Game of Thrones 5×07 — The Gift

Nesta semana, episódio de Game of Thrones amarra pontas soltas e entrega resoluções mais rápidas.

Todos os governantes ou são açougueiros ou carne.” — NAHARIS, Daario

Esqueça os livros. Game of Thrones praticamente abandonou o conteúdo original neste episódio ao apresentar variações interessantes que conecta melhor suas pontas soltas em direção a uma trama melhor costurada.

Embora o episódio trate de um presente, muito concentrado no fato de Tyrion ser essa entrega especial para Daenerys, outros arcos também lidam com pedidos e entregas. O melhor deles, no entanto, se trata realmente de uma adaptação mais ágil das histórias do livro. Muito do que acontece com Tyrion e Jorah, neste episódio, deixa de lado partes que só são interessantes para o livro (e às vezes nem tanto).

Ao optar por ir direto ao ponto, a série nos presenteia com uma cena que sempre brincou com o nosso imaginário e expectativa: o encontro de personagens principais distantes. E o resultado disso, além da satisfação, é o surgimento de uma nova expectativa sobre o que esse encontro pode gerar. Isso por si só renova a série e faz com que o que esperamos dela seja mais substancial.

Dorne, no entanto, parece ser a exceção da série. A essa altura da temporada as poucas cenas que por lá ocorrem parecem servir apenas para uma introdução de um arco que será maior na próxima temporada (e suspeito que o mesmo possa vir a acontecer com a história de Arya). Muito do que a série mostrou até agora serviu apenas para estruturam o ambiente desses enredos.

Na muralha, a saída da Stannis parece favorecer o desenvolvimento dos personagens que por lá ficaram. Mesmo que naquela região tenhamos testemunhado a criação de duas histórias (uma com Snow e Tormund, e outra com Sam e Gilly), não é impossível de dizer que os eventos poderão se tornar interessantes.

Game of Thrones 5x07 The Gift (2)

No que diz respeito a cena de Sam e sua tentativa de defender Gilly (que eu vou pular o comentário sobre a obsessão da série com violência sexual por já termos falado sobre isto antes), o elemento mais importante parece ser o fato de que Snow não está acompanhado de seu lobo.

Seguindo com Stannis, as intenções de Melisandre esclarecem o porquê da série ter desenvolvido Shireen. Agora que a sacerdotisa do fogo revelou seus planos para ela, levando Stannis a uma encruzilhada que pode custar sua vitória em Winterfell, o suspense dessa história está justamente no que podemos pressupor nas diferentes possibilidades.

Considerando que as premonições estão certas, se Shireen for sacrificada, Stannis sairá vitorioso, mas não sem nos proporcionar um momento chocante. Caso opte por poupar a própria filha, como ficarão as previsões de Melisandre, sua fé em R’hllor e a inevitável morte da reincarnação do lendário herói Azor Ahai?

Dando sequência aos eventos que culminaram em uma das cenas mais comentadas da temporada, os conflitos entre Sansa, Theon e Ramsay funcionam muito bem para estabelecer a falta de esperança da garota Stark. A traição de Greyjoy funciona tanto para o desenvolvimento da psique deformada do personagem quanto para tornar o ambiente de Sansa mais complexo. Isso exigirá da personagem ainda mais força e resistência para superar essa provação que, se sair vitoriosa, terá alcançado seu ápice. É desta forma que se constrói personagens fortes.

E falando em mulheres de garra, Olenna Tyrel continua impecável ao mesmo tempo que seu diálogo com o Alto Pardal traz nuances que logo surtem efeito. Essa movimentação ágil traz para o episódio a sensação de entrega que muito faz falta em Game of Thrones. Mesmo sendo característica da série desenvolver longas histórias, carregando sutilezas em seus diálogos, faz bem para a série mudar o seu ritmo de vez em quando.

É mais ou menos esse o senso de retribuição que temos quando vemos o resultado da conversa de Olenna com o Alto Pardal e as ramificações que um rápido diálogo com Mindinho surtem em Cersei, que pouco tempo teve de se vangloriar pela manipulação arquitetada para eliminar sua concorrência.

Com Cersei presa e Tyrion chegando ao seu destino, Game of Thrones entrega o melhor dos presentes: a compensação pelas horas dedicadas à série via um episódio sólido e surpreendente por optar por ser ágil e construir novos contextos para seus personagens.

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