Game of Thrones 5×01 — The Wars to Come

Estreia da nova temporada de Game of Thrones promete, mas é só isso mesmo.

O futuro é uma merda, assim como o passado” — LANNISTER, Tyrion

Se você acompanha Game of Thrones tanto nos livros quanto na série é possível que você já tenha percebido a divergência entre os dois formatos nas últimas temporadas. A partir de agora, a série tomará cada vez mais liberdade criativa dos livros à medida em que se aproxima das histórias ainda não escritas por George Martin, que não fez parte da produção dos roteiros desta temporada e não participará da próxima também.

No entanto, vale ressaltar que a série ainda precisa cobrir os eventos de O Festim dos Corvos e A Dança dos Dragões, o quarto e quinto livros, respectivamente. Ambas publicações sofrem com um problema causado por uma péssima escolha do autor: a regionalização. Enquanto o quarto livro se passa mais ao sul, o quinto nos mostra o que acontece no norte e fora de Westeros simultaneamente ao eventos do livro anterior, para em seguida dar continuidade à história como um todo.

Game of Thrones 5x01 – The Wars to Come (3)

Esse é um problema que não caberia na série graças ao seu formato. Seria impossível passarmos uma temporada sem Tyrion, por exemplo. Além disso, a série se beneficia ao enxugar a história realocando personagens ou simplesmente cortando eventos que estariam sobrando para a série e gastando tempo valioso de episódio.

Ao começarmos a nova temporada com uma memória de Cersei perguntando sobre seu futuro, a série também se coloca em pauta sobre seus rumos. E através de seus personagens, que também estão na incerteza de seus destinos após a morte de Twyin Lannister, Game of Thrones tenta se remodelar um pouco mais livre do conteúdo original.

Das melhores adaptações que The Wars to Come nos trouxe, está a cena entre Tyrion e Varys. Ao chegarem em Pentos para se encontrarem com Illyrio, o homem em questão não faz sequer a mínima aparição. Em troca, ganharmos um extenso diálogo entre Varys e Tyrion que nos diz muitos mais sobre o que está por vir do que todo o resto do episódio.

Além disso, é importante ver a forma como Varys fala abertamente — ou de forma menos enigmática — sobre os planos para consertar o reino. O personagem repete o contexto de uma conversa que ele teve com Ned Stark na primeira temporada: “Eu fiz pelos sete reinos”. Esse discurso coloca o personagem como a personificação das vontades de toda Westeros. É fácil interpretá-lo desta forma, pois a única vez que vimos o personagem agir por egoísmo foi quando ele se vingou do homem que o fez eunuco.

Game of Thrones 5x01 – The Wars to Come (2)

Mas enquanto Varys diz para Tyrion que Daenerys é a chance de um reino melhor, a série nos mostra que os problemas que a mãe dos dragões sem dragão enfrenta não se resolvem apenas com pose — um aspecto da personagem que a série exibiu exaustivamente até a última temporada.

Agora, Game of Thrones quer nos lembrar que ela é apenas uma menina que não sabe como agir sob pressão. Melhor ainda, a série nos mostra o quão destituída de poder ela está ao não conseguir controlar seus dragões ao mesmo tempo que ela cede facilmente às investidas de Daario Naharis (que a distrai da audiência com Hizdahr zo Loraq). Mas, ao contrário do que se pode dizer, os revezes de Daenerys só têm a colaborar para torná-la uma personagem com mais consistência.

Espera-se que o mesmo ocorra com Jon Snow. No livro, ele é um homem muito mais fechado, apesar de termos muito mais chances de estarmos dentro dos conflitos que pairam sobre sua cabeça. Na série, o bastardo de Winterfell é um homem dotado de certa compaixão, evidenciado na cena em que ele treina o garoto que atirou uma flecha em Ygritte e na conversa com Mance Rayder. Porém, ainda há uma certa falta de protagonismo em Jon Snow. Muita coisa acontece com ele, poucas coisas ele causa nos núcleos onde ele está.

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E, apesar do episódio nos trazer um pouco do que está por vir nesta temporada, é inegável que a estreia de Game of Thrones nos tenha dado mais do mesmo: muita expectativa. Na verdade, um dos problemas de Game of Thrones é que algo está sempre para acontecer. O inverno está chegando, os outros estão prestes a invadir a muralha, tem sempre alguém tramando para tomar o trono de ferro. Já chegou a um ponto em que a excitação desse traço característico da trama praticamente inexiste.

Está é uma hora para aproveitar a liberdade criativa que a série está se dando para proporcionar uma guinada a si mesma, trazendo frescor para a trama e nos fazer investir emocionalmente na série. Mais ou menos como aconteceu quando a série nos mostra que Brienne e Sansa estavam muito próximas uma da outra. São esses os momentos em que nós percebemos o quanto nos importamos com a série.

E a verdade é que Game of Thrones possui muitos aspectos bons, um ótimo elenco e produção impecável são alguns deles, porém, somente isso não sustenta um episódio. The Wars to Come é a perfeita exemplificação disso. Tivemos as ótimas atuações de sempre, a bela fotografia com a qual estamos acostumados e o figurino de alto nível que a série merece. Mas isso em momento algum fez com que o episódio se destacasse de alguma forma.

Game of Thrones sempre foi uma série promissora. Contanto que em algum momento ela entregue o que promete, tanto a série como nós que a assistimos não precisamos temer o que o futuro aguarda. Somente seus personagens, mas isso é uma coisa boa, no fim das contas.

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