Evereste (2015)

Everest entrega uma fotografia sensacional e um roteiro que poderia ser melhor, mas vale conferir a história baseada em fatos reais

Machuca. É perigoso. Eu preciso perguntar isso, você sabe que preciso. Por quê? — KRAKAUER, Jon
“Eu tenho filhos. Eles vêem um cara normal que pode realizar sonhos impossíveis, talvez eles façam o mesmo.” — HANSEN, Doug

Para começar a falar de Evereste é importante dizer que é baseado em fatos reais: a tragédia relatada nele aconteceu nos dias 10 e 11 de maio de 1996, dia que bateu recorde de vidas perdidas no pico, com 12 alpinistas mortos.

Para contextualizar: muitos alpinistas experientes, depois de já terem escalado os principais picos, passaram a criar empresas para levar outros alpinistas pelo mesmo caminho. Rob Hall (interpretado no filme por Jason Clarke), líder do grupo Adventure Consultants, cobrava 65 mil dólares por pessoa para levar um grupo até o pico, e nos dias retratados no filme, haviam outros 3 grupos fazendo o mesmo trajeto. A tragédia aconteceu pela combinação de diversos fatores: muitas pessoas escalando, atraso do grupo por alpinistas menos experientes e uma tempestade que atingiu o pico durante o trajeto de descida.

Voltando ao filme, do diretor irlandês Baltasar Kormákur (Sobrevivente), a fotografia de Salvatore Totino é brilhante, e consegue nos transportar para o Nepal com planos de dar vertigem. No entanto, considerando que um dos sobreviventes da tragédia, o jornalista Jon Krakauer, escreveu o livro Ar Rarefeito sobre essa experiência e que os roteiristas, Simon Beaufoy (Quem Quer Ser um Milionário?) e William Nicholson, tinham acesso à muito material de pesquisa, o roteiro em si ficou um pouco fraco, e demoramos para entender qual o propósito da história — pelo menos aqueles que, como eu, não sabiam detalhes da história original até então.

Everest

Muitos nomes de peso foram convocados para fazer figuração, como Keira Knightley, que interpretou a mulher de Rob, e Robin Wright (House of Cards), como a esposa de Beck Weathers. Temos ainda Jake Gyllenhaal como Scott Fisher, guia do grupo que se uniu a Rob e Emily Watson como Helen Hilton, responsável pelo acampamento base, e a impressão é que foi uma tentativa de conquistar bilheteria pelo elenco, e não pelo enredo.

A história vai sendo construída de maneira realística, vemos todas as etapas necessárias para uma escalada desse porte, com vários treinos de aclimatação e resistência antes de iniciarem a subida de fato, passando por todos os 4 acampamentos até chegarem ao topo.

Durante a subida, em alguns pontos vemos corpos de alpinistas que perderam a vida tentando, e que dificilmente são resgatados devido à dificuldade do terreno. O Monte Everest é o ponto mais alto da Terra, com 8000 metros de altitude. A trilha sonora de Dario Marianelli ajuda na construção do clima, mas, considerando a carga a emocional pretendida, poderia ter sido melhor.

Conseguimos criar uma empatia pelos personagens, como o professor que tentava pela 3ª vez chegar ao topo, o guia que estava esperando um filho e a japonesa que já tinha escalado os outros 6 picos e queria completar todos os desafios; mas o que realmente nos prende são as emoções da descida, e a facilidade de perder a vida nesse esporte. Um pequeno deslize é morte certa, e sofremos conforme as coisas vão dando errado.

Evereste é um filme que vale pela magnitude e também pela homenagem que prestou àqueles que perderam a vida nesse dia, e parece ter sido fiel à história real da tragédia. Pode ser arriscado afirmar, mas pode ter potencial para concorrer ao Oscar, pelo menos na categoria de fotografia; a produção parece ter sido feita para isso, usando uma história real e elenco forte.

Para mim, o mais impressionante é que ainda assim muitas pessoas continuam a subir o pico, mesmo com todas as possibilidades de dar ruim.

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