Furacão Bianca não causa muitos estragos

Filme estrelado pela campeã da sexta temporada erra no roteiro, mas mata saudades de fãs.

Quando RuPaul lançou seu reality show para eleger a próxima modelo drag das Américas, quem poderia imaginar que o programa faria tanto sucesso e lançaria ao estrelato tantas artistas? O fato é que, temporada após temporadas, muitas drags foram lançadas mundialmente e conseguiram uma legião de fãs.

A mais famosa delas, sem sombra dúvida, é Bianca Del Rio, vencedora da sexta temporada. A conhecida rainha da ofensa conquistou a todos com seu estilo sarcástico, sua competência na costura e seu jeito especial de te fazer rir mesmo te esculachando.

E se os fãs ficam na expectativa de acompanhar o caminho tomado pela drag após o programa, a dica é o filme Furacão Bianca (Hurricane Bianca), que está disponível na Netflix desde o dia 1º de janeiro (prova de quem 2017 já começou bombando!).

Julgando quem não assistiu meu filme ainda

Sob os muros da escola

No filme, Richard (Roy Haylock, o nome verdadeiro de Bianca) é um professor de ciências decadente, que vive em condições precárias na cidade de Nova Iorque. Ele acaba sendo enviado a uma cidadezinha do Texas, em uma escola de Ensino Médio. Extremamente mal recebido pelos alunos, acaba sendo demitido quando a vice-diretora megera descobre um perfil do professor em uma rede social de pegação gay. Incomodado, Richard assume a persona de Bianca e retorna à escola detonando todos que planejaram seu mal.

A história até que é interessante e prometia. O problema é o tratamento dado pelo roteiro. Todas as discussões ficaram extremamente superficiais e não foram devidamente aprofundadas. É triste ver um talento tão grande quanto o de Bianca ser desperdiçado.

O que poderia ter sido uma importante discussão de gêneros nas salas de aula acabou servindo apenas para amontoar alguns clichês e promover inícios de diálogos, sem espaço para reflexões. Talvez a melhor tentativa advenha da irmã transexual do treinador do time. No entanto, a resolução do conflito, apesar de fofo, soou forçado e rápido demais.

Além do roteiro, incomoda também é o quanto os atores que contracenam com Bianca são ruins. Tudo muito forçado e absurdamente caricato. Claro que colocar atores bem amis velhos para viverem adolescentes é uma boa sacada que satiriza um velho costume das produções, mas precisava ser melhor desenvolvido.

Minha opinião sobre quem não gostou do meu filme

Chega de saudade

Se o roteiro é tão ruim e as interpretações tão fracas, por que ver Furacão Bianca? Oras, PARA VER BIANCA EM CENA! Quer um motivo melhor que esse? Em seus quase noventa minutos em cena, Bianca destila seu veneno contra alunos, colegas de trabalho, moradores do Texas, enrustidos, diz que é amiga de Lady Gaga e prima da Cher, beija o treinador homofóbicos e ainda vai pra cama com ele. Ou seja, faz o que Bianca sabe fazer de melhor.

Mas, além de Bianca, o espectador vai encontrar as participações especialíssimas de Shangela Laquifa Wadley e Willam Beli, como as melhores amigas de Bianca, e de Alyssa Edwards, vivendo uma comediante de um cafofo do Texas.

Shangela é tão divertida que não precisa fazer muita coisa para que você morra de rir dela; basta que ela esteja em cena. Já Willam tem seu momento quando encarna Lady Gaga. Imperdível! Pena que Alyssa não foi tão bem aproveitada, mas em seus poucos minutos consegue agradar.

Quem também tem uma boa participação na trama é MamaRu como a garota do tempo. Em cenas pontuais da trama, ela entra para dar notícias do furacão Bianca, que está prestes a atacar o continente. Trata-se de uma metáfora para mostrar os estragos que Bianca Del Rio causará na comunidade em que se instaurou.

Não caga no maiô, Xico

Tudo vale a pena

No fim das contas, Furacão Bianca é um filme bem fraco, mas que te diverte, especialmente se você for um fã de RuPaul’s Drag Race. É bom ver as queens em outras esferas que não a competição do programa. E, nesse quesito, elas realmente arrasam.

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