Game of Thrones 6×01 — The Red Woman

The Red Woman começa a sexta temporada com mais ritmo e velocidade dando foco no nas histórias das mulheres de Game of Thrones.

Dane-se as profecias, dane-se o destino.” — LANNISTER, Jaime

Depois de um ano aguardando para sabermos se Jon Snow está vivo ou morto, Game of Thrones retorna para sua sexta temporada praticamente ignorando a pergunta e entrega um episódio focado nas mulheres. Os benefícios dessa decisão são vistos por todo o episódio, que proporciona ação mais rápida e acontecimentos mais palpáveis que destacam os personagens.

Isto é um contraste bem definido dentre os episódios que iniciaram temporadas anteriores, já que neles o foco era sobrevoar as várias regiões de Westeros mostrando os efeitos que os cliffhangers que finalizavam as temporadas causavam em todos os núcleos da série.

Isto se torna claro na fuga de Sansa e Theon. Após passarmos alguns minutos em Winterfell acompanhando a forma como Ramsay reage ao luto — cena que reforça a maldade do personagem sem apelar para cenas gráficas — toda ação se volta para seus ex-prisioneiros, mas é na chegada de Brienne que a maior realização do episódio acontece, momento em que é nítido que a história caminha a passos mais largos. Não fosse essa uma adaptação mais livre de As Crônicas de Gelo e Fogo, seria muito provável que veríamos a dupla fugindo durante toda a temporada.

Ainda sobre o encontro de Brienne e Sansa, há um pequeno detalhe que mostra a evolução da Stark. Ao tentar declamar o juramento que torna Brienne sua protegida e esquecer de algumas frases a ponto de ter que ser lembrada por Podrick, Sansa deixa de refletir a garota que cresceu preparada para ser rainha, dando lugar a uma mulher mais madura, moldada pelo sofrimento.

Sofrimento este que também causou impacto em Cersei, que em The Red Woman aparece abalada muito antes de saber da morte de sua filha. É improvável que ela permaneça desta forma nos próximos episódios, mas aqui a série nos dá tempo para vermos Cersei com suas feridas abertas. E esta oportunidade aprofunda a personagem que admite ser má, e nessa confissão conquista empatia.

Mas o caminho de volta à vilania passa por Ser Robert Strong, que faz uma breve aparição no episódio, o novo membro da guarda real que deixa claro a diferença entre Cersei e Ellaria. Enquanto uma tem a disposição servos para fazer o trabalho sujo, a outra toma um reinado com as próprias mãos em uma cena que pode ser entendida como um “dane-se os livros a partir de agora” por parte da série.

E após mostrar três exemplos de mulheres lapidadas pela dor (lembrando que Ellaria assiste a morte de Oberyn), é com Daenerys que a série decide subverter uma das personagens que passou mais tempo sendo retratada como ícone de força para mostrar personagens masculinos sobre uma ótica que os desvaloriza.

Aqui temos a Targaryen, que há bem pouco tempo voava sobre um dragão, sendo tratada como prisioneira pelos Dothraki, e que logo após revelar se viúva de Khal Drogo, continua a ser tratada com inferioridade por causa de seu laço com um homem. Para Daenerys, este retorno a um ambiente familiar pode favorecer a personagem se todo esse simbolismo da força da mulher que está implícito na personagem não vier abaixo ao ser resgatada por seus dois homens no cavalo negro.

Ironicamente, é nas narrativas com os homens de Game of Thrones que o episódio comete seus maiores deslizes. A começar por Jon Snow, o andamento dos eventos após a sua morte não deixa de ser incômodo quando lembramos que os mortos naquela região são queimados o mais rápido possível para não se tornarem White Walkers, porém, essa preocupação jamais passa pela cabeça dos personagens, principalmente na de Allister Thorne que poderia usar essa informação de argumento. Essa omissão da série é um erro crasso porque deixa transparecer os privilégios de protagonista que Jon Snow tem. E isso é além da narrativa, é uma interferência direta que empobrece um episódio que inicia a temporada muito bem.

Outra cena que também não surte um bom efeito é quando Jorah magicamente para justo onde Daenerys deixou cair seu anel. Em partes, a cena não mantém o desempenho do episódio porque Jorah e Daario possuíam evidências suficientes (os animais queimados e o rastro dos cavalos dos Dothraki) para entender que Daenarys foi capturada, sendo desnecessário o improvável encontro do anel.

Para finalizar, Game of Thrones reserva a personagem que inspira o título do episódio em uma cena que fecha a ampla participação feminina do elenco trazendo mais perguntas do que respostas. Neste caso, vermos a verdadeira Melisandre sem os poderes do rubi em sua gargantilha, o que nos enche tanto de expectativa quanto de dúvidas que servem pra soterrar o já tedioso questionamento sobre Jon Snow e mostrar que as narrativas das mulheres de Game of Thrones estão mais interessantes nesta nova fase da série.

[taq_review]

Sobre o Autor

Avatar

BOXPOP

Site especializado em cultura pop, fundado em agosto de 2007. Confira nossos podcasts, vídeos no youtube e posts em redes sociais. Interessados em contribuir como autor no site podem entrar em contato: contato@boxpop.com.br

Deixe um comentário

clique para comentar

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

OUÇA O BOXCAST

VIDEOCAST

Lidio Mateus, o brazilian singer da internet, comenta todos os bafos e segredos de sua carreira.

Tem série nova na HBO e os bastidores dela foram recheados de TRETAS. A gente conta todas neste vídeo.

Esse é o filme que vai ganhar o Oscar de filme estrangeiro. Neste vídeo comentamos Parasite. Assista!

SEJA UM PADRINHO!

Contribua!

OUÇA ACABEI DE LER