Emmy Awards 2017: o ano das boas surpresas

Com muita diversidade e discurso contra o sexismo e a opressão, Academia de Televisão incentiva a revolução.

Nada mais interessante do que ser projetado para outra dimensão. E foi isso que o Emmy Awards fez conosco este ano. O mundo real, assustador e incerto como atualmente, ainda precisa revisitar a representatividade, diversidade e inclusão. E é neste mundo, festivo e colorido, apresentado na cerimônia deste domingo, que queremos viver.

Como esperado, a pauta principal da noite foi o presidente Donald Trump — e não engane, com um pouco mais de coragem podemos fazer o mesmo com o nosso. Com alívio cômico, do início ao fim, o apresentador Stephen Colbert apontou o dedo para o líder dos EUA sem medo de repercussão, o que encoraja a indústria a fazer o mesmo. Como apontado por Bruce Miller, produtor de The Handmaid’s Tale, há muito o que fazer ainda, e cada um fazendo sua parte, a gente chega lá.

No topo da lista de vencedores, duas produções diferentes apontam formas de como a sociedade oprime as mulheres: The Handmaid’s Tale, da rede de streaming Hulu, e Big Little Lies, da veterana HBO. E esse é apenas um dos grandes momentos femininos que o Emmy nos presenteou este ano.

Reed Morano e Lena Waithe fizeram história nas categorias de direção; o episódio San Junipero, Black Mirror, um conto de amor entre duas mulheres, foi reconhecido duplamente; Jane Fonda, Dolly Parton e Lily Tomlin nos relembraram que, até na ficção, um homem “fanático sexista, egoísta, mentiroso e hipócrita” não tem vez.

Lena Waithe é a primeira mulher negra a vencer na categoria de roteiro para comédia, por Master of None.

Junto a elas, Donald Glover também marcou a noite como o primeiro diretor negro a vencer a categoria de comédia, sem falar na dobradinha com a vitória como ator principal. O ator inclusive, teve discursos de aceitação tão inteligentes quanto sutis — em um deles, agradeceu ao Presidente Trump, reforçando que a TV tem sim a missão de questionar a opressão.

Os premiados da noite não são apenas nomes que agradam a pauta liberal: é o retrato do que a sociedade realmente é. De certa maneira, mostra o quanto a TV ainda precisa mudar para ser uma pintura fiel do que vemos ao redor.

Mulheres ainda são objetificadas. Sexualidade ainda é tratada como tabu e cercada de estereótipos. E por trás das câmeras, as oportunidades ainda são proporcionalmente desiguais. Ainda precisamos voltar no discurso de 2015, quando Viola Davis fez a audiência cair em lágrimas: “a única coisa que separa mulheres de cor de qualquer outra é oportunidade. Você não pode vencer um Emmy por papéis que simplesmente não existem”.

É sobre isso que se trata a vitória de Big Little Lies. Reese Witherspoon apenas cansou de correr atrás de oportunidades, então fez acontecer. Com a excepcional direção de Jean Marc-Valleé, fez vulnerabilidade e energia feminina serem representadas de igual para igual, sendo capaz de derrotar um dos maiores exemplos de como a indústria pode destruir as relações entre as mulheres, como a antologia FEUD: Bette and Joan.

As musas de Big Little Lies derrotaram as divas de Feud, e deixaram Cicely Tyson sem palavras.

Aliás, a tendência da academia de premiar estrelas de cinema e atores britânicos foi deixada de lado — pelo menos desta vez. Com elogiado desempenho em Westworld, Anthony Hopkins saiu da premiação sem a estatueta. Mas em seu lugar, Sterling K. Brown retornou ao palco para receber o prêmio por This is Us, a odisseia familiar da TV aberta americana.

De outro lado, Elizabeth Moss, veterana da TV e das premiações, brilhou com sua performance distópica em The Handmaid’s Tale, deixando para trás a vencedora do Globo de Ouro Claire Foy, de The Crown, e a notável Evan Rachel Wood, também da série da HBO.

Aguardamos ainda a vez de Titus Burgess (Unbreakable Kimmy Schmidt), RuPaul’s Drag Race subirem ao palco, assim como Rachel Bloom, que com um número musical animador provou que tem inteligência e timing para liderar o palco das premiações no futuro.

Seria mais uma vitória do público, afinal se a estatueta do Emmy é uma drag queen, gênero não pode ser uma barreira.

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