É fácil fazer uma série de TV?

Séries de TV vêm e vão. E às vezes até voltam. Mas entre a idealização e a realização há um caminho muito grande a percorrer. A pilot season é um período fascinante da televisão. São cerca de quatro meses planejando o que irá ao ar ao longo do ano. Nesse ínterim, diversos projetos são apresentados ao público, mas nem todos chegam a se tornar realidade. De fato, quase a metade não será nem considerado.

Falta de criatividade? Altos custos de produção? Script sem contexto? Qualquer pode ser o motivo da desistência de um projeto ou — caso se torne uma série — o cancelamento da temporada. A Com Texto e História propõe falar sobre a montagem de uma série de TV, desde a ideia até a concretização.

Antes de qualquer coisa, precisamos repartir a produção de uma série televisiva (ou de qualquer tipo de programa) em três: pré-produção, produção e pós-produção.

A pré-produção é a fase de montagem do projeto, com a idealização, a descrição, a contratação da equipe etc. O primeiro a ser contratado e — consequentemente — contrata os demais é o showrunner. Cargo que é, geralmente, de responsabilidade do criador do conceito, ele se contrabalanceia entre a direção e a elaboração do script, além de dar suporte ao elenco, tentando manter todos alinhados. Após vem os roteiristas e produtores, que assumem, respectivamente, a parte criativa e a parte administrativa do show.

O primeiro é um cargo indispensável por meios legais (quem não se lembra da greve do sindicato dos roteiristas em 2007, que atrasou algumas séries?). Quando todos estão acertados, é a vez de contratar o elenco. Alguns papéis e/ou seriados são feitos para atores específicos, e algumas vezes, não há nenhuma opção disponível para representar a personagem. Aí que entra a direção de elenco, que contrata uma agência de talentos, que oferece seus artistas. Antes de acertar os detalhes artísticos do show, são cerca de 80 profissionais que são selecionados para rodar o programa, dentre eles a equipe de arte, que monta os cenários e pensa os figurinos, e a equipe de fotografia, responsável pelas gravações.

A produção é a parte da elaboração mais ativa de um projeto, e que tem ação direta do produtor. Ele agendará os ensaios e marcará as locações e, assim, as gravações. A escolha das locações é uma parte essencial nessa etapa, e que também influencia bastante no roteiro do piloto. E aí a questão financeira é também outra face da moeda. Estúdios fechados para gravação podem custar muito caro, dependendo do período em que o trabalho será realizado. A opção mais viável, nesse caso, são as locações abertas, em cidades.

Once Upon A Time e Bates Motel, por exemplo, são conhecidas por gravar no Canadá. Algumas se dividem ente Los Angeles, e outras cidades, como Glee. Os estúdios, no entanto, oferecem manipulações para a produção, que não são viáveis em locações, como o controle de iluminação e som. Mas em algumas séries, como Scrubs, que era gravada em um hospital abandonado, as locações dão vantagens estéticas ao show.

Outra decisão a ser tomada na produção é se a atração será gravada em uma ou em mais câmeras (single camera e multi camera, respectivamente). Em uma câmera, várias tomadas são feitas, e pode-se editar conforme a vontade da equipe, e cada fala seria gravada separada, depois montada, permitindo o melhor ângulo para a cena. No caso da multi câmera, os diálogos são gravados integralmente. Geralmente, é a opção para programas em que o tempo de espaço entre a gravação e a exibição é pequeno. Nesse sistema, é permitida a presença da quarta parede, que é representada pelo auditório e pelas câmeras. Programas como Will and Grace e o nacional Vai que Cola são exemplos disso. Os atores fazem ensaios diante da plateia, e depois gravam as cenas.

Depois de editado, o episódio piloto é enviado para os executivos das emissoras para avaliação, que, assim, determina qual recebe a tão desejada luz verde. Segundo estatísticas, cada rede compra cerca de 30 projetos, dentre os quais aproximadamente dez são gravados, e deles são escolhidos dois que se tornarão séries de fato.

Decidido isso, chegou a hora de apresentar os projetos que brigarão pela audiência: os upfronts. Embora encha os fãs de séries de expectativa pelo que estar por vir, os upfronts são eventos destinados aos anunciantes, para que escolham em qual série colocarão seus comerciais, entendendo a proposta da atração e que tipo de público pode atrair. É o momento que a rede também anuncia como estruturará sua grade na fall season, período mais importante da TV.

Mas ir ao ar simplesmente não garante que a série vire um Doctor Who da vida. A grande maioria começa com o índice de treze episódios, e de acordo com o desenvolvimento — que vai depender do horário e do dia de exibição — receber ordem de temporada completa, com vinte e dois episódios. Nos primórdios da TV, as temporadas completas tinham cerca de 40 episódios. Isso seria o paraíso para algumas, e a condenação de outras, não é mesmo?!

Aquelas que atingem o número de cem episódios ficam passíveis do syndication, que a distribuição das temporadas para outras emissoras, aumentando assim a sua arrecadação. A prova de fogo é a sweeps week, uma semana com episódios inéditos em todas as séries, e elas terão que provar que sustentam a audiência lá em cima com reviravoltas e cliffhangers em seu roteiro.

Algumas, no entanto, não conseguem atender às expectativas da emissora, e são canceladas. Hoje, com os serviços de streaming, há a possibilidade de salvar as atrações finalizadas em plataformas digitais, para alegria dos fãs. Mas algumas não têm a mesma sorte de Community, e pode levar um tempo para voltar ao ar, como The Killing. E têm aqueles criadores que não desistem até ter programas seus exibidos na TV, como no caso de Barry Sonnenfeld, que depois de várias tentativas, conseguiu emplacar com Pushing Daisies.

Então, é fácil fazer uma série de TV?

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