Game of Thrones 3×03 — Walk of Punishment

Walk of Punishment começou morno, com algumas coisas desnecessárias ou desinteressantes, como Tyrion querendo recompensar o escudeiro Podrick. O episódio possuiu uma fragilidade inexistente até então. Aí mais tarde, quando acaba, você percebe que não era o episódio que estava frágil; eram as situações e os personagens inseridos nelas.

Catelyn e Robb estavam enfrentando um funeral e uma preocupação constante com os outros Stark; Daenerys em Astapor diante um questionamento sobre o papel dos inocentes na guerra em que pretende travar com os inimigos; Arya com um aliado a menos; Theon completamente perdido; Jon vendo que os Wildlings não são aliados ainda; Stannis na ausência de Melinsandre; e Jaime e Brienne de mãos atadas diante uma situação de risco. Em cada um dos núcleos, um ponto fraco do personagem foi atingido.

Game of Thrones 3x03 (2)

A situação continuou morna, quase inerte. Desenvolveu os personagens ao invés da trama, mas o fez muito bem. Do lado de Daenerys, seu questionamento recorrente se manteve interessante. O que a difere dos outros reis tiranos que sentaram no Trono de Ferro? Por enquanto, tudo. Mais tarde, já encarada com a guerra e a morte e o perigo, isso pode não ser assim. Sua visão sobre o futuro se mantém a mesma, mas é perceptível em Jorah (e agora em Barristan) que eles sabem que o poder é uma situação de risco para qualquer um que chegue nele.

O preço pelos Imaculados foi um dragão. Isso é preocupante. A fantasia de ver a khaleesi chegando com tudo em Westeros com três (não dois) dragões é algo que habita a mente de qualquer fã da série. Não que com dois não vá ser uma bela guerra. Mas quando se acompanha a jornada toda da garota, e vê que, lá no começo, quando ela era nada mais que uma fonte de filhos para Drogo, ela ganhou três ovos fossilizados, nos faz querer ver os três dragões crescidos e cuspindo fogo em todo mundo ao lado dela. E é claro, nada impede que ela só assovie do barco e o dragão venha de encontro a ela.

Houve nesse episódio uma retomada interessante que nos leva a supôr algumas coisas sobre Game of Thrones. Missandei, nova aliada de Daenerys, cita os dizeres em Braavosi que Jaqen H’ghar deu a Arya em casos de risco: valar morghulis. Seu significado é revelado nesse episódio: Todos os homens devem morrer. O que será a causa da morte de todos os homens? Game of Thrones tem um jogo entre famílias, que geralmente culmina em guerra, e diversos outros núcleos de histórias. Mas, afinal, qual é a ameaça definitiva na série? Daenerys tem os dizeres em mente agora. O risco final da saga pode muito bem ser ela mesma.

Game of Thrones 3x03

Tyrion finalmente tem algo importante em mãos. Não a aparente bobagem criada em cima do desvirginamento de seu escudeiro, mas sim, o conhecimento de que Baelish tem dívidas não só com um banco barra pesada do outro lado do mar (em Braavos, terra de H’ghar, da temporada anterior), mas também com seu pai Tywin. Como todas as pequenas engrenagens funcionam com cuidado e calma dentro da cabeça do anão, é de se esperar uma guinada a partir disso. Enquanto isso, a trama de Baelish começa a dizer respeito às suas raízes com os Tully em Riverrun, que por sua vez, velavam o patriarca Hoster (em uma cena com uma belíssima direção de arte e figurino), apresentando dois novos personagens: Brynden e Edmure, tio e irmão de Catelyn.

Lembram de quando Drogo simplesmente virou um caldeirão de ouro derretido fervente na cabeça de Viserys? Quando Joffrey obriga Sansa a olhar para a cabeça decapitada de seu pai? Quando Jaime empurrou Bran da torre? Estava sentindo falta disso. Dessa audácia sem limites que a série oferece ocasionalmente, uma coragem em introduzir plots e chaves de enredo que não tem medo em perturbar ou assustar o espectador. Nesse episódio, isso voltou. A cena final entre Jaime e Locke (não aquele de Lost) resgatou essa paixão pelo extraordinário e pelo deturpado que Game of Thrones desperta. Foi um belo lembrete do maior diferencial da série.

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