, Dragão Vermelho não conseguiu alcançar Silêncio dos Inocentes. Mas, ainda sim, consegue ser um filme excelente e que conseguiu alcançar justiça à saga de Hannibal. Existe espaço para melhoras? Com certeza. E mesmo assim alcançou altíssima qualidade.

E você, já assistiu Dragão Vermelho? Se não, confira o trailer. E não se esqueça de dar a sua nota para filme e comentar.

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