Game of Thrones 6×04 — Book of the Stranger

Book of the Stranger acelera narrativas de Game of Thrones proporcionando consistência do início ao fim.

Naveguemos nas águas da libertade ao invés de afundarmos nela” — LANNISTER, Tyrion

Game of Thrones avança a história da temporada em uma guinada que apela principalmente para os laços familiares e às motivações dos personagens da série. Embora o final do episódio tenha sido — com o perdão do trocadilho — flamejante, Book of the Stranger foi consistente durante todo o trajeto.

A começar pelo norte, Game of Thrones tem se mostrado mais hábil para lidar com a passagem de tempo. Após o final do episódio anterior, com Jon abandonando o posto de Senhor Comandante, a série quebra qualquer expectativa que podíamos ter tido sobre o destino do personagem ao concretizar uma das maiores fantasias por quem torce pelos Stark.

Mesmo tendo dividido pouco tempo de tela juntos, Sansa e Snow compartilham um momento de alívio que traz novidades para o enredo. Porém, a reunião dos Stark vai além disso. A chegada de Brienne instiga o clima acirrado entre Melisandre e Davos e, em poucas cenas, Book of the Stranger reconstrói o enredo da muralha apelando para o que há de mais forte em seus personagens. Após muito tempo sendo praticamente o ninho de histórias semelhantes, é muito provável que a Muralha detenha uma das histórias mais fortes da temporada. Finalmente.

Diferente do que acontece até o momento em Winterfell. Ramsay segue no mesmo tom desde o início da temporada, e neste episódios não houve sinais de mudança. Desta vez, a vítima de Ramsay é Osha, e sua morte, enquanto que praticamente irrelevante para a trama, nos faz pensar sobre como às vezes a série descarta personagens com o objetivo de abrir espaço para outras tramas.

Até o momento, esta parece ser a função de Ramsay, mesmo que o episódio tenha mostrado que os exércitos dos Selvagens e o comandado indiretamente por Mindinho no Ninho da Águia estão com os olhos voltados para Winterfell. Levando em consideração o ritmo da história, a expectativa é que haja algum combate até o fim da temporada, e embora Ramsay seja o vilão da atualidade, ele ainda está abaixo de Joffrey, mesmo tendo derramado mais sangue que o antigo rei de Porto Real.

Para Ramsay falta ação. Ele é o rei de Winterfell e mesmo tendo posse de Rickon ele não parece tão ameaçador quanto já foi quando era apenas um bastardo. Nessa época o personagem foi capaz de destruir o psicológico de Theon. Em uma série que banalizou a morte, perecer é muito simples. A maldade definitiva é aquela que deixa sequelas em um personagem e o muda pra sempre.

E os reflexos desse período em que Ramsay era efetivamente malvado ainda podem ser vistos em Book of the Stranger. Theon volta para a casa e se entrega em pedidos de perdão para irmã, não almeja mais o trono, cedendo seu lugar de direito. Aqui vemos um personagem que, apesar de coadjuvante na maioria do tempo, trouxe consistência e evolução para as tramas em que esteve envolvido. Como apoio, Theon traz para a narrativa o que muitos protagonistas não trazem: propósito.

E Theon não foi o único a colaborar com o enredo neste episódio. Verme Cinzendo e Missandei estiveram particularmente vívidos durante a reunião com os escravocatas. Seus pontos de vista adicionam peso para o que Tyrion propôs aos Mestres, nos fazendo entender melhor quão delicada é a situação que a região se encontra. Desde que Daenerys deixou o lugar, o enredo de Meereen perdeu a importância e a série se encontra na mesma situação que George Martin nos livros, com um nó que ambos não conseguem desatar.

Mas talvez a solução desse enredo esteja próxima, já que Daenerys encerra o episódio com mais uma demonstração de seu poder. Porém, se há algum problema com o desfecho do episódio, é que ele se assemelha a todas as outras vezes em que Dany se viu encurralada em alguma situação. O problema dessa repetição é que ele avança pouco no enredo da personagem como um todo e, de certa forma, reafirma as características que já conhecemos dela.

Novamente, Daenerys tem um povo para liderar, fora o que deixou para trás em Meereen. Vamos torcer para que o roteiro de Game of Thrones use a velocidade que tem empregado no norte para unir as pontas soltas de Meereen e trazer Daenerys para Westeros, complicando ainda mais a situação dos sete reinos.

Porque se há uma característica que é tão inegável quando sua predestinação para liderar povos, é a de causar confusão por onde chega. No bom sentido.

[taq_review]

Sobre o Autor

Avatar

BOXPOP

Site especializado em cultura pop, fundado em agosto de 2007. Confira nossos podcasts, vídeos no youtube e posts em redes sociais. Interessados em contribuir como autor no site podem entrar em contato: contato@boxpop.com.br

Deixe um comentário

clique para comentar

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

OUÇA O BOXCAST

VIDEOCAST

Lidio Mateus, o brazilian singer da internet, comenta todos os bafos e segredos de sua carreira.

Tem série nova na HBO e os bastidores dela foram recheados de TRETAS. A gente conta todas neste vídeo.

Esse é o filme que vai ganhar o Oscar de filme estrangeiro. Neste vídeo comentamos Parasite. Assista!

SEJA UM PADRINHO!

Contribua!

OUÇA ACABEI DE LER