GA 10×10 — Somebody that I used to know

– Vou levar a Jo. KAREV, Alex
– Eu imaginei isso. GREY, Meredith
– Não fique animada demais. Você era uma interna que trepava com um atendente”. KAREV, Alex
– Você beija meus filhos com essa boca?” GREY, Meredith

Essa semana Grey’s deu sequência aos acontecimentos encerrados no episódio 8 (Two against one), o que não foi prejudicial nem para a narrativa sequencial, nem para os acontecimentos do episódio 9 (Sorry seems to be the hardest word). E essa, sem dúvida, foi a decisão correta a se tomar.

Nesse episódio o tempo para cada história foi bem distribuído, o que não tem sido muito comum nessa temporada (15 personagens regulares não é brincadeira), embora Emma, a namorada do Owen, ainda seja um grande problema para esse tempo. Em episódios passados, ela teve muito mais destaque que o próprio Owen, ao ter interações com a Torres; e, com exceção da cena com Cristina, tive a impressão de que Owen só apareceu porque as cenas da Emma foram com ele. Mas no geral, o episódio conseguiu focar em várias problemáticas ao mesmo tempo, o que também não é comum em Grey’s.

Em Somebody that I used to know, música de Gotye com a participação da cantora Kimbra é… um dos pontos altos foi a volta do casal Callie e Arizona (Callie e Arizona, hein? Nada de shipper “Callzona”, porque isso parece nome de prato da culinária italiana), que começou a se acertar, e o enredo foi muito bem conduzido. Apesar dos diálogos sarcásticos da Callie em alguns momentos, o que de certo ponto são até justificáveis, as duas souberam lidar com a situação muito bem, inclusive relacionado a aventura de Arizona com a Leah.

Se me quer de volta, eu estou de volta, mas não vou ser seu saco de pancadas. E eu tenho dormido no sofá há uma semana. E se eu voltei… eu durmo na cama”. ROBBINS, Arizona

Por falar em Leah, eu gostei de vê-la se preocupar com sua carreira pelo fato de Torres ter descoberto sua relação com Arizona. Claro que a apaixonada descontrolada teve seus momentos de lamentação, mas essas questões pessoais são sempre prioridades para serem transmitidas na tela. Infelizmente os internos não têm muitas oportunidades de mostrarem seus lados profissionais sem envolver suas relações pessoais. Quanto aos outros coadjuvantes do episódio, é difícil apresentar enredos maduros, quando se trata de April, Jackson e Stephanie. Em meio a tanta tensão envolvendo Meredith, Cristina e Bailey, o roteiro me aparece com esse probleminha bobo sobre convites de casamento? Logo a April que teve seus enredos amadurecidos bastante durante a nona temporada. E o casal Alex e Jo tiveram seus bons momentos nesse episódio, o que tem sido raro nessa temporada. É necessário investir mais na relação dos dois. Tá faltando carisma ali.

greys anatomy 10x10

Já a Meredith… essa tem tido um comportamento estranho desde aquelas verdades que ouviu da Cristina. E ao falar da Meredith, é impossível não falar sobre a narração de suas cenas, e esse é um erro gigante que em dez anos os roteiristas ainda não conseguiram consertar. Nas cenas em que ela está tendo conflitos com Cristina, estas são sempre narradas ou pela Cristina, ou por alguém que estivesse presente nela, que nesse caso foi Shane, e isso prejudica demais o argumento da personagem. Nesse episódio foi passado a impressão de que ela estava tratando o paciente bebê de Cristina com descaso, o que não é bem assim. Já nas cenas dos preparativos para o jantar de ação de graças, que não tem importância alguma, quem é que narrou? Ela mesma. E isso é muito prejudicial para a série e a personagem, assim como na nona temporada foi para Arizona, que praticamente só teve seus problemas com a amputação sob a visão da Torres. No fim das contas, Arizona foi a bitch da história, e não será diferente para Meredith se continuar assim.

Você perdeu a cabeça? Você acha que porque eu tenho filhos, toda vez que eu vir uma criança vou começar a lactar e perder a razão?” GREY, Meredith

E sobre Cristina, é incrível como Sandra Oh consegue deixar explicíto as sensações de sua personagem. E os episódios em que ela está com os nervos em alta são os melhores, seja quando a personagem está mais intensa, ou quando seu bom humor está elevado. E quanto ao seu beijinho com Shane, não acredito que vá dar em alguma coisa. Eles não possuem muita química, e o clima do beijo evidenciou que não dá para expandir muito mais que aquilo. Cristina já provou que só mantém relações com pessoas que demonstram algum tipo de superioridade a ela. Foi assim com Burke, com Owen, e até com aquele médico que foi professor dela que apareceu na terceira temporada. Quanto a personagem no geral, vai ser difícil (e ilógico) continuar a série sem ela…

Paralelo a tudo isso, o destaque do episódio mesmo foi o problema de Bailey, apesar de ter havido pouco sobre a personagem. Chandra Wilson realmente teve que tirar leite de pedra para conseguir mostrar qual era o problema de sua personagem durante as poucas cenas que teve, e por conta do roteiro, não por culpa da atriz, pareceu que Bailey estava fora de si, o que não é verdade. Mais uma vez volto ao problema da narrativa. Tudo bem que Bailey ainda não está muito consciente sobre qual o problema psiquico está enfrentando, mas colocar todas as cenas dela sob a visão de Ben foi muito irracional, e desleixo para com a personagem. Resta torcer para que isso seja melhor trabalhado daqui para frente.

No geral, apesar da irrelevância das cenas de Derek e de Richard; e também dos casos médicos com enredos forçados e sem carisma, o episódio, dirigido por Debbie Allen (a Catherine Avery), foi bom. Não foi espetácular, mas também não foi ruim, e serviu como uma boa sequência para o episódio 8, além de ter formado bases para acontecimentos futuros, e teve a história como um todo um pouco melhor desenvolvida em relação aos outros episódios dessa temporada. Claro que lá na primeira temporada, em 9 episódios Meredith já tinha conhecido um cara num bar, se apaixonado por ele, descoberto que ele é casado; e Cristina já tinha se envolvido com um médico intolerante a ela; e Alex já tinha pego sífílis, e passado essa sífílis ao George. Mas o grande diferencial é que lá a atenção de Shonda Rhimes estava totalmente voltada para a série, e só havia nove personagens regulares. Hoje há 15! Infelizmente. E por isso, a história vai andando bem devagarzinho…

P.S.: Essa semana o crítico de Grey’s Anatomy teve que viajar à Nova Iorque para resolver umas questões sobre a parceria do Box de Séries Inc. com um jornalzinho de lá, um tal de The New York Times, e eu, Pedro Morais, o substituí. Mas ele estará de volta a tempo de escrever a crítica do episódio 11, que só vai ao ar dia 5 de dezembro pela ABC.

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