Galveston e a busca pela redenção

Galveston, de Nic Pizzolatto, segue a receita de True Detective — uma pancada precisa na nuca e algumas lágrimas!

Quando saí do consultório, todos na sala de espera pareciam gratos por não serem eu. Dá para ver certas coisas no rosto das pessoas.” CADY, Roy

Em 2015, Tarantino disse que não estava impressionado com a série de televisão, True Detective. Os personagens eram muito melancólicos. No mesmo ano em que o consagrado diretor de Hollywood fez essa declaração, a editora Intrínseca publicou o primeiro romance de Nic Pizzolatto, Galveston.

No final das contas, Tarantino estava certo sobre uma coisa: Nic Pizzolatto tem um fraco por personagens melancólicos e paisagens bucólicas da Luisiana (não é para menos, já que viveu em Lake Charles, Luisiana, nos anos 80 — período onde muitas de suas histórias acontecem).

Entretanto, se Nic Pizzolatto se saiu bem com a primeira temporada de True Detective, em Galveston fica evidente que ele é aquele tipo de autor que agarra a sua atenção nas primeiras linhas. Quando menos perceber, estará virando as páginas, uma atrás da outra, em busca de respostas.

Mas eu não precisava de um plano, apenas de movimento. Como o mais puro assassino, eu já estava morto.” CADY, Roy

Em Galveston, Pizzolatto segue a mesma receita de True Detective. Nem muito grande, nem muito curto. O suficiente. Para quem sente falta de toda a filosofia pessimista do policial Rusty Cohle, Roy Cady é o substituto ideal (diria até que são parentes distantes, primos de segundo grau, talvez). Logo no começo as semelhanças pulam das páginas e torna-se impossível não imaginar Roy como Matthew MacConaughey em uma mistura de Rust Cohle e Joe Cooper (Killer Joe, 2011). Seja pelo chapéu de cowboy, pela grande F-150 1984 vermelha que dirige ou pelo hábito peculiar de transformar latinhas de cerveja Lone Star ou High Life em bonequinhos.

Porém, o romance não ousa brincar com o desconhecido e deixa de lado referências às obras de terror cósmico de Robert W. Chambers (O Rei de Amarelo, Intrínseca, 2014) e H.P. Lovecraft. Aqui todo o perigo vem de uma gangue de mafiosos de Nova Orleans, Luisiana.

A História

Roy Cady, como ele próprio diz, é um cara mau. Um matador de aluguel chamado apenas para realizar os trabalhos mais sujos. Porém, as coisas não andam nada bem para Roy, que acaba de sair de uma consulta médica na qual é diagnosticado com câncer terminal no pulmão. E como toda notícia ruim tem uma irmã gêmea, sua namorada agora divide a cama de seu chefe, o mafioso Stan Ptitko.

Irmã gêmea? Desculpe, quis dizer trigêmeas!

Stanislaw Ptitko faz o típico namorado ciumento, então nada mais justo dar cabo de todos os ex-namorados de sua querida Carmen. Infelizmente Roy Cady é um dos dois azarados prestes a sofrer um “acidente de trabalho”.

Roy e Angelo (o segundo nome na lista de ex-namorados) recebem um trabalho: fazer uma visita a um ex-presidente dos estivadores locais, coisa simples, um lembrete apenas. Porém há uma ordem a ser seguida. Nada de armas.

… estou dizendo para você e direi para Angelo: não levem armas. Não quero saber de ninguém armado.” PTITKO, Stanislaw

Tudo parece muito estranho, mas afinal de contas ordens são ordens. O que Roy não podia imaginar é que, após uma carnificina, acabaria fugindo de Nova Orleans com uma prostituta chamada Rocky — que teve a infelicidade de estar no local errado, na hora errada — rumo à Galveston, uma cidade litorânea no Texas que faz fronteira com a Luisiana.

Acompanhados da irmãzinha mais nova de Rocky, eles tentam se esconder dos capangas de Ptitko, assim como fogem de um passado de mortes e desilusões amorosas. Apenas o horizonte poderá dizer o que o destino lhes reservou, em motéis de beira de estrada, bares decadentes e a eterna busca pela redenção.

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