GA 10×24 — Fear (of the Unknown) [Season Finale]

Você não sente o término porque este não é o fim para você. Não existe linha de chegada. Não existe ponto final. Você apenas precisa ir embora.” — GREY, Meredith

Chega ao fim uma das temporadas mais medianas de Grey’s Anatomy. A série recuperou as rédeas e construiu um final brilhante para uma grande personagem com status de protagonista e estabeleceu novas diretrizes que deverão se desenvolver em seu décimo primeiro ano.

No que diz respeito ao grande mote do episódio, a despedida de Yang, tudo correu da melhor forma possível. Foi bonito, emocionante na medida certa. Há de se reconhecer a razoabilidade dos roteiristas quanto a necessidade de criar um adeus marcante. Quando Cristina diz que precisa ir ao shopping e logo descobrimos que o estabelecimento havia sido lugar de uma explosão, somos avisados que este poderia ser um season finale no melhor estilo da série com todo aquele drama que estamos acostumados, mas não é. E não há nenhum problema nisso.

A personagem de Sandra Oh não sentia o término chegando porque, como foi muito bem colocado por Mer, este não é o fim. A vida segue para Yang em Zurique, assim como tudo continua normalmente em Seattle. É coerente que exista o receio de ir embora do lugar que foi seu lar por dez anos. O fato de que o Grey-Sloan está perdendo uma de suas melhores profissionais só prova que, além de Cristina estar trilhando o caminho que merecidamente é dela, o hospital está passando por uma renovação que pode ou não ser boa, mas é inegavelmente interessante e curioso do ponto de vista narrativo.

Sem perder tempo (o que pode vir a ser um problema no futuro) somos apresentados a Maggie Pierce, a nova chefe da cardio que já chega mostrando que não é qualquer uma e está ali para fazer a diferença. Uma filha perdida de Ellis Grey e Richard Webber? Sim! Vivemos para ver este dia chegar. Certamente esta carta na manga estava guardadinha esperando o momento certo de saltar diante de nossos olhos. Acredito que a personagem poderia ter sido introduzida com mais calma para revelar o berço apenas futuramente, entretanto é compreensível a atitude dos roteiristas de querer virar a mesa nesse momento de transição. Grey’s precisa disso. Se quiser sobreviver, deve mostrar que ainda tem fôlego para entrar na segunda década de existência.

Assim como a introdução de Maggie, todos os grandes plots do episódio foram relacionados de alguma forma com Cristina. Desde o coração de Link que surge duas horas antes do voo para a Suíça, como a polêmica envolvendo os cortes no orçamento e o destino de Karev. Estes dois últimos têm relação direta com a storyline inicial da 11ª temporada. Como a fundação e o restante do Conselho irá lidar com a possibilidade de outra pessoa no lugar de Yang a não ser Alex — e aliás, qual será a decisão do próprio Alex Karev? Bailey não merece ser rebaixada outra vez. Torço por um retorno à Bailey clássica, a volta ao básico. Quem sabe isso seja possível com a introdução de novos internos.

Não há dúvida que entre os internos restantes Jo é a mais sortuda. Não importa qual seja a escolha de Karev, o futuro dele deve ser grandioso e ela está ao seu lado. A moça tem se mostrado uma ótima aprendiz, além de fazer os laços certos entre os colegas mais experientes. Steph ainda tem muito o que provar, mostrar suas camadas que ainda não conhecemos. Ross, outro personagem com quem o roteiro tem sido bastante generoso, está livre de qualquer desgraça costumeira de Seattle e voou com Yang. Leah teve uma despedida ainda mais digna que a do próprio colega. A moça superou a demissão e a encarou como uma porta aberta a caminho da auto descoberta.

Não entre em aviões pequenos que podem cair, ou coloque a mão em uma cavidade corporal que tenha uma bomba, ou ofereça a vida a um atirador. Não faça isso! Não seja uma heroína. Você é minha pessoa. Preciso de você viva. Você me deixa valente.” — YANG, Cristina.

GA 10x24

Ninguém além de Owen sentiu a despedida de Yang como Mer sentiu. Os últimos momentos das twisted sisters foram de encher os olhos. O diálogo tão próprio delas e tão coerente com o momento, com o que uma representa para a outra, deram o tom emocional que era necessário. A insistência de Meredith para garantir que a amiga chegue em Zurich na data correta foi essencial para esse deslocamento acontecer. Será que em algum momento Yang sentiria que estava pronta para ir embora? Profissionalmente, sim. Ela poderia ter tido a chance de concluir seu trabalho com Link e repassado seu lugar no Conselho — como fez, mas sua vida pessoal jamais permitiria um adeus fácil.

Cristina e Hunt estavam terminados há muito tempo, mas nunca aceitaram de fato. Nunca tiveram força de vontade suficiente para finalizar. Yang ter ido embora sem se despedir propriamente de Owen como fez com a amiga foi triste, mas rendeu ótimas cenas. Owen terá que conviver com o fantasma da ex-esposa a partir de agora para superar o fim do relacionamento, isso ficou claro em vários momentos. Durante o episódio inteiro o roteiro indicou que aquele era realmente o fim entre eles, e não havia despedida que justificasse isso. Era como a morte que nem sempre permite despedida, acontece e você apenas precisa lidar com isso.

Nada mais justo, portanto, que Cristina influenciasse a decisão de Mer a respeito do emprego em Washington. Na review anterior questionei se os roteiristas teriam coragem suficiente para abraçar a ideia de mostrar como seria a vida de Grey e Derek em DC, mas a verdade é que a escolha Meredith de ficar onde construiu sua vida é muito mais coerente com ela mesma. Se o casal estará disposto a viver separados (não divorciados) pela carreira é um problema que os roteiristas precisam resolver com cuidado para não sair do tom, mas a dinâmica que pode surgir a partir disso é definitivamente interessante.

E então Cristina Yang foi embora. Ficam as lembranças, boas ou trágicas. Ficam as danças, as conquistas. Ficam os momentos de palavras sinceras e aprendizado de uma personagem extremamente relevante para a história da série. Fica a alegria por ver que ela terminou bem, no topo, diferente dos finais conhecidos de Grey’s Anatomy. Que venha a era pós-Yang com suas novas histórias e dramas, mas que a essência, se possível, permaneça. Será necessário.

Obrigado por tudo, Cristina Yang.

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