Game of Thrones 6×03 — Oathbreaker

Apesar de contido e pouco revelador, Oathbreaker investiga o passado para afetar o presente dos personagens de Game of Thrones.

“O passado já está escrito. A tinta está seca.” — Corvo de três Olhos

Tentando convencer Bran a não se envolver demais com o passado de Westeros e de sua família o Corvo de três Olhos tenta em vão dissuadir o garoto da curiosidade sobre eventos do passado, mesmo que isso faça parte de seu treinamento. Curiosidade essa também é compartilhada por quem assiste a Game of Thrones, que vê nesta temporada a oportunidade de preencher lacunas que nem mesmo os livros se prestaram a ocupar.

Um dos aspectos mais importantes sobre o retorno ao passado de Westeros e de momentos marcantes como a Revolta de Robert é vermos que os fatos narrados e compartilhados por esses personagens, mesmo quando um deles é conhecido por ter a honra intacta, não são uma retratação fiel da realidade.

Bran aparenta visível choque ao descobrir que seu pai contou uma mentira (ou que escondeu alguns detalhes) e isso adiciona mais à personalidade do personagem que só esteve presente durante a primeira temporada da série. E em Oathbreaker o passado tem papel importante na solidificação dos personagens tanto quanto o futuro.

Um exemplo disto é a atual situação de Jon Snow. Revivido por Melisandre o bastardo de Ned está cada vez mais próximo da profecia sobre Azor Ahai, mas antes que o enredo caminhe em direção dessa trama, a série finaliza algumas das pontas soltas da Muralha antes de prosseguir com o que parece um enredo solo de Jon Snow.

Na execução dos traidores da Patrulha fica clara a dualidade da essência que caracteriza Snow e o reflexo da honra ao dever que seu pai sempre teve como senhor de Winterfell. Esta é uma boa evolução para o personagem que sempre foi apresentado em uma constante tediosa, mas que o roteiro da série aproveita seu renascimento para trazer novos traços para o personagem sem soar clichê.

No entanto, é impossível não lamentar o fato de que Oathbreaker pareça se esforçar para conter o desenvolvimento da história ao caminhar de forma lenta em diversos momentos. Daenarys e Arya estiveram neste episódio basicamente repetindo o que já foi retratado em suas histórias ou rumando para a previsibilidade, enquanto ficou a cargo de Tyrion trazer um pouco de risadas vazias para o episódio em uma cena que acaba por tirar o foco do que tinha sido desenvolvido por Varys momentos antes.

E enquanto o episódio se esforça para elevar todas as tramas, algumas revelações referentes a detalhes importantes para a história são despejadas no episódio sem cerimônia, tirando todo o potencial que elas teriam para a série, principalmente no que diz respeito aos informantes de Varys, que dá uma dica do que seus “pássaros” podiam ser exatamente uma cena antes do episódio revelar quem eles são. Se essa era a intenção do episódio, por que se incomodar em plantar um mistério que não chega a durar cinco minutos?

Na mesma cena, a série também revela a identidade de Ser Robert Strong. Por mais óbvio que fosse o fato de que Gregor Clegane é o homem por debaixo da armadura da Guarda Real de Cersei, a informação poderia ter sido plantada de forma mais relevante. Da forma que foi, a quebra da quarta barreira feita pelo episódio soa como se essa revelação somada a dos informantes de Varys agissem como se a série estivesse atirando sobras em nós em um episódio que não pretendia revelar muito.

No geral, o conjunto de cenas em Porto Real acrescentaram pouco à trama, com exceção da cena entre Tommen e o Alto Pardal, que continuam a desenvolver o acirrado relacionamento entre coroa e igreja no reino. Mas isso só prova que os pontos mais fortes de Oathbreaker vieram do passado dos personagens de Westeros, ou de seus retornos à série e no do desenvolvimento do que tem acontecido no presente.

Outra cena que comprova isto é o ressurgimento de Rickon e Osha, que agora estão nas mãos de Ramsay. A cena provoca a sensação de desespero, que é ainda mais forte graças a nossa falta de memória sobre o paradeiro da dupla. Esta é uma forma inteligente de trabalhar o elemento surpresa que a série pareceu não querer ter feito em outras oportunidades no mesmo episódio.

Agora o enredo de Ramsay ganha novo fôlego após nos fazer pensar que o novo senhor de Winterfell estivesse em desvantagem com a fuga de Sansa. Esse tipo de subversão faz com que a instabilidade nas disputas de poder se tornem mais interessantes quando elas recebem pouco foco do roteiro, mas esse é exatamente o aspecto que faz elas funcionarem a favor de Game of Thrones.

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