GA 10×12 — Get Up, Stand Up

Say it loud and go from there.” — SLOAN, Mark.

Sabe quando os personagens de uma série não precisam falar muita coisa para expressar o que eles querem dizer? Quando o olhar de um bom ator se faz suficiente, ou quando o mise-en-scène em conjunto com um diretor de mão cheia trabalham juntos para constar a história? Bem, Grey’s Anatomy não é uma dessas séries; não me entenda mal, isso não é demérito.

O problema é que por algum motivo, os roteiristas decidiram calar nossos personagens só para ganhar tempo. E se tem algo que os personagens de Grey’s sabem fazer, é falar. Frases de efeito sempre foram eficazes aqui, desabafos, então, nem se fala. A narração sempre em dois momentos do episódio não existe por acaso. E quando esse tipo de série cala seus personagens por praticamente metade de uma temporada, a sensação que fica é que muito ficou engasgado.

Diga em voz alta e parta daí. A lição deixada por Mark Sloan para seu aluno lá no início da temporada passada foi relembrada aqui para justificar um roteiro que se certificou de fazer seus personagens colocarem para fora tudo que ficou guardado nestes onze episódios que passaram, o que foi essencial para o andamento da trama.

Fico feliz que finalmente temos Meredith e Yang recuperando o juízo, mesmo que tenha tirado a atenção do grande dia da Kepner. Aliás, a sequência inteira foi sensacional. Pela primeira vez na temporada Mer e Cristina se enfrentaram sem ficar apenas nos ataques e foram sinceras uma com a outra, e isso é fundamental em qualquer amizade. O melhor de tudo é como as coisas estão ficando cada vez mais claras para ambas. Grey não tem vergonha de admitir que sente inveja do sucesso da amiga e ainda percebeu qual era a verdadeira relação entre Yang e Ross. Já Cristina está acordando para o monstro (não sou obrigado a chamá-lo de shark) que ela mesma criou, ainda que aos poucos, e começa a impor limites. O que eu espero com isso é que a fase 10B mostre a verdadeira relação das duas, como estamos acostumados, e que o laço apenas se fortaleça.

Quanto ao Ross, continuo detestando-o. Mas convenhamos, o cara finalmente está mostrando um outro lado. A arrogância está ali, porém agora isto não é a única coisa que o personagem apresenta. Apesar do jeito dele, é ele quem está do lado da Cristina quando ela precisa. Foi ele quem deu um empurrãozinho na coletiva, assim como foi ele quem descobriu os frutos que a Yang poderá colher. Mesmo que tudo seja fruto de interesse na relação com sua mentora, não dá pra negar que isso pode ajudar a Cristina a voltar a ser como antes, o que aliás, já está começando a acontecer. Ross teve outro grande momento, mas deixarei para o final.

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Seguindo a lógica do episódio, o clímax ficou na responsabilidade dos novos Sloan e Lexie (dói, né). Se tinha algo realmente óbvio nessa temporada, é que o Avery não iria permitir que April dissesse “sim” para Matthew no momento oficial. Entre vários motivos, a relação deles ficou mal resolvida, e depois o Jackson nunca gostou tanto assim da Steph. Meu palpite é que a April vai jogar tudo pro alto e escolher ficar sozinha por um tempo para descobrir o que ela realmente quer, ao invés de escolher um dos pretendentes de cara. Ou talvez eu apenas esteja otimista e ela nem evoluiu tanto assim.

Arizona me surpreendeu. Ela foi clara ao dizer o por quê de ter se relacionado com Boswell. Ela precisava de alguém que a aceitasse como ela estava naquele momento, e não de alguém para ‘consertá-la’. Não que eu compreenda o motivo dela, mas é alguma coisa. Foi uma cena bem ok, só acho que assim como tudo nessa temporada isso poderia ter acontecido bem antes. Não precisavam tê-la transformado em alguém completamente indiferente que iria para a cama com a próxima que se interessasse por ela. Eu até demorei mais que a Callie para aceitar esse comportamento dela, e não apenas porque eu amo a Torres e odeio vê-la mal, mas porque existe uma construção de personagem ali que foi esquecida no momento em que Robbins quebrou os votos matrimoniais e isso enfraquece demais a narrativa.

O que não me surpreendeu foi a vontade da Leah de correr atrás de Arizona. Essa moça é meio peculiar, se me permitem dizer, como uma mistura das loucuras da Kepner com a esquisitice da Brooks, logo faz todo sentido que ela ainda esteja tocada pela relação com a Robbins. Isso é bom, e me faz prestar cada vez mais atenção na personagem. E também ficou como uma compensação pela Boswell que apesar de ter demonstrado interesse em ficar com a Arizona, simplesmente sumiu.

O episódio ainda trouxe um momento decisivo para Jimmy e todos ao redor dele. A cena em que Karev conta que teve que fazer as vezes de pai foi fantástica. Os momentos dele com Alex foram todos muito bem cuidados e foi triste ver a despedida. Ainda veremos o que a morte do Jimmy representa para Karev quando a série retornar, mas eu confesso que esperava mais dessa relação entre pai e filho. Será que podemos esperar alguma interação entre Karev e a família que ele ainda não conhece? Os roteiristas poderiam fazer bom uso dessa história.

O que me incomodou foi que a morte do Jimmy foi ofuscada pelo momento de surto do Ross. Toda a arrogância do personagem foi usada não apenas para mostrar o lado agressivo dele, mas como uma válvula de escape para superar a morte da Brooks. O fantasma da moça estava ali o tempo inteiro e fez uma grande confusão no psicológico de Shane. Quão forte foi a cena em que ele pede para ninguém tocar “nela”? Ele não estava tentando salvar o pai do Karev ali, nem estava trabalhando para salvar um ser humano como qualquer outro. Ross estava tentando compensar a besteira que fez no começo da temporada, e o que ele conseguiu foi apenas outra morte relevante para o currículo.

Não posso encerrar a review sem falar da Bailey, mas a verdade é que eu não sei o que dizer. Ele está bem ou não? E o casamento? Ainda é tudo muito sensível e eu não sei o que esperar de sua storyline, mas torço para que os roteiristas não estraguem a personagem. E o que foi aquela ligação do Presidente para o Derek? O que isso significa para o plano dele com a Mer? E principalmente, o que isso significa para o casal? Aposto que você deve estar se perguntando se o presidente é o Fitz ou o Obama!

A primeira parte da décima temporada chegou ao final, e o saldo é que a série está numa fase realmente mediana. Tivemos alguns ótimos episódios, mas a história se arrastou por muito tempo gerando insatisfação de boa parte dos fãs e deste que vos escreve. Espero que Grey’s retorne desta longa pausa com um novo fôlego e trabalhe em uma história realmente digna para a despedida de Cristina Yang. Grey’s Anatomy retorna dia 27 de fevereiro de 2014. Até lá!

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