Encontro de gerações em Creed: Nascido para Lutar

O spin-off de Rocky mostrou que é possível contar uma boa história sobre a jornada de um herói que atravessa gerações.

O boxe é um dos esportes mais amados do mundo. E Creed: Nascido Para Lutar celebra isso. O esporte reúne plateias grandiosas e deixa todos vibrados em tudo o que gira em torno de uma luta, desde o treinamento dos pugilistas até o tão esperado momento. Para um lutador, assim como todo esportista, uma das coisas mais importantes de sua carreira é ser lembrado por seu legado e ter o seu nome respeitado. É justamente isso que retrata Creed: Nascido para Lutar, filme derivado da franquia Rocky que chega aos cinemas brasileiros em 14 de janeiro com distribuição pela Warner Bros Pictures Brasil. Confira o trailer:

Com direção de Ryan Coogler, a produção aborda a história de Adonis “Creed” Johnson, um menino que se vê sozinho em meio a um ambiente extremamente pesado até ser adotado em 1998. Após muitos anos, já adulto e com uma carreira em ascensão, ele decide seguir o mesmo caminho que seu pai, o lutador Apollo Creed, e entra no mundo das competições profissionais de boxe. Para isso, ele busca a ajuda de Rocky Balboa, que vive sozinho após os acontecimentos dos filmes anteriores.

O protagonista, Adonis Johnson, é vivido de forma excelente por Michael B. Jordan. Seu personagem nunca conheceu seu pai, que faleceu antes de seu nascimento. O jovem, ainda problemático e com um passado conturbado, acredita que no boxe ele encontrará sua vocação e propósito de vida. Deve-se destacar também o trabalho de Alex Henderson, que interpreta Adonis quando criança. Ele “destrói” e mostra que futuramente ele brilhará no cinema.

Sylvester Stallone nasceu para ser o Rocky. É impossível pensar em outro ator para esse papel. O grandalhão sabe como ninguém transmitir a longevidade do lutador e mostrou que, mesmo após tantos anos, o personagem não perdeu sua essência e seu caráter. Além disso, ele demonstrou o amor que tem a franquia, pois, além de atuar, o italiano produziu a película.

Tessa Thompson é a grande surpresa do filme. A atriz, conhecida pelos seus trabalhos nas séries Veronica Mars e Hidden Palms. dá um show de atuação e encanta na pele de Bianca, uma jovem cantora que precisa superar problemas pessoais para encontrar o sucesso em sua carreira. A personagem não é apenas “o par romântico do protagonista”, mas sim, uma mulher forte, que sabe o que quer e ainda questiona Adonis sobre o porquê ele decidiu ser um lutador, além de ajudá-lo em seu desenvolvimento nos ringues de uma forma madura e verdadeira.

Creed: Nascido para Lutar mescla de uma maneira muito inteligente aspectos que deram destaque ao mundo do boxe nos últimos anos, como os reality shows direcionados a este tipo de esporte, além das esperadas coletivas de imprensa aonde acontecem os encontros entre os rivais de uma grande luta. Além disso, a produção soube recriar cenas importantes da franquia com o uso da tecnologia, que evolui muito desde o primeiro filme.

Os produtores e roteiristas souberam balancear os momentos de comédia e de drama. Algumas cenas merecem ser citadas, como a piada envolvendo a tecnologia de armazenamento em nuvem e os momentos de tensão entre Adonis e Rocky, sem contar a tradicional sequência da escadaria. Também deve-se destacar os diálogos, que não deixam a desejar. Em quase todas as cenas, há falas que fazem a plateia refletir sobre superação, objetivos, determinação, limites e escolhas: temas recorrentes da franquia Rocky.

E como não podia deixar de ser, tem pancadaria no filme. Muita pancadaria. As cenas de luta são bem executadas e mostram a evolução de Adonis, que, ao lado de Rocky, participa de todo tipo de treinamento, inclusive com galinhas e lutadores idosos, para se tornar um grande lutador e construir seu legado.

Dois pontos negativos: a fotografia e a escalação de um ator para um importante personagem. É notável que houve uma alteração na forma de rodar a história e isso chama a atenção do público, já que a mudança da qualidade de imagem chega a ser bizarra de tão escancarada. Além disso, Anthony Bellew, que interpreta Pretty’ Ricky Conlan, não convence na pele do rival de Adonis. Tanto no porte físico quanto na atuação. É uma pena.

Creed: Nascido para Lutar tem todos os elementos que fizeram da franquia Rocky um sucesso: lutas bem coreografadas, cenas emocionantes, bons diálogos, relações familiares e amorosas, comédia no tom certo e lições de superação. Com um final convincente e de acordo com a trajetória dos personagens, o filme pode ser considerado uma passagem de bastão, já que a construção de um legado, seja na vida ou no cinema, acontece de gerações para gerações. E com certeza haverá novas histórias para contar a um público que nunca se cansa de lutar e que gosta de acompanhar a jornada de um herói carismático, porém, rabugento. Seja este um jovem em ascensão, ou, um senhor que ainda tem muito para ensinar.

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