Final Act: últimos momentos da mochileira em Paris

Tudo que é bom, dura pouco. E é impressionante como o tempo passa rápido quando estamos viajando, principalmente em uma viagem daquelas a serem guardadas na memória.

Na semana anterior alguns de vocês acompanharam as andanças da Thais Maranho na cidade luz. Pois chegou a hora dela se despedir e voltar à realidade da paulicéia.

Então, vem ler o último post sobre a viagem dela. Vem gente!!!

Antes de vir embora, precisei voltar na Pont des Arts e fazer isso:

Ooooiiii!!! Acharam que eu tinha abandonado vocês? Nope!

Cheguei no Brasil dia 15 de madruga, viajei dia 17 e hoje (19) to conseguindo respirar. Tanta coisa pra dizer que nem sei por onde começar e, como tenho memória de peixinho dourado, melhor escrever antes que tudo se apague.

Onde parei? Bom, o último dia em Paris foi só correria pra comprar coisas que estavam faltando. E faltaram muito mais. Na verdade, comprei tudo errado. Sou ansiosa e se vejo algo bacana, já vou logo no impulso mesmo sabendo que não devo. Fiz errado no Peru e fiz errado agora, de novo. De cara já comprei um monte de tranqueiras e só depois, com o passar dos dias, vi que poderia ter comprado melhor. Fora que faltaram altos presentinhos, mas isso porque era muita coisa pra ver em pouquíssimo tempo. Essa viagem me cansou mais do que me divertiu.

A melhor coisa que você deve fazer antes de viajar é não dar ouvidos a ninguém. Faça um pré-roteiro, leia sobre os lugares e decida o que TE interessa e não interessa. Com o decorrer do dia, respire fundo para o que sair do programado e adapte-se sem ansiedade. There it goes!

Todo mundo vai te dizer o que fazer e, muitas vezes, você faz algo só pra falar que fez e nem queria tanto. Eu, por exemplo, tentei por diversas vezes subir na Torre Eiffel e não consegui. Quando vi que tava ficando muito ansiosa por conta disso, relaxei e pensei: “Não era pra ser e pronto.”

Hoje é dia 19 e eu ainda to cansada por querer fazer tudo ao mesmo tempo. Além disso, não gastei meu dinheiro da melhor maneira, mas ao mesmo tempo, não vou ficar me martirizando pois aprendi com a vida que as coisas são o que são. Principalmente quando você é completamente consciente do que faz e tenta sempre dar o melhor de si, se superar, crescer, evoluir. To fazendo o meu melhor.

Ontem estava na praia com a Jen, boiando no meio do mar, aí me levantei e falei : “Cara, você tem noção de que eu fui até a Europa e voltei?” Ela riu. Pra maioria das pessoas, crescer e amadurecer é um processo natural e acontece num tempo “em comum” entre as pessoas, mas pra mim, é algo que tenho trabalhado demais. Tudo na minha vida acontece com anos de “atraso”, mas se você pensar que, cada um tem seu caminhoe seu tempo, to indo muito bem, obrigada.

Vi Paris. Vi Barcelona. Não esperava não me apaixonar por Paris e querer me mudar “amanhã” pra Barcelona. Sempre lembro que a Lívia (amiga do Rio de Janeiro), me falava que eu tinha que conhecer Barcelona porque tinha tudo a ver comigo. Oh, yeah, babe! Tem mesmo. É uma São Paulo mais lindinha, com um impacto muito maior na história como a conhecemos, e com praia. Passei uma semana no cinza de Paris e quando cheguei em Barcelona e vi o sol, foi tipo a abertura dos Simpsons.

Hoje to filosófica. Acabei de assistir ao DVD Get Along, da Tegan and Sara e meio que tive uma retrospectiva em fast foward da minha vida nos últimos 10, 12 anos. Vi o que era, o que queria ser, o que sou e ainda deu tempo pra pensar no que quero ser. Não sei se chego a alguma conclusão algum dia, mas to aí atirando pra uns 3 lados e o que der, deu.

Tá, a viagem. Paris é linda. Absolutamente. Pra quem gosta de história, de arquitetura clássica e de cidade grande, é o lugar. É tudo muito grande: o rio, os prédios, as ruas. Em se tratando de pessoas, não tive um contato íntimo com nenhum parisiense, mas o que se vê nas ruas é: um povo que tem uma história fascinante, mas não entende em absoluto nada sobre relação interpessoal. Ou entende do seu modo, tendo assim uma relação fria, seca e à distância.

Eu estava conversando sobre isso com a Van, se bem me lembro e, a conclusão que eu cheguei foi a de que, no Brasil: a história fez-se em cima de uma colonização de extração, tiraram tudo o que podia daqui. Fizeram o que quiseram com o povo brasileiro ( índios), toda politicagem deu-se de maneira suja e corrupta. Isso, ninguém nega. O resultado está no comportamento diário do nosso povo. MAS… ao mesmo tempo, a gente sabe se relacionar. Se é que a gente pode dizer que um povo sabe e o outro não sabe. Temos o calor, temos as conversas em salões, em mercados, sabe-se da vida alheia, fala-se bastante e temos um corrente — paralela à corrente da corrupção de da pizza — da conscientização. Falamos sobre sustentabilidade, melhor alimentação, desmatamento da Amazônia, aborto, sexualidade; Temos avisos de “assento preferencial” nos ônibus e metrô; Ajudamos uma velhinha a atravessar a rua e não toleramos gente furando a fila em que estamos. Ao mesmo tempo em que nosso dinheiro não vale nada, ao mesmo tempo em que nossao sistema é falído e corrupto, ao mesmo tempo em que tudo acontece em São Paulo e nada no Acre (pra ser BEM grosseira), temos uma corrente de conscientização muito forte que anda em paralelo à este erro todo.

Aí a conclusão — grosseira também — que tiro de Paris é: eles têm motivo pra serem tão orgulhosos de sua história, mas vivem no passado e não têm a mínima consciência do outro. Não produzem nada de novo há décadas (tirando na moda) e as pessoas são absurdamente clássicas e blasés. Ninguém pede licença pra passar, eles trombam com você e nem te olham. Não existem avisos de “assento preferencial” e ninguém levanta pra um velhinho sentar. E o que mais me emputece (quando me permito porque não acho que seja o caminho pra nada e sim o entendimento que nos leva ao crescimento) é que franceses, portugueses, espanhóis, ingleses (entre outros) vieram até a América pra povoar e tirar desta terra, criaram o povo que somos hoje, nos largaram na rua da amargura e ficam PUTOS da gente dar um pulinho na terra “deles”. Como assim, Bial? Pode isso, Arnaldo?

Enquanto o ser humano não entender que somos uma única célula e que todo mundo veio do mesmo lugar, a Terra vai continuar um lugar infernal pra se viver. Eu, por exemplo, tenho sangue de italiano, espanhol, português e, ao que me consta, de índio. Ou seja: a Europa me pertence tanto quanto à eles. E mais, a gente vai pra lá e leva uma dinheirada absurda. Já que é isso que importa mesmo, after all.

Tirando aquela situação da Hard Rock Cafe que comentei aqui, assisti mais umas duas cenas xenofóbicas que me deixam triste e não puta. O ser humano tem muito o que aprender ainda. E nem precisamos ir tão longe, não É? Morei no sul do país durante três anos e as coisas por lá não são muito diferentes. Aliás, a ignorância mora ao lado. Vamos acordar pra vida, vá! Um não vive sem o outro, o mundo não gira sozinho (qué dizê) e o que acontece lá na Sibéria, me afeta diretamente. Física pura.

Sobre Barcelona., é uma cidade linda, linda. Provavelmente mais apaixonante do que Paris por ter mais a ver com São Paulo e com o Brasil do que Paris. O espanhol me deixou mais confortável na hora de me virar e as pessoas vivem, ao invés de fazer pose. As lojas são mais lindas, as pessoas são mais criativas. Andando por Paris, parecia que eu era a pessoa mais diferente na cidade toda. Barcelona, não. Até o Arco do Triunfo deles é mais lindo e vivo do que o de Paris.

Deixo claro que, as impressões aqui passadas, são absurdamente pessoais. Toda informação que sai do nosso cérebro, passando pela boca, nada mais são do que nossa impressão do mundo diante das experiências que tivemos, da educação que tivemos, da família que temos e assim por diante.

Barcelona é mais legal pra fazer compras, por exemplo. Mas como a gente estava num vôo super doméstico, digamos assim, e o limite era uma malinha pequena pra cada um, passei vontade. MUITA vontade. O que comprei por questão de honra, foi um tênis porque estava em promoção: 25 euros.

Não consegui ver tudo o que queria ver. Passamos a noite no aeroporto pois nosso vôo era às 6h30 da manhã e dormimos pouquíssimo. Chegamos na casa da Re (minha amiga que me emprestou as chaves da casa dela enquanto passa um tempo aqui no Brasil) umas 9h30. Dormimos uma horinha e, na hora de sair de casa, a Van percebeu que estava sem o passaporte. Tensões à parte, o passaporte estava no Achados e Perdidos da companhia aérea lá no aeroporto. Ou seja, fui começar a ver alguma coisa lá pelas 13h.

Enquanto eles foram atrás so passaporte, eu fui encontrar meu querido amigo (e norueguês) Borre que está morando na cidade há 3 meses. Como manda a tradição, experimentei um Mc Chicken delícia na frente da Sagrada Família. O que é aquela igreja, me diz? Aliás, o que foi esse Gaudí? Todo mundo merece conhecer a história do cara e suas obras. Google it!!!

Botando tudo na balança, as atrações de Barcelona são mais lindas que a de Paris. A Sagrada, a Casa Batló… Só estando lá pra entender. Queria ver Dalí, não deu. Meus amigos estavam com dinheiro contado e eu correndo pra ver o que dava pra ver.

Voltei ao Brasil com a sensação de que logo voltarei e sem arrependimentos. Tinha mais zilhões de coisas pra falar, mas vou deixar o texto de lado, e deixar um pouco pras fotos que falam por si.

Cuidem-se e até a próxima aventura.

Thais Tatu Maranho

[nggallery id=110]

Sobre o Autor

Avatar

BOXPOP

Site especializado em cultura pop, fundado em agosto de 2007. Confira nossos podcasts, vídeos no youtube e posts em redes sociais. Interessados em contribuir como autor no site podem entrar em contato: contato@boxpop.com.br

Deixe um comentário

clique para comentar

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

OUÇA O BOXCAST

VIDEOCAST

Lidio Mateus, o brazilian singer da internet, comenta todos os bafos e segredos de sua carreira.

Tem série nova na HBO e os bastidores dela foram recheados de TRETAS. A gente conta todas neste vídeo.

Esse é o filme que vai ganhar o Oscar de filme estrangeiro. Neste vídeo comentamos Parasite. Assista!

SEJA UM PADRINHO!

Contribua!

OUÇA ACABEI DE LER